Um montanhista curitibano de 32 anos sobreviveu após ser atingido diretamente por um raio na cabeça enquanto realizava uma expedição em direção ao vulcão El Corazón, localizado no Equador. O acidente provocou ferimentos severos pelo corpo da vítima, incluindo queimaduras profundas e lesões nos órgãos auditivos. Mesmo diante da gravidade da descarga elétrica atmosférica que recebeu, o esportista sobreviveu, foi transferido de volta ao Brasil e segue em atendimento médico contínuo na capital paranaense.

O acidente durante a trilha no Equador

O caso ocorreu em uma terça-feira, dia 13, momento em que o paranaense avançava em uma caminhada rumo ao topo do vulcão El Corazón acompanhado por um grupo de montanhismo. A região, caracterizada por altitudes elevadas e variações climáticas repentinas, registrou condições propícias a tempestades elétricas.

A descarga atmosférica atingiu a cabeça do montanhista em cheio. A passagem da corrente de altíssima tensão pelo organismo gerou um choque violento, capaz de desestruturar funções corporais básicas e causar traumas térmicos e mecânicos imediatos ao longo de todo o trajeto percorrido pela eletricidade até o solo.

Gravidade dos ferimentos e queimaduras

Após ser atingido pelo raio, o morador de Curitiba apresentou um quadro clínico complexo, demandando socorro especializado imediato. Os danos térmicos causados pela eletricidade se manifestaram em diferentes camadas da pele e tecidos, atingindo várias partes do corpo:

  • Queimaduras de segundo grau: registradas nas regiões do tórax e das pernas, onde o calor gerado pela dissipação da energia elétrica provocou bolhas e lesões profundas na derme;
  • Queimaduras de terceiro grau: diagnosticadas nos pés, região por onde a corrente elétrica encontrou saída para a terra, provocando a destruição total das camadas de tecido celular e da epiderme;
  • Trauma acústico e barotrauma: a expansão súbita e explosiva do ar provocada pelo calor extremo do raio causou uma onda de pressão que resultou na perfuração de ambos os tímpanos do montanhista.
Curitibano sobrevive a raio na cabeça durante trilha no Equador
Foto: G1 Paraná — Norte e Noroeste

Danos materiais e intensidade do impacto

A força da descarga elétrica foi tamanha que provocou a destruição completa do calçado utilizado pelo brasileiro no momento da caminhada. A bota de trilha, confeccionada com materiais resistentes para uso em terrenos rochosos e de montanha, foi despedaçada pelo caminho percorrido pela energia ao descarregar no solo.

O impacto que destruiu a bota evidencia o trajeto da corrente pelo corpo do homem de 32 anos: a carga entrou pela região da cabeça, desceu pelo tronco e membros inferiores e concentrou sua dissipação nos pés, o que explica a maior severidade das queimaduras observadas nas extremidades inferiores.

Quadro de saúde e internação em Curitiba

Apesar do choque de intensidade extrema e dos múltiplos ferimentos resultantes, o montanhista apresentou uma recuperação inicial considerada positiva pela equipe médica. Após receber os primeiros atendimentos ainda em território equatoriano e ser preparado para o retorno ao país de origem, ele foi encaminhado para uma instituição hospitalar de Curitiba.

Segundo as informações médicas e apurações divulgadas, o paciente encontra-se em estado clínico estável, consciente, orientado e apto a se comunicar verbalmente. Ele optou por não ter a identidade divulgada publicamente ao relatar os acontecimentos à equipe de reportagem da RPC, afiliada da Rede Globo no Paraná.

Continuidade do tratamento hospitalar

O paciente permanece internado no hospital em Curitiba para dar sequência ao tratamento das queimaduras de segundo e terceiro graus e ao monitoramento do quadro otológico decorrente da perfuração timpânica. Casos de queimaduras elétricas demandam atenção redobrada quanto ao risco de infecções, controle da cicatrização e avaliação contínua da integridade tecidual e neurológica.

A recuperação das lesões auditivas também exige acompanhamento especializado para verificar a cicatrização da membrana timpânica e avaliar possíveis impactos permanentes na capacidade de audição do paranaense, que segue sob observação e cuidados médicos na capital do estado.

Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.