A descoberta de um equipamento eletrônico de gravação instalado dentro de um banheiro feminino gerou apreensão na comunidade escolar do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, localizado na cidade de Cambé, no Norte do Paraná. O dispositivo foi identificado diretamente por alunas da instituição, que desconfiaram de um objeto afixado em uma das paredes do sanitário e confirmaram que se tratava de uma câmera em funcionamento. O episódio culminou no acionamento das autoridades policiais pelas próprias estudantes para a apuração da responsabilidade sobre a instalação.

A identificação do dispositivo gravador

O caso veio à tona na segunda-feira (19), momento em que os estudantes da unidade escolar perceberam a presença atípica de um componente fixado na estrutura do sanitário. Conforme os relatos iniciais obtidos a respeito da ocorrência, uma das alunas notou que o objeto emitia um ponto de iluminação específico e resolveu se aproximar para verificar com maior atenção do que se tratava.

Ao inspecionar a peça instalada na parede, a jovem notou que havia uma luz vermelha constante visível através da cobertura. Ao verificar a parte posterior da proteção plástica que encobria a estrutura, constatou-se a presença de um mecanismo funcional de captação e gravação de imagens, montado de forma velada para monitorar o ambiente interno reservado.

Câmera escondida é achada em banheiro de colégio em Cambé
Foto: G1 Paraná — Norte e Noroeste

O relato da família e a troca de roupas no espaço

A revelação da existência da câmera clandestina trouxe grande preocupação aos responsáveis pelos discentes matriculados na unidade cívico-militar de Cambé. Marli da Silva Vinha, mãe de uma das estudantes que frequentam o colégio, relatou que sua filha esteve no banheiro específico semanas antes da localização do aparelho, utilizando as dependências para se trocar por ocasião de uma atividade escolar.

De acordo com o depoimento prestado pela mãe, a adolescente precisou retirar suas roupas no local há aproximadamente duas semanas, quando participou de uma apresentação em um desfile promovido no contexto das atividades do colégio. A constatação de que o ambiente vinha sendo gravado gerou forte inquietação quanto à privacidade e ao destino do material obtido indevidamente pelo equipamento instalado no cômodo.

Mãe de estudante de colégio cívico-militar diz que filha se trocou em banheiro onde câmera foi encontrada: 'Onde foram parar essas imagens?'

Formalização do boletim de ocorrência

Diante do flagrante da instalação do mecanismo eletrônico no banheiro, as estudantes buscaram os meios legais para formalizar a denúncia. As alunas registraram um boletim de ocorrência junto aos órgãos de segurança pública para que as circunstâncias da presença da câmera no local sejam investigadas oficialmente.

No documento elaborado perante as autoridades policiais, as denunciantes registraram que já tinham observado o objeto posicionado na parede há um determinado intervalo de tempo antes da constatação efetiva de que se tratava de uma câmera de vídeo. A confirmação de que o aparato de plástico continha em seu interior uma lente ativa gravando cenas privadas motivou o encaminhamento do equipamento para averiguação pericial das forças de segurança.

Preocupação sobre a destinação do conteúdo gravado

O ponto central do temor externado pelas famílias de Cambé reside na extensão da invasão de privacidade e no possível armazenamento ou difusão dos arquivos captados no interior do sanitário escolar. Como o espaço era rotineiramente utilizado para higiene e troca de vestimentas das alunas do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, a presença de uma câmera ativa coloca em xeque a salvaguarda dos menores de idade no ambiente pedagógico.

A aflição dos familiares gira em torno da apuração de quem operava o equipamento clandestino, desde quando o dispositivo encontrava-se ativo coletando imagens de forma ilegal e quais pessoas tiveram acesso aos registros eventualmente armazenados pela memória da máquina ou transmitidos a partir dela.

Desdobramentos e apuração policial

A partir do registro do boletim de ocorrência pelas próprias estudantes, cabe às autoridades policiais competentes realizar as diligências para recolher os materiais, periciar o mecanismo apreendido e identificar o autor da instalação da estrutura no interior do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo. Os laudos técnicos sobre o aparelho devem esclarecer a capacidade de armazenamento, a eventual existência de conexão sem fio para transmissão externa e o volume de imagens registradas desde o momento de sua colocação no banheiro feminino.

Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.