O que aconteceu
Durante o Lefosse Energy Day 2026, especialistas do setor de energia debateram o futuro do mercado de armazenamento de energia por baterias no Brasil. A principal conclusão foi que o desenvolvimento desse mercado dependerá da implementação de mecanismos que permitam a combinação de diferentes fontes de receita para os sistemas de baterias.
Os atuais Leilões de Reserva de Capacidade (LRCap) para baterias, embora importantes, remuneram primariamente a disponibilidade de potência dos sistemas. Contudo, eles não contemplam outros serviços que essa tecnologia pode oferecer tanto à rede elétrica quanto aos consumidores.
O que muda
A discussão aponta para a necessidade de uma evolução regulatória e de mercado que reconheça o valor multifacetado das baterias. Rafael Gabriel, gestor de usinas solares da WEG, destacou que uma única bateria pode realizar diversas funções, como deslocar o consumo de energia entre horários, prestar suporte de frequência e fornecer outros serviços essenciais ao sistema elétrico. No entanto, atualmente, não existem mecanismos eficazes para remunerar todos esses atributos no Brasil.
Em mercados mais desenvolvidos, como Austrália, Finlândia e Estados Unidos, a prática de “empilhar” receitas – onde um ativo é remunerado por múltiplos serviços – já é uma realidade para projetos da WEG, por exemplo. No Brasil, essa combinação ainda é limitada.
Quem é afetado
Essa discussão afeta diretamente investidores em projetos de armazenamento de energia, desenvolvedores de tecnologia, empresas de energia solar que buscam integrar baterias, e, a longo prazo, todos os consumidores de energia. Empresas e produtores rurais que consideram o armazenamento para gestão de seu consumo ou para otimizar a geração solar também são impactados.
Miriam Diniz, diretora da Álava Energia, ressaltou que o armazenamento tende a se integrar à estratégia de gestão de portfólio energético de empresas, combinando-se com PPAs (Power Purchase Agreements) e autoprodução. Ela prevê que a iniciativa privada poderá ofertar serviços para distribuidoras e transmissoras, além de possibilitar que a indústria arbitre preços e melhore a qualidade de sua energia. O modelo de “BESS as a Service” (Baterias como Serviço) também foi mencionado como uma tendência.
Por que isso importa
A plena valorização dos serviços prestados pelas baterias é crucial para destravar investimentos e acelerar a adoção dessa tecnologia no Brasil. Ao remunerar apenas a potência, o mercado perde a oportunidade de incentivar a otimização da rede, a integração de mais energias renováveis e a oferta de maior flexibilidade e segurança energética. A capacidade de “empilhar” receitas tornaria os projetos de baterias mais atrativos economicamente, impulsionando sua implementação e beneficiando todo o sistema elétrico e seus usuários.
Visão LZ7
Na LZ7 Energia, acreditamos que o armazenamento de energia é um pilar fundamental para a transição energética e para a modernização do setor elétrico brasileiro. A energia solar, em particular, se beneficia enormemente da combinação com sistemas de baterias, que permitem maior estabilidade, autonomia e otimização do consumo. A necessidade de múltiplos fluxos de receita para o armazenamento é uma realidade que precisa ser endereçada pelas políticas públicas e regulamentação, garantindo que o valor integral dessa tecnologia seja reconhecido e incentivado. Estamos atentos às discussões e evoluções regulatórias para oferecer as melhores soluções aos nossos clientes.
O que acompanhar agora
É fundamental monitorar os próximos passos dos órgãos reguladores e do governo em relação à criação de novos mecanismos de mercado que permitam a remuneração de todos os serviços que as baterias podem oferecer. Acompanhar a evolução dos próximos Leilões de Reserva de Capacidade e as discussões em fóruns setoriais será essencial para entender como o mercado de armazenamento de energia irá se desenvolver no Brasil.
