A instituição financeira norte-americana Capital One Financial apresentou números acima das estimativas de analistas para o terceiro trimestre fiscal, encerrado em 30 de setembro. Os resultados foram alavancados pela expansão da receita líquida de juros e pelo comportamento defensivo das linhas de crédito. A receita total do grupo financeiro atingiu US$ 16,34 bilhões (aproximadamente 16,34 bilhões de dólares), representando uma alta de 6,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior e superando a marca de US$ 16,27 bilhões prevista pelo consenso da consultoria LSEG. O lucro ajustado por ação (EPS) alcançou US$ 6,69, avanço anual de 12%, situando-se significativamente acima da projeção do mercado, fixada em US$ 5,50.
A reação dos investidores foi imediata nas negociações eletrônicas posteriores ao fechamento regular do pregão em Nova York: as ações ordinárias da empresa subiram cerca de 4%, negociadas ao redor de US$ 210 cada. Até o encerramento da sessão ordinária daquela terça-feira, os papéis acumulavam uma desvalorização de quase 17% desde o início do ano.
Lucro e receita superam previsões no terceiro trimestre
O desempenho superior da receita operacional foi puxado principalmente pela receita líquida de juros (NII), que avançou perto de 4% em relação ao trimestre imediatamente anterior e bateu o consenso compilado pela FactSet em US$ 134 milhões. Por outro lado, a receita não decorrente de juros recuou 1% na base sequencial, ficando US$ 30 milhões abaixo das expectativas do mercado financeiro.
Apesar dessa leve retração nas tarifas avulsas, o faturamento líquido com descontos e taxas de intercâmbio de cartões registrou alta de 3,5% frente ao trimestre anterior, alcançando US$ 2,34 bilhões. Essa frente de receita ganha relevância estratégica porque a instituição agora controla diretamente a rede de pagamentos Discover. Esse controle permite reter fatias econômicas maiores em cada liquidação de compra, reduzindo a dependência histórica em relação a arranjos de pagamento de terceiros e servindo como termômetro da transição operacional em andamento.

Despesas operacionais e custos com marketing
O crescimento da receita foi parcialmente atenuado pela elevação nas despesas não relacionadas a juros, que totalizaram US$ 8,86 bilhões, montante ligeiramente superior ao teto de US$ 8,75 bilhões projetado pelos analistas da FactSet. O aumento desses desembolsos pesou sobre as margens, justificando cautela por parte de fundos de investimento que realizaram vendas pontuais de papéis horas antes da divulgação.
No entanto, o balanço operacional ganha contornos mais favoráveis quando se isolam US$ 385 milhões destinados exclusivamente aos custos de integração das operações da Discover e da plataforma Brex, somados a US$ 519 milhões vinculados a amortizações de aquisições anteriores. Já as despesas comerciais e de marketing ficaram em US$ 1,59 bilhão, situando-se abaixo da previsão de US$ 1,71 bilhão estimada pelo consenso.
A gestão informou que oscilações nessa rubrica são rotineiras, pois os investimentos em mídia são calibrados de acordo com a conjuntura econômica geral. Para 2027, contudo, a administração comunicou a intenção de acelerar expressivamente os investimentos publicitários para promover a bandeira Discover e expandir contas correntes e cartões de crédito no segmento doméstico.
"Nossos maiores concorrentes continuam investindo pesadamente em marketing, e precisamos estar no topo do nosso jogo", afirmou o diretor executivo da Capital One, Richard Fairbank, durante a apresentação aos analistas de mercado.

Comportamento do crédito e redução nas provisões
A solidez dos indicadores de crédito figurou como um dos pilares centrais para a surpresa positiva no lucro final. As provisões para perdas de crédito somaram US$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre, patamar substancialmente inferior à faixa de US$ 3,6 bilhões aguardada por Wall Street. Em paralelo, as baixas contábeis líquidas (net charge-offs), que mensuram as dívidas consideradas incobráveis descontadas as recuperações, ficaram em US$ 3,12 bilhões.
O diferencial positivo permitiu uma liberação contábil de reservas para perdas (allowance release) de cerca de US$ 225 milhões, impactando positivamente o lucro líquido da companhia. Essa movimentação reflete a redução do risco percebido na carteira de cartões emitida nos Estados Unidos.
- Cartões domésticos: a taxa de perdas líquidas recuou para 3,98% no terceiro trimestre, contra 4,71% no segundo trimestre e 4,63% em igual etapa do ano passado.
- Crédito ao consumidor (Consumer Banking): o índice de perdas líquidas subiu para 1,63%, frente a 1,48% no trimestre imediatamente anterior e 1,58% um ano antes, demandando a constituição de US$ 41 milhões em novas provisões em virtude da expansão nos financiamentos automotivos.
- Crédito corporativo (Commercial Banking): a taxa de perdas líquidas ficou zerada (0,00%) no intervalo, ante 0,53% no trimestre anterior e 0,21% no mesmo período do ano anterior.

Integração da Discover e projeções de sinergia até 2027
A fusão com a Discover, avaliada em US$ 35 bilhões (trinta e cinco bilhões de dólares) quando foi anunciada em fevereiro de 2024, segue cumprindo o cronograma estabelecido pelas diretorias. De acordo com Fairbank, os números acumulados no ano já refletem aproximadamente US$ 1,8 bilhão em sinergias combinadas anualizadas, considerando ganhos de rede e corte de despesas.
A meta corporativa estabelecida para o fechamento de 2027 é atingir US$ 2,7 bilhões em sinergias anuais. As economias vinculadas à rede foram as primeiras a se materializar, fruto da migração de volumes de cartões de débito antes processados pela Mastercard para a infraestrutura própria da Discover. A captura de sinergias em custos operacionais e administrativos deverá se tornar mais expressiva a partir de 2027.
Um elemento de incerteza citado pelo executivo diz respeito ao acordo judicial antitruste envolvendo comerciantes e as bandeiras Visa e Mastercard sobre as tarifas de intercâmbio (swipe fees). Caso obtenha validação jurídica definitiva, a Capital One prevê uma eventual perda de receitas tarifárias que poderá neutralizar parcela das sinergias remanescentes estimadas para a operação com a Discover.

Recompra de ações e disputa no segmento de alta renda
No front de alocação de capital, a Capital One realizou a recompra de 12,6 milhões de ações próprias no terceiro trimestre, totalizando US$ 2,6 bilhões aplicados, patamar ligeiramente inferior aos US$ 2,7 bilhões recomprados no segundo trimestre. No acumulado dos primeiros nove meses do exercício fiscal, o volume recomprado chegou a US$ 7,9 bilhões, mantendo o ritmo planejado próximo de US$ 10 bilhões ao ano.
A companhia mantém foco estratégico na disputa por consumidores de alta renda, competindo diretamente com a American Express por meio do cartão premium Venture X, que oferece programas de recompensas para viagens e acesso a salas VIP exclusivas em aeroportos. Analistas do Investing Club de Jim Cramer, ligado à emissora CNBC, reiteraram a recomendação equivalente a manutenção (grau 2) para o ativo, com preço-alvo fixado em US$ 255 por ação, destacando que o papel é cotado a menos de 9 vezes o lucro projetado para 2027.
O veículo de análise informou ainda que a carteira beneficente gerida por Cramer detém posição comprada nos papéis da instituição, estando sujeita a regras de governança interna que determinam intervalo obrigatório de 45 minutos após a emissão de alertas a membros ou de 72 horas em casos de menções públicas na televisão antes de executar negociações.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
