Em um evento de campanha realizado neste sábado (22 de agosto de 2026) em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que concorre ao governo estadual, fez declarações contundentes sobre a gestão anterior. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Paes afirmou que “o crime organizado sentou no Palácio Guanabara”, sede do governo fluminense, em uma crítica direta à administração do ex-governador Cláudio Castro (PL).

Paes expressou sua preocupação com a situação do estado, declarando que o Rio “chegou no fundo do poço”. Ele enfatizou que não se trata de uma “corrupção normal”, onde “alguém tomando um dinheirinho de uma empreiteira”, mas sim de facções criminosas operando no núcleo do governo estadual.

Acusações e Operações Policiais

O candidato do PSD reiterou uma frase proferida pelo juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa do Rio, durante a Operação Ouroboros em 9 de julho: “O Rio chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura”.

A Operação Ouroboros, conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e pela Polícia Civil, investiga um suposto desvio de R$ 86,3 milhões no Instituto Rio Metrópole (IRM), um órgão vinculado ao governo estadual. A operação resultou na prisão de Maurício Knoploch, então diretor de Planejamento e Projetos do IRM e pai do deputado estadual e candidato à reeleição Alexandre Knoploch (PL), além de outros envolvidos.

Eduardo Paes também mencionou que Cláudio Castro teve secretários presos por alegadas ligações com o crime organizado. Os nomes citados foram:

  • Raphael Montenegro: ex-secretário de Polícia Penal, detido em 2021 sob suspeita de negociar propina com o Comando Vermelho. Os subsecretários Sandro Gimenes e Wellington Nunes da Silva também foram presos pelo mesmo motivo.
  • Allan Turnowski: ex-secretário de Polícia Civil, preso em duas ocasiões por suposta conexão com o jogo do bicho.
  • Alessandro Pitombeira Carracena: ex-secretário de Esporte e Lazer, preso em março de 2026 sob suspeita de vender influência para favorecer o tráfico internacional de drogas.

Além disso, Cláudio Castro é investigado desde maio na Operação Sem Refino, que apura fraudes tributárias em benefício da empresa Refit (Refinaria de Manguinhos).

Citações a Rodrigo Bacellar e Cenário Eleitoral

Paes também abordou a situação de Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O candidato afirmou que Bacellar seria seu adversário nas eleições estaduais caso não estivesse preso e inelegível. Bacellar era cotado para disputar o governo estadual pelo PL, partido de Flávio Bolsonaro (PL), antes de ser alvo da Operação Unha e Carne.

O deputado estadual foi preso pela primeira vez em dezembro de 2025, sob suspeita de vazar informações sigilosas da Operação Zargun – que tinha como alvo o Comando Vermelho – para beneficiar o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção. Em março de 2026, Bacellar teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foi preso novamente após uma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) por obstrução de investigação ligada ao Comando Vermelho. Ele está em uma penitenciária federal de segurança máxima em Brasília desde julho.

Com a saída de Bacellar da disputa, o PL lançou o deputado estadual Douglas Ruas como candidato ao governo do Rio de Janeiro, que atualmente é o principal adversário de Paes nas pesquisas.

Eduardo Paes (PSD) participou de evento de campanha ao lado de Lula, no Rio de Janeiro, neste sábado (22.ago.2026)
Eduardo Paes (PSD) participou de evento de campanha ao lado de Lula, no Rio de Janeiro, neste sábado (22.ago.2026)

Comício com Lula e Aliança Política

A renúncia de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio ocorreu em 20 de março de 2026, com o objetivo de concorrer ao governo estadual. Ele foi sucedido pelo então vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD). O discurso de Paes neste sábado foi proferido em um ato que contou com a presença de Lula, da primeira-dama Janja, dos candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), e de Cavaliere.

Paes reforçou a aliança com o Partido dos Trabalhadores (PT), iniciada em 2008, e enfatizou que a disputa de 2026 é “para vencer a eleição”, e não apenas para “marcar posição”. Ele defendeu que o Rio de Janeiro não pode ser salvo sem o apoio do governo federal. O candidato citou investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como a retomada de obras em favelas e a municipalização de hospitais, como parte do legado da parceria com Lula.

“O crime organizado sentou no Palácio Guanabara”

O que isso significa para a região

As acusações de Eduardo Paes sobre a infiltração do crime organizado no governo do Rio de Janeiro, e as subsequentes investigações e prisões de figuras políticas, revelam um cenário de profunda instabilidade e preocupação com a integridade das instituições públicas. Para os leitores do Norte Pioneiro do Paraná, embora distantes geograficamente, tais notícias ressaltam a importância da vigilância sobre a administração pública e a necessidade de transparência em todos os níveis de governo. A segurança jurídica e a confiança nas instituições são pilares para o desenvolvimento econômico e social de qualquer região, e a fragilidade em um grande centro como o Rio de Janeiro pode gerar repercussões negativas em termos de percepção de risco e atração de investimentos para o país como um todo. A luta contra a corrupção e o crime organizado é um desafio nacional que afeta direta ou indiretamente a vida de todos os brasileiros, independentemente de sua localidade.

Fonte: Poder360 — Nacional — matéria original publicada em poder360.com.br. Imagens e vídeos: Poder360 — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.