Em um movimento estratégico para reverter a crescente dependência de importações e fortalecer sua soberania energética, o Ministério do Clima, Energia e Meio Ambiente (MCEE) da Coreia do Sul anunciou, em 10 de setembro, a criação de um novo comitê de competitividade da indústria solar. A iniciativa visa reconstruir a cadeia de suprimentos doméstica de energia solar e garantir uma posição de destaque no desenvolvimento de tecnologias de células de próxima geração.
A formação do comitê é uma resposta direta à significativa penetração de fabricantes chineses no mercado solar sul-coreano. Dados da Korea Energy Agency revelam que, em 2025, módulos fabricados na China representaram 69,3% da capacidade instalada no país, um aumento drástico em comparação com 2019, quando os módulos domésticos detinham 78,4% do mercado. As mesmas estatísticas indicam que aproximadamente 95% das células e 60% dos módulos vendidos internamente são de origem chinesa.
Um Esforço Conjunto para a Inovação
O MCEE destacou que o comitê recém-formado é uma colaboração abrangente, reunindo representantes do governo, instituições públicas, indústria, academia, órgãos de pesquisa e grupos da sociedade civil. Essa composição diversificada busca assegurar uma abordagem holística para os desafios enfrentados pelo setor solar sul-coreano.
Em um comunicado à imprensa, o ministério detalhou as principais atribuições do comitê. Entre elas, estão a coleta de feedback das empresas sobre as dificuldades encontradas nos esforços de localização doméstica, o desenvolvimento de modelos de cooperação ao longo de toda a cadeia de valor interna e o planejamento de locais de demonstração em larga escala para tecnologias de próxima geração. Estas incluem células tandem e inversores, componentes cruciais para o avanço da eficiência e desempenho dos sistemas solares.
Metas Ambiciosas para a Energia Renovável
A criação do comitê está alinhada com o Primeiro Plano Básico de Energia Renovável da Coreia do Sul, publicado em maio. Este plano estabelece a ambiciosa meta de atingir 100 GW de capacidade renovável até 2030, um salto significativo em relação aos cerca de 37,1 GW registrados no momento do anúncio do plano. O objetivo central é restaurar o ecossistema da indústria solar doméstica.
Para alcançar essa meta, o plano prevê a adição de aproximadamente 56,2 GW de nova capacidade solar. Essa expansão será dividida em duas categorias principais:
- 12 GW de complexos de grande porte conectados à rede.
- 44,2 GW provenientes de locais designados, que incluem:
- Telhados industriais.
- Instalações agrivoltaicas (que combinam agricultura e geração solar).
- Instalações flutuantes.
- Corredores de transporte.
- Edifícios públicos.
Incentivos e Investimentos Estratégicos
Anúncios governamentais e da indústria separados indicam que a Coreia do Sul tem se movimentado para introduzir um crédito fiscal de produção doméstica, atrelado aos volumes de produção. O MCEE afirmou que o comitê também auxiliará na formulação de medidas de apoio mais amplas para a indústria, complementando esse esforço.
Outra iniciativa relevante é a criação, no final de agosto, da Kepco Technology Holdings, uma subsidiária da Korea Electric Power Corp. (Kepco), a concessionária estatal de energia da Coreia do Sul. A nova empresa foi capitalizada inicialmente com 20 bilhões de wons sul-coreanos (equivalente a US$ 14,9 milhões) e tem planos de crescer em até 100 bilhões de wons ao longo de cinco anos. Seu objetivo é comercializar patentes do setor público e formar parcerias com sete fabricantes domésticos de inversores.
Foco em Tecnologias de Próxima Geração
A aposta em tecnologias avançadas é um pilar fundamental da estratégia sul-coreana. De acordo com os sete projetos SEED (Future Growth) da Coreia do Sul, anunciados separadamente em agosto, o governo estabeleceu uma meta ambiciosa de eficiência de 35% ou mais para células tandem de perovskita-silício, com comercialização prevista até 2028.
Este cronograma é notavelmente arrojado em comparação com os benchmarks da indústria. O Roteiro Tecnológico Internacional para Fotovoltaica (ITRPV), uma previsão anual de consenso da indústria para tecnologia de fabricação solar, projeta eficiências de células tandem de produção em massa de cerca de 28,8% até 2028, subindo para 32,3% até 2036, à medida que a tecnologia tandem baseada em silício entra gradualmente em produção em volume ao longo da próxima década.
Lee Ho-hyun, segundo vice-ministro do MCEE, declarou que a indústria solar está em um ponto de virada crítico, à medida que transita da tecnologia convencional de silício para alternativas de próxima geração. Ele afirmou que o trabalho do comitê construirá um ecossistema industrial robusto por meio da cooperação entre indústria, academia e pesquisa, e ajudará as empresas sul-coreanas a liderar os mercados globais por meio do crescimento das exportações.
O novo comitê se baseia em um esforço anterior: em novembro de 2025, o Ministério da Economia e Finanças da Coreia do Sul havia anunciado a alocação de 33,6 bilhões de wons sul-coreanos para pesquisa em tandem de perovskita-silício, visando módulos comerciais com 28% de eficiência até 2030. A meta de 35% de eficiência para 2028, estabelecida pelo novo comitê, supera significativamente o objetivo anterior.
O que isso significa para a região
A iniciativa da Coreia do Sul de fortalecer sua indústria solar e investir pesadamente em tecnologias de ponta, como as células tandem de perovskita-silício, demonstra uma clara tendência global de busca por maior autonomia energética e eficiência na geração solar. Embora seja um movimento em um contexto internacional distante do Norte Pioneiro do Paraná, as lições são pertinentes. A aposta em inovação e na cadeia de suprimentos local pode inspirar discussões sobre como a região pode, a longo prazo, desenvolver suas próprias capacidades e expertise em energia renovável, além da simples instalação de painéis. A busca por maior eficiência e a redução da dependência de importações são objetivos que ressoam em qualquer economia que almeja um futuro energético mais robusto e sustentável.
Leitura da LZ7 Energia
A Coreia do Sul, ao investir na revitalização de sua indústria solar e em tecnologias de ponta como as células tandem de perovskita-silício, ilustra uma tendência global de busca por maior autonomia energética e eficiência. Para o Brasil e, especificamente, para o Norte Pioneiro do Paraná, essa estratégia sul-coreana ressalta a importância de não apenas adotar a energia solar, mas também de considerar o desenvolvimento de uma cadeia de valor local e a pesquisa em inovação. A dependência de componentes importados, como os módulos chineses que dominam o mercado sul-coreano, pode gerar vulnerabilidades. Ao fortalecer a produção e a pesquisa internas, a Coreia do Sul busca garantir não só um suprimento estável, mas também a liderança em tecnologias futuras. Para a LZ7 Energia e seus clientes, o cenário global aponta para a contínua evolução da tecnologia solar, prometendo painéis ainda mais eficientes e duráveis no futuro, o que pode impactar positivamente o custo-benefício e a viabilidade de projetos solares na região, ao mesmo tempo em que a discussão sobre a origem e a qualidade dos equipamentos se torna cada vez mais relevante.
Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
