Os mercados acionários internacionais registraram movimento de alta na noite de terça-feira e ao longo da madrugada desta quarta-feira, impulsionados pela temporada de balanços corporativos nos Estados Unidos e pelo desempenho favorável do setor de tecnologia na Ásia. Os contratos futuros em Wall Street operaram no campo positivo, repercutindo anúncios de resultados expressivos, incluindo o salto na receita da fabricante espacial SpaceX e conversas institucionais sobre uma possível fusão com a Tesla, montadora de veículos elétricos liderada por Elon Musk.
Desempenho dos índices futuros em Wall Street
Na noite de terça-feira, os índices futuros de Nova York apontavam ganhos consistentes enquanto operadores avaliavam os relatórios de lucros mais recentes. Os contratos ligados ao Dow Jones Industrial Average avançavam 21 pontos (alta inferior a 0,1%, com momentos registrando ganho de 0,19%). Já os futuros do S&P 500 subiam 0,3% (alcançando 0,47% na abertura noturna), enquanto os derivativos atrelados ao Nasdaq-100 apresentavam valorização de 0,8%, aproximando-se de 1% de avanço.
Na sessão regular anterior em Nova York, o Dow Jones havia encerrado o dia com ganhos de quase 530 pontos — correspondendo a uma alta de cerca de 1% —, impulsionado principalmente pelas ações da empresa industrial 3M. Os papéis da companhia subiram mais de 5% após ela elevar sua projeção de lucro para o encerramento do ano fiscal. No fechamento, o S&P 500 avançou 0,3%, enquanto o Nasdaq Composite finalizou o pregão com uma leve desvalorização marginal.

Petróleo recua no mercado internacional
As cotações do barril de petróleo fecharam a sessão anterior com perdas moderadas, o que ofereceu alívio de custos para a indústria e auxiliou o sentimento positivo nos índices acionários globais. O barril de petróleo West Texas Intermediate (WTI) recuou 1,8% no dia. Paralelamente, o contrato futuro do petróleo Brent registrou desvalorização diária de 0,7%.
Analistas destacam que a temporada de divulgação de resultados pode ditar o ritmo de recuperação dos índices até o fim de 2026, mesmo em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, questionamentos sobre investimentos pesados em tecnologia e incertezas políticas.
"No curto prazo, pode haver mais volatilidade devido a preocupações com inteligência artificial, tensões no Oriente Médio e eleições legislativas de meio de mandato, mas acreditamos que a sustentação dos balanços, com posicionamentos mais leves e valuations mais baixos, deve ajudar as ações até o final do ano", afirmou Christian Mueller-Glissmann, chefe de alocação de ativos do Goldman Sachs Research.
Salto da SpaceX e movimentações do pós-mercado
No mercado após o fechamento regular em Nova York (after-hours), a SpaceX registrou forte valorização em suas ações, com altas reportadas entre quase 7% e 8%. A companhia espacial comunicou um salto de 161% em sua receita no terceiro trimestre, alcançando US$ 14,58 bilhões. Somou-se a isso a declaração pública de Elon Musk informando que a SpaceX e a fabricante de automóveis Tesla formaram comitês especiais independentes para discutir formalmente uma fusão entre as duas organizações. Na esteira dessa declaração, os papéis da Tesla avançaram 1%.

