Túnis, Tunísia – A situação de quatro ativistas tunisianos detidos desde março, acusados de irregularidades financeiras relacionadas à campanha internacional Frota Global Sumud, tem gerado crescente preocupação. As famílias dos envolvidos relatam a deterioração da saúde dos ativistas e o profundo impacto emocional que a prisão preventiva tem causado, especialmente nas crianças.
Entre os detidos estão Wael Naouar, Ghassan Henchiri, Ghassan Boughdiri e Nabil Channoufi. A investigação, conduzida pelo Polo Judicial Econômico e Financeiro da Tunísia — um órgão especializado em crimes econômicos e financeiros —, foca na origem e no uso dos fundos arrecadados para a Frota Sumud, que buscava entregar ajuda a Gaza e desafiar o bloqueio israelense ao território palestino. As autoridades buscam determinar se houve desvio de verbas, enquanto os ativistas e sua defesa negam veementemente qualquer irregularidade.
O drama de Wael Naouar e sua família
A família de Wael Naouar, de 41 anos, vive um calvário desde sua detenção. Seu pai, Hichem Naouar, descreve o sofrimento do neto Yassar, de apenas nove anos, que tenta ser forte nas visitas ao pai na prisão, mas desaba em lágrimas depois. Yassar tem tido pesadelos e seu desempenho escolar piorou. A filha mais nova de Wael, Sumud, de quatro anos, ainda não compreende a situação e, em uma visita, tentou abraçar o pai através da barreira de vidro, batendo a cabeça.
Hichem Naouar relatou à Al Jazeera, em frente ao Tribunal de Apelação de Túnis, o estado de saúde preocupante de Wael durante a última visita. O ativista apresentava tonturas, dificuldades de visão, tremores no cotovelo, problemas para reter líquidos e dificuldade em controlar a perna esquerda. Wael iniciou uma greve de fome em 16 de agosto para protestar contra sua detenção contínua e foi transferido para o hospital devido à piora de seu estado. Ele suspendeu o protesto após 38 dias, atendendo a apelos de advogados e apoiadores, mas enfatizou que a decisão não significava abandonar suas reivindicações.
Hichem recordou a índole de Wael, mencionando um incidente durante o comboio terrestre Sumud na Líbia, em maio, quando Wael interveio para proteger outro participante de uma tentativa de sequestro. Em outra ocasião, durante a primeira frota Sumud, ele pulou no mar para resgatar uma mulher que estava se afogando. Segundo o pai, a força de Wael reside em suas ideias e compromisso com seu povo, sempre na linha de frente contra injustiças.
Desdobramentos legais e o impacto em Ghassan Henchiri
Apesar de os ativistas não terem sido condenados, a prisão preventiva foi estendida por mais quatro meses em 11 de setembro. A defesa contestou a decisão no Tribunal de Apelação de Túnis, argumentando que a liberdade deveria ser a regra e a detenção, a exceção. Ghassan Ghribi, membro da comissão de defesa, criticou a falta de trabalho investigativo por parte do juiz de instrução durante os seis meses iniciais do caso, afirmando que a extensão da prisão é uma 'exceção à exceção'. O Tribunal de Apelação, no entanto, rejeitou o recurso nesta quarta-feira, mantendo os quatro ativistas em prisão preventiva.
![A Tunisian woman holds photos of four detained Sumud Flotilla members during a demonstration in their support in Tunis [MOHAMED MESSARA/EPA]](https://www.aljazeera.com/wp-content/uploads/2026/09/epa_6ab420313d03-1790189617.jpg?resize=1280,720&quality=80)
Ghassan Henchiri, Ghassan Boughdiri e Nabil Channoufi permanecem em greve de fome. O pai de Ghassan Henchiri, Sebti, falou por telefone de Gafsa, relatando que o filho está exausto, mas consciente, após iniciar a greve de fome em 9 de setembro. Sebti expressou preocupação com a falta de exames médicos para uma lesão na cabeça que Ghassan sofreu durante sua detenção em Israel, apesar das promessas das autoridades prisionais. Ghassan também sofre de problemas renais e dores nas costas, e um pedido para ver um dermatologista foi negado, apesar de uma erupção cutânea que o impede de dormir.
"Permanecerei firme, não desistirei do meu direito e essas acusações maliciosas são falsas", disse Ghassan ao pai.
Sebti descreveu Ghassan como um homem íntegro e destacou seu engajamento político, influenciado pelo ativismo do pai desde 1978 em defesa da liberdade e de uma vida mais digna para os tunisianos. Ghassan era professor em uma escola de ensino médio e estava recentemente noivo, e sua detenção tem remodelado a vida familiar.
Protestos e acusações adicionais
As repercussões do caso se estenderam para além dos quatro ativistas. Quatorze pessoas que foram detidas após um protesto em 19 de setembro, pedindo a libertação dos ativistas, também foram colocadas em prisão preventiva. Entre elas, um adolescente de 17 anos foi levado a um juiz de menores, apesar de o Código de Proteção à Criança da Tunísia priorizar medidas preventivas e educacionais, evitando ao máximo a detenção preventiva para menores.
O advogado Rafed Rabbeh confirmou que os detidos enfrentam várias acusações, incluindo participação em reunião destinada a perturbar a ordem pública, atribuição pública de atos ilegais a um funcionário público sem provas e declarações públicas consideradas prejudiciais à reputação de uma pessoa ou órgão oficial. As acusações são baseadas em diversas disposições do Código Penal da Tunísia.
A Human Rights Watch também manifestou preocupação com o uso de investigações financeiras e de lavagem de dinheiro contra atores da sociedade civil na Tunísia. Para as famílias Naouar e Henchiri, o impacto das detenções é sentido diariamente, com visitas à prisão, telefonemas ansiosos e crianças perguntando quando seus pais retornarão. Yassar ainda pergunta pelo pai e disse ao avô que está pronto para fazer greve de fome também. A pequena Sumud, de quatro anos, quando questionada sobre onde está seu pai, responde: "Palestina. Prisão".
O que isso significa para a região
Este caso, embora ocorra na Tunísia, levanta questões importantes sobre o equilíbrio entre a segurança nacional, a liberdade de expressão e o direito ao protesto pacífico. A detenção prolongada de ativistas sem condenação, a deterioração de sua saúde em greve de fome e as acusações contra manifestantes, incluindo menores, podem gerar tensões sociais e questionamentos sobre a independência do sistema judiciário. Para a região do Norte Pioneiro do Paraná, que valoriza a estabilidade e o respeito aos direitos, a situação serve como um lembrete da importância de sistemas legais transparentes e justos, que garantam o devido processo e protejam os direitos humanos, mesmo em contextos de investigações sensíveis.
Leitura da LZ7 Energia
A situação dos ativistas tunisianos, que envolve questões de financiamento e gestão de recursos em campanhas de ajuda humanitária, embora não diretamente ligada ao setor de energia solar, ressalta a importância da transparência e da governança em qualquer iniciativa que envolva captação de recursos. No contexto da LZ7 Energia, a confiança e a clareza nas operações são fundamentais, seja na relação com clientes, parceiros ou na comunidade em geral. A eficiência e a ética na gestão de projetos, como os de energia solar, são cruciais para o desenvolvimento sustentável e para a credibilidade das empresas e instituições. Casos como este, que geram dúvidas sobre a destinação de fundos, podem impactar a percepção pública sobre a integridade de outras causas e setores, incluindo aqueles que buscam promover soluções energéticas limpas e sustentáveis.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
