A comunidade escolar do município de Cambé, situado na região Norte do Paraná, registrou momentos de tensão e indignação nesta terça-feira, 20. Alunos do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo organizaram uma manifestação em frente ao prédio da instituição de ensino para exigir esclarecimentos imediatos da direção escolar. O protesto ocorreu logo após a confirmação de que um equipamento de captação de imagens em funcionamento havia sido instalado de forma oculta no interior de um dos banheiros femininos da unidade.
Manifestação de estudantes na entrada do colégio em Cambé
A mobilização estudantil teve início nas primeiras horas da manhã de terça-feira, reunindo dezenas de jovens no portão principal do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo. Com cartazes e palavras de ordem, os participantes concentraram suas cobranças na administração da escola, reivindicando respostas transparentes sobre a origem do equipamento, a identidade dos responsáveis pela instalação clandestina e as providências tomadas para resguardar a integridade dos alunos matriculados.
O clima de insatisfação tomou conta dos corredores e do entorno da escola logo no início do turno letivo. Alunos e colegas de diferentes turmas se uniram ao ato para demonstrar solidariedade às estudantes afetadas e para enfatizar a quebra de confiança gerada pela presença de um equipamento de gravação dentro de um espaço destinado estritamente à intimidade e à privacidade dos frequentadores.
A identificação do dispositivo no sanitário feminino
O episódio que motivou a manifestação ocorreu no dia anterior, segunda-feira, 19. Durante o intervalo das aulas, uma das alunas do colégio entrou no banheiro feminino e notou uma anomalia em uma das paredes do cômodo. Tratava-se de uma peça plástica que apresentava um pequeno ponto luminoso intermitente, emitindo uma luz vermelha constante que chamou a atenção da estudante.
Ao se aproximar para verificar com mais cuidado a estrutura afixada na parede, a jovem percebeu que a carcaça continha uma abertura e ocultava componentes eletrônicos. Por trás do invólucro de acabamento plástico, encontrava-se uma microcâmera perfeitamente direcionada e em pleno processo de captura e gravação de imagens no interior do sanitário.

Registros do sistema de monitoramento da instituição
A constatação de que o equipamento não era apenas um artefato inoperante, mas sim um dispositivo ativo, causou alarme imediato entre o corpo discente. Pouco tempo depois da descoberta inicial, outro estudante do colégio teve acesso ao sistema de monitoramento da instituição e conseguiu registrar fotografias da central de visualização de segurança da escola.
As imagens obtidas pelo aluno comprovaram como os vídeos eram transmitidos e recebidos a partir dos aparelhos de vigilância instalados nas dependências escolares. Os registros fotográficos reforçaram as suspeitas dos alunos e serviram de estopim para a decisão coletiva de paralisar as atividades normais na manhã seguinte, levando o caso a público na calçada e na entrada do edifício escolar em Cambé.
Cobrança por respostas e transparência da direção
A principal reivindicação dos alunos durante o ato de terça-feira foi a responsabilização dos envolvidos e a elucidação imediata dos fatos pela equipe gestora do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo. Os jovens questionaram como um dispositivo de gravação pôde ser afixado em uma parede de área reservada sem que houvesse detecção prévia pela rotina de inspeção do colégio.
Os estudantes exigem que a administração escolar torne públicas todas as medidas administrativas e operacionais adotadas a partir do momento em que a denúncia foi formalizada internamente. Para os manifestantes, a direção do colégio precisa apresentar prazos concretos, averiguar o circuito de imagens captadas e esclarecer se outros compartimentos ou instalações sanitárias da unidade também foram alvo de vigilância indevida.
Privacidade e os limites do monitoramento em escolas
O caso ocorrido em Cambé trouxe à tona o debate sobre os limites legais e éticos da segurança e da vigilância eletrônica no ambiente educacional paranaense. Embora o monitoramento por câmeras seja um recurso rotineiramente adotado para preservar o patrimônio público e acompanhar a movimentação em áreas comuns, como corredores, pátios externos e entradas de instituições de ensino, a legislação brasileira veda expressamente a gravação de imagens em espaços reservados à intimidade pessoal.
A captação e o registro audiovisual em sanitários e vestiários configuram violação direta de direitos individuais e da dignidade, agravando-se pelo fato de envolver crianças e adolescentes em ambiente de aprendizado. O avanço da apuração no Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo segue sob acompanhamento atento dos próprios estudantes e das famílias que frequentam a unidade escolar no Norte do Paraná.
Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
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