A Justiça do Paraná proferiu a condenação de três homens envolvidos em uma tentativa de assalto a um caminhão que culminou na trágica morte de seis pessoas na BR-116, em Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. Douglas Radoski Fernandes de Lima, Juliano dos Santos da Silva e Leonardo de Haro do Nascimento foram considerados culpados pelos crimes de latrocínio (roubo que resulta em morte), tanto na forma consumada quanto tentada, associação criminosa e roubo majorado.
Detalhes do Crime e Condenações
O crime ocorreu na madrugada de 5 de janeiro. Os criminosos utilizaram um caminhão roubado para bloquear a passagem de uma carreta, renderam o motorista e tentaram realizar um retorno. Contudo, o sistema de bloqueio remoto da carreta foi ativado, fazendo com que o veículo parasse ao sair da rota predefinida. Segundo a investigação policial, os assaltantes, então, soltaram o freio para que a carreta tombasse no acostamento, visando roubar a carga. A carreta, desgovernada e sem iluminação, desceu de ré e colidiu com uma van que transportava um grupo de fiéis de Campo Largo, que retornavam de um culto em São Paulo.
O acidente resultou na morte de seis pessoas e deixou outras 15 feridas. As vítimas fatais foram identificadas como:
- Andreia Fagundes (48 anos)
- Ivanir Maziero (66 anos, motorista da van)
- Airton de Mattos (92 anos)
- Idezio Simão da Silva (62 anos)
- Cleide Salvador Machado da Silva (61 anos)
- Adriana da Silva Machado (42 anos)
As investigações apontaram que Leonardo de Haro do Nascimento exercia um papel de liderança no grupo criminoso. Ele foi identificado por reconhecimento facial como a pessoa que assumiu a direção do caminhão durante a ação, enquanto usava máscara. Sua condenação foi fixada em 83 anos, 2 meses e 17 dias de prisão.
Juliano dos Santos da Silva, conforme a sentença, teve participação ativa no crime ao lado de Leonardo, mantendo o motorista do caminhão sob grave ameaça durante a execução do roubo. Ele foi condenado a 68 anos, 3 meses e 5 dias de prisão.
Douglas Radoski Fernandes de Lima foi o responsável por alugar o carro utilizado pela quadrilha no crime. Ele foi preso no momento em que devolvia o veículo e recebeu uma pena de 79 anos, 10 meses e 22 dias de prisão. Somadas, as penas dos três condenados ultrapassam 230 anos.
Os três homens foram detidos menos de 48 horas após o ocorrido. Embora caiba recurso da condenação, a sentença determinou que eles devem permanecer presos durante o processo recursal.
Posicionamento das Defesas
A defesa de Juliano dos Santos da Silva optou por não se manifestar sobre a condenação. A defesa de Leonardo de Haro do Nascimento não respondeu aos questionamentos até a última atualização da reportagem.
A advogada Debora Schindler, que representa Douglas Radoski Fernandes de Lima, declarou que aguarda o acesso à íntegra da sentença, mas já classificou a pena imposta como “excessiva e desproporcional”. Ela afirmou que pretende recorrer da decisão, apresentando o seguinte posicionamento:
Mesmo sem o conhecimento detalhado de todos os fundamentos da decisão, a defesa antecipa que será interposto, dentro do prazo recursal, o recurso de apelação cabível. A medida é indispensável, uma vez que a pena fixada em primeira instância se revelou manifestamente excessiva e desproporcional. Ressalta-se que o acusado é réu confesso, da participação somente no FATO 1. O ordenamento jurídico penal brasileiro prevê de forma expressa que, em casos de concurso de pessoas, a responsabilização deve ocorrer na estrita medida da culpabilidade de cada indivíduo. Portanto, o réu não pode ser condenado por crimes dos quais não participou ou sobre os quais não possuía qualquer domínio do resultado. A defesa técnica confia na revisão da decisão pelo Tribunal, buscando garantir que a aplicação da lei seja justa, individualizada e restrita aos atos efetivamente praticados pelo acusado, e nos colocamos à disposição para maiores esclarecimentos.
Impacto na Região
O caso, que chocou a população do Paraná, especialmente pela brutalidade e pelas mortes de fiéis que retornavam de um culto, reforça a necessidade de vigilância e segurança nas rodovias. A rápida ação das autoridades na prisão dos envolvidos e a posterior condenação demonstram o compromisso da Justiça em responder a crimes de grande repercussão, buscando responsabilizar os culpados e oferecer uma resposta à sociedade e às famílias das vítimas.
Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
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