O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos anunciou, na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, a suspensão da Microsoft e da Adobe de seu programa de Certificação Permanente de Trabalho, uma etapa crucial para a obtenção de green cards. A decisão, revelada pelo Secretário de Trabalho Keith Sonderling, integra uma série de ações do governo Trump focadas em imigração e contratação de estrangeiros, às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro.
Além das duas gigantes da tecnologia, outras seis empresas foram igualmente suspensas do programa. O Secretário Sonderling afirmou que o Departamento de Trabalho não aceitará nem processará novas solicitações sob o programa para essas companhias, citando múltiplas investigações federais ativas como justificativa para a suspensão da Adobe e da Microsoft.
Suspensão Abrangente e Acusações
A medida do Departamento de Trabalho americano atinge um grupo significativo de empresas do setor de tecnologia e serviços de TI. Além da Microsoft e da Adobe, as seguintes companhias foram suspensas do programa de Certificação Permanente de Trabalho:
- Cognizant
- Infosys
- Capgemini
- Tata
- Wipro
- HCL
O Secretário de Trabalho Keith Sonderling enfatizou o impacto da atuação dessas empresas no mercado de trabalho americano.
Desde 2009, apenas essas empresas solicitaram quase 3 milhões de trabalhadores estrangeiros. Elas receberam mais de 230.000 aprovações de vistos H-1B e mais de 100.000 certificações permanentes de trabalho. Isso representa centenas de milhares de empregos que foram tirados de trabalhadores americanos.
Keith Sonderling, Secretário de Trabalho dos EUA
A declaração de Sonderling sublinha a preocupação da administração com a percepção de que a contratação de trabalhadores estrangeiros através desses programas pode estar deslocando a força de trabalho local.

Críticas e Defesas das Empresas
O Vice-Presidente dos EUA, JD Vance, dirigiu críticas específicas à Microsoft, mencionando as 6.000 demissões realizadas pela empresa em 2025. Vance alegou que a Microsoft 'substituiu' esses trabalhadores por indivíduos com vistos H-1B, que são vistos de não-imigrante que permitem que empregadores dos EUA contratem temporariamente trabalhadores estrangeiros em ocupações especializadas.
Então, vamos continuar a apoiar a Microsoft e ter um ótimo relacionamento com a Microsoft, mas também vamos negar a eles a capacidade de solicitar essas residências permanentes até que demonstrem que vão levar a sério a priorização dos trabalhadores americanos.
JD Vance, Vice-Presidente dos EUA
Em resposta às alegações de Vance, a Microsoft defendeu suas práticas de contratação em um comunicado divulgado na mesma quinta-feira, 8 de outubro de 2026. A empresa afirmou que a vasta maioria de seus funcionários nos Estados Unidos são americanos.
Dos aproximadamente 6.000 pedidos de visto H-1B que apresentamos no último ano fiscal, 80% foram para estender ou alterar o status de funcionários existentes da Microsoft.
Microsoft, em comunicado oficial
A Microsoft também declarou que os pedidos são feitos apenas para trabalhadores que atendem aos rigorosos padrões da categoria de visto H-1B e que os salários oferecidos pela empresa para esses trabalhadores estão entre os mais altos registrados em todos os pedidos de H-1B.
Contexto Político e Reconhecimentos
A suspensão das empresas ocorre em um momento politicamente carregado. O Presidente Donald Trump estava programado para conceder a Medalha Nacional de Ciência ao CEO da Microsoft, Satya Nadella, e a outros líderes de tecnologia proeminentes na mesma cúpula onde o anúncio da suspensão foi feito. Nadella, nascido na Índia, imigrou para os EUA em 1988 e ingressou na Microsoft em 1992.
Outros CEOs de destaque que seriam homenageados na cerimônia de premiação de quinta-feira incluem Jensen Huang (Nvidia), Elon Musk (SpaceX) e Lisa Su (Advanced Micro Devices). Todos esses líderes são imigrantes: Musk nasceu na África do Sul, enquanto Su e Huang nasceram em Taiwan.
O Vice-Presidente Vance fez uma distinção entre tipos de imigração, elogiando figuras como Musk e Su.
É uma coisa se você quer trazer uma pessoa como Elon Musk. Acho que 99% dos cidadãos americanos olham para alguém como Elon Musk ou Lisa Su, a CEO da AMD, e dizem: obviamente, se essa pessoa quer vir e construir algo grandioso nos Estados Unidos da América, nós apoiamos isso.
JD Vance, Vice-Presidente dos EUA
Essa fala sugere uma preferência por imigrantes que são vistos como inovadores e criadores de empregos, em contraste com a percepção de que outros programas de visto poderiam estar sendo usados para substituir trabalhadores americanos.
Histórico de Vistos H-1B e Salários
Gigantes da tecnologia como Microsoft, Google, Amazon e Apple têm sido por décadas os principais patrocinadores de vistos H-1B. Dados de 2026 da plataforma Levels.fyi indicam que a Amazon teve o maior número de petições, com 35.426 trabalhadores, seguida pela Cognizant e EY. A Microsoft ficou em um próximo quarto lugar, com 21.706 petições em 2026, e um salário base mediano de US$ 180.710 (cento e oitenta mil setecentos e dez dólares) para esses trabalhadores.
A CNBC tentou contato com a Adobe para obter um comentário sobre a suspensão, mas não houve retorno até o momento da publicação.
O que isso significa para a região
Embora as ações do Departamento de Trabalho dos EUA afetem diretamente o mercado de trabalho e as políticas de imigração americanas, as decisões de grandes empresas de tecnologia como Microsoft e Adobe podem ter repercussões indiretas globais. Para o Norte Pioneiro do Paraná, a dinâmica de contratação de mão de obra qualificada em tecnologia, mesmo que em outro país, reflete tendências mais amplas na economia global. A discussão sobre a priorização de trabalhadores locais versus a contratação de talentos estrangeiros é um debate presente em diversas economias, incluindo a brasileira, e pode influenciar políticas futuras de incentivo ou restrição à entrada de profissionais em setores específicos.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
