O banco de desenvolvimento holandês FMO estruturou o financiamento integral de longo prazo para a implantação do projeto de energia solar Kong, que contará com 50 megawatts (MW) de potência instalada no norte da Costa do Marfim. O pacote financeiro soma 55,5 milhões de euros (cerca de 62,3 milhões de dólares) e possui prazo de amortização estipulado em 20 anos, assegurando todo o suporte financeiro necessário para a consolidação da infraestrutura energética na região.

Estrutura financeira e início das obras do complexo

O empreendimento fotovoltaico está situado nas proximidades da cidade de Kong e tem previsão de fornecer eletricidade para aproximadamente 240 mil pessoas assim que os trabalhos de instalação forem finalizados. De acordo com as informações apuradas, a fase de obras civis e montagem da usina já se encontra em andamento, após a realização formal da cerimônia de lançamento da pedra fundamental, ocorrida em outubro de 2025. O cronograma oficial estabelece que o comissionamento e a consequente entrada em operação comercial aconteçam no decorrer de 2028.

Para garantir a viabilidade comercial do ativo ao longo de décadas, foi firmado um contrato de compra e venda de energia (conhecido no setor elétrico pela sigla PPA) válido por 25 anos. O acordo foi celebrado diretamente com a CI-Energies, companhia estatal responsável pela operação, distribuição e infraestrutura do sistema de energia elétrica marfinense.

Composição acionária da concessionária Kong Solaire

O contrato de crédito internacional foi firmado formalmente entre a instituição holandesa e a sociedade de propósito específico Kong Solaire SAS, constituída exclusivamente para implantar e gerir a usina. A composição societária da empresa reúne grupos privados e veículos de investimento voltados à expansão da geração renovável no continente africano:

  • Africa Via: desenvolvedora marfinense com foco exclusivo em projetos de energia renovável, detém o controle com 51% de participação na Kong Solaire SAS.
  • InfraCo: companhia voltada ao desenvolvimento e investimento em infraestrutura, proprietária dos 49% restantes das ações da concessionária.
  • Grupo Axian: conglomerado pan-africano que controla 55% do capital da desenvolvedora Africa Via em parceria com os fundadores da empresa local, garantindo uma participação acionária indireta de cerca de 28% no consórcio da usina Kong.

Presença institucional e avaliação do investimento

A assinatura dos termos de financiamento coincide com um movimento de expansão estratégica do próprio FMO, que oficializou a abertura de um escritório físico em território marfinense. O projeto de 50 MW marca a segunda grande operação do banco voltada à fonte solar fotovoltaica no país da África Ocidental.

“[Isso] reflete nossa confiança no país e o potencial significativo que vemos para o aumento do investimento privado”, afirmou Marnix Monsfort, diretor de Energia do FMO.

A declaração do executivo reforça o posicionamento de agências de fomento europeias em alavancar modelos de financiamento combinados com o capital corporativo privado em economias que buscam diversificar sua matriz elétrica primária.

Panorama dos empreendimentos em grande escala no país

A implementação da usina de Kong dá continuidade a uma sequência recente de entregas de parques solares de grande porte (modelo de serviço público ou utility-scale) na Costa do Marfim. No início do ano, o governo marfinense inaugurou oficialmente seu segundo parque solar de escala de serviço público: a usina solar Ferké, com 52 MW de capacidade instalada, localizada na região de Tchologo, também situada na porção norte do território nacional.

Antes da usina Ferké, o primeiro grande complexo fotovoltaico a entrar no grid nacional foi o projeto solar Boundiali, que iniciou o fornecimento comercial à rede elétrica em abril de 2024. A carteira em desenvolvimento no país inclui outras unidades de porte equivalente para os próximos anos, destacando-se as seguintes instalações:

  • Complexo solar M’Bengue: unidade projetada para atingir 52 MW de capacidade instalada.
  • Usina solar Bondoukou: parque fotovoltaico planejado com potência total de 50 MW.

Metas governamentais e dados do setor solar africano

O avanço das usinas no norte marfinense faz parte da política nacional que visa elevar a fatia de fontes renováveis para 46,3% da matriz energética total até o ano de 2035. Dentro dessa meta global estabelecida pelo planejamento energético do país, o governo estipulou o objetivo específico de ultrapassar a marca de 1,3 gigawatts (GW) apenas em capacidade de geração fotovoltaica acumulada até 2035.

Levantamentos mantidos pela Associação da Indústria Solar Africana (AFSIA, na sigla em inglês) indicam que a Costa do Marfim contabiliza atualmente 723,4 MW de energia solar já em operação em sua base de dados cadastrados. A AFSIA aponta que a ampla maioria desse volume operacional é categorizada como projetos comerciais e industriais de geração distribuída e autoprodução não detalhados individualmente. Além do parque já conectado, o banco de dados da entidade registra outros 144,1 MW de capacidade solar atualmente com obras ativas de construção em diferentes pontos do país.

Leitura da LZ7 Energia

A expansão de usinas solares de grande porte amparadas por contratos de longo prazo (PPA) de 25 anos e financiamento internacional de desenvolvimento, como ocorre na Costa do Marfim, demonstra a consolidação da fonte fotovoltaica como principal resposta global para segurança energética e modicidade tarifária. No Brasil, e em especial para os setores produtivo e residencial do Paraná, essa maturidade global do setor solar reforça a atratividade do investimento em geração própria, onde o consumidor se protege contra aumentos tarifários sistemáticos do mercado cativo por meio de infraestruturas resilientes e de vida útil superior a duas décadas.

Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.