O mercado internacional de commodities agrícolas encerrou a sessão de quarta-feira (21) com movimentos expressivos nas bolsas externas, com destaque para a recuperação do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE). O contrato com vencimento para dezembro registrou valorização de 1,56%, sendo negociado a US$ 3,16 por libra-peso. O resultado reverteu a maior parte do recuo de 1,39% registrado na sessão anterior, impulsionado pela persistente restrição na oferta física armazenada nos terminais credenciados.
Cenário dos estoques e classificação do café arábica
A recuperação das cotações ocorreu após um pregão de forte pressão no início da semana. Na terça-feira, o mercado havia operado em queda após a confirmação de que quase 28 mil sacas de café arábica estavam na fila aguardando classificação na bolsa internacional, representando o maior volume pendente em mais de um mês. Essa expectativa pontual de aumento na disponibilidade foi, contudo, suplantada pelos dados globais de abastecimento.
De acordo com informações compiladas pelo Barchart, os estoques certificados de café arábica monitorados pela ICE recuaram para 234.901 sacas na terça-feira, registrando o nível mais baixo das últimas cinco semanas. O volume segue bastante próximo da mínima de 27 anos anotada em 15 de setembro, quando o montante estocado havia caído para 217.646 sacas, mantendo os compradores em alerta para o risco de escassez da commodity nos canais de entrega imediata.

Cacau engata sequência positiva com retração na África
No setor do cacau, as cotações também fecharam o dia no campo positivo. O contrato futuro para entrega em dezembro avançou 0,72%, encerrando cotado a US$ 5.843 por tonelada. Foi a terceira sessão consecutiva de valorização do produto, motivada principalmente pela redução no fluxo de escoamento vindo da Costa do Marfim, o principal produtor global.
Dados divulgados pelo governo marfinense revelaram que as entregas de cacau feitas pelos produtores aos portos locais somaram 78.212 toneladas entre os dias 1º e 18 de outubro. Esse montante representa uma expressiva contração de 41% em relação às 133.209 toneladas apuradas no mesmo intervalo do ano anterior, intensificando as preocupações com o aperto de safra no continente africano.
Processamento global de cacau apresenta divergências
Pelo lado do consumo industrial, os números do terceiro trimestre apresentaram um comportamento bastante contrastante entre as diferentes regiões consumidoras:
- América do Norte: Segundo relatório da Associação Nacional de Confeiteiros, a moagem de cacau registrou queda de 2,5% em comparação com o mesmo trimestre de 2025, totalizando 109.978 toneladas.
- Ásia: A Associação de Cacau da Ásia indicou uma expansão recorde de 29% na moagem em termos anuais, atingindo 233.767 toneladas e superando as projeções de analistas, que esperavam crescimento de 15%.
- Europa: De acordo com a Associação Europeia de Cacau, a moagem no continente teve alta de 3,2% no terceiro trimestre, chegando a 348.215 toneladas, revertendo expectativas preliminares que projetavam recuo de 3,9%.

Açúcar sofre quarta desvalorização consecutiva
Na contramão das bebidas, o açúcar encerrou o dia em território negativo. O contrato futuro com entrega prevista para março recuou 0,34% na Bolsa de Nova York, cotado a 20,45 centavos de dólar por libra-peso. Trata-se do quarto pregão consecutivo de queda nos valores da commodity, decorrente da realização de lucros e de liquidações de posições compradas após a máxima histórica atingida pelo contrato na semana anterior.
O relatório semanal Compromisso dos Analistas apontou forte atuação institucional no setor. Os fundos de investimento adicionaram 16.184 contratos às suas apostas compradas na ICE durante a semana concluída em 13 de outubro, elevando a posição líquida compradora a 228.743 contratos — o patamar mais elevado registrado em mais de cinco anos.
Além da pressão técnica dos fundos, o mercado de adoçantes reagiu às novidades regulatórias no comércio asiático. O governo da Índia determinou que as distribuidoras estatais de combustíveis suspendam a aquisição de etanol de cana-de-açúcar a partir de 1º de novembro. A imposição tende a redirecionar volumes maiores de cana para a fabricação direta de açúcar, aumentando a perspectiva de oferta global para os próximos meses.
Oscilações no suco de laranja e no algodão
O pregão nova-iorquino também registrou movimentações relevantes para outras matérias-primas agrícolas acompanhadas pelos índices setoriais.
O contrato futuro do suco de laranja para entrega em janeiro enfrentou uma expressiva retração de 2,42%, fechando o dia cotado a US$ 1,45 por libra-peso na Bolsa de Nova York.

Mercado físico e financeiro do algodão
Em sentido oposto, o algodão fechou em alta de 1,17% no contrato com liquidação para dezembro, alcançando a marca de 81,83 centavos de dólar por libra-peso. Os fundamentos de sustentação envolveram tanto o mercado à vista quanto as métricas de acompanhamento de preços internacionais:
- Negociação de 2.550 fardos no mercado Seam na terça-feira (20), com preço médio apurado em 76,22 centavos de dólar por libra-peso.
- Avanço de 20 pontos no índice Cotlook A, que subiu para o patamar de 91,15.
- Incremento de 2.000 fardos nos estoques certificados pela ICE em 20 de outubro, alcançando um saldo total de 18.618 fardos.
- Subida de 80 pontos no preço mundial ajustado na última semana, posicionando-se em 64,61 centavos de dólar por libra-peso.
Leitura da LZ7 Energia
A oscilação nas cotações de commodities essenciais como o café e o açúcar afeta diretamente o planejamento orçamentário do produtor e das indústrias de processamento. Em períodos de volatilidade internacional, a busca por previsibilidade operacional torna-se prioritária. Investimentos em eficiência energética, incluindo a geração solar fotovoltaica para secadores de grãos, sistemas de irrigação e estruturas fabris de processamento, ajudam as propriedades rurais a blindar parte significativa dos seus custos fixos contra as oscilações de insumos e do mercado externo.
Fonte: CNN Brasil — Nacional — matéria original publicada em cnnbrasil.com.br. Imagens e vídeos: CNN Brasil — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