Outras companhias de grande porte apresentaram volatilidade após a apresentação de seus balanços trimestrais:
- Intuitive Surgical: As ações do grupo especializado em robótica médica recuaram cerca de 7%, após resultados que frustraram investidores. A empresa reportou lucro de US$ 3 por ação (excluindo itens extraordinários) e faturamento de US$ 3,05 bilhões no trimestre.
- Netflix: A gigante de streaming registrou queda superior a 5% em seus papéis, apesar de a receita vir em linha com as expectativas de Wall Street. As vendas somaram US$ 12,87 bilhões no terceiro trimestre, alta anual de 12%, sustentada pelo aumento na base de assinantes e pelo reajuste de tarifas implementado em março.
- CoreWeave e Seagate Technology: Empresas vinculadas à infraestrutura de computação em nuvem e armazenamento avançaram durante a sessão regular; a Seagate somou 2% e a empresa de nuvem neocloud CoreWeave subiu mais de 1%.
Os investidores mantêm o foco na continuidade do calendário corporativo ao longo de quarta-feira. Estão previstas as divulgações dos números trimestrais da Meta Platforms (controladora de redes sociais, que lançou recentemente seu modelo de inteligência artificial Muse Wonder voltado a assinantes pagantes), além de balanços da Tesla, IBM e da companhia aérea Southwest Airlines.
Reação forte nas bolsas da Ásia
Na Ásia e na região da Ásia-Pacífico, a sessão desta quarta-feira foi marcada por recuperação ampla, com o setor de semicondutores e hardware puxando a alta após a melhora no sentimento em relação a investimentos em tecnologia.
O índice Kospi, da Coreia do Sul, avançou de forma contundente: subiu 1,8% no início das negociações e acelerou para uma alta expressiva de 4,3%, revertendo perdas da sessão anterior. O índice Kosdaq, de empresas com perfil tecnológico, registrou salto superior a 2%. Na bolsa sul-coreana, as ações da fornecedora de infraestrutura de inteligência artificial Elice dispararam 29,92%, recuperando-se do tombo de mais de 30% verificado em sua estreia na terça-feira. Entre as fabricantes de chips de memória, a SK Hynix subiu 6,38% e a Samsung Electronics avançou 5,03%.
"O trimestre da SpaceX e o que isso indica para as empresas de computação em nuvem de nova geração é bastante altista globalmente, e as ações coreanas haviam sofrido uma liquidação excessiva a meu ver", destacou Dan Ives, analista de tecnologia da Yorkville Ives.

No Japão, o índice Nikkei 225 valorizou-se 1,6% (tendo aberto com ganho de 1,4%), enquanto o Topix registrou avanço de 0,93%. Os contratos futuros do Nikkei negociados em Chicago atingiram 65.355 pontos e, em Osaka, 65.210 pontos, acima do fechamento prévio de 64.075,42 pontos. Entre as empresas de semicondutores japonesas, a fabricante de equipamentos de teste Advantest subiu 5,31%, a Tokyo Electron ganhou 3,02% e o conglomerado SoftBank Group valorizou 4,70%.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,9% (com contratos futuros marcando 24.001 pontos frente ao fechamento de 23.867,74). No continente chinês, as ações operaram com estabilidade na abertura. Já na Austrália, o S&P/ASX 200 variou entre estabilidade e leve recuo de 0,1%, após sinalização inicial positiva de 0,27%.
Balança comercial do Japão desacelera exportações
Paralelamente às operações do mercado acionário, o Ministério das Finanças japonês apresentou os dados de comércio exterior relativos a setembro. As exportações do Japão cresceram 16,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar do avanço de dois dígitos, o indicador representou uma desaceleração pelo segundo mês consecutivo após o pico de quatro anos observado em julho, ficando bem abaixo da projeção de analistas consultados pela agência Reuters, que estimavam crescimento de 20,1%.
O volume exportado continuou a receber sustentação de áreas industriais específicas:
- Semicondutores: Embarques registraram expansão de 49,4% em valor financeiro ano contra ano.
- Maquinário para semicondutores: As remessas externas subiram 43,9% no período.
- Maquinário para geração de energia: As exportações do segmento avançaram 22,6% em relação a setembro do ano anterior.
Quanto aos parceiros comerciais do país asiático, as remessas para a China continental — principal destino comercial do Japão — tiveram elevação de 8,6%, enquanto as exportações direcionadas aos Estados Unidos subiram 22,9% no comparativo anual.
Leitura da LZ7 Energia
A oscilação do barril de petróleo nos mercados internacionais — com o WTI caindo 1,8% e o Brent recuando 0,7% — alivia diretamente pressões inflacionárias sobre fretes e combustíveis, variáveis que impactam o custo de insumos industriais no Brasil. Paralelamente, o avanço expressivo de 22,6% nas exportações japonesas de maquinário voltado à geração de energia reflete a aceleração da infraestrutura elétrica necessária para sustentar polos industriais e data centers de tecnologia. Para as empresas e produtores no Norte Pioneiro do Paraná, garantir previsibilidade contra choques tarifários e variações globais de combustíveis segue tornando o investimento em geração própria de energia solar uma blindagem estratégica para custos operacionais.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
