Asahi Breweries, Kirin Brewery, Suntory Beer e Sapporo Breweries, as quatro maiores cervejarias do Japão, que juntas detêm mais de 90% do mercado doméstico, foram alvo de batidas por parte de autoridades reguladoras. A ação, conduzida pela Comissão de Comércio Justo (Fair Trade Commission – FTC) do Japão, ocorre em meio a suspeitas de que as empresas teriam colaborado ilegalmente para aumentar os preços de cervejas e outras bebidas, violando as leis antitruste do país.

As operações de busca e apreensão nos escritórios das companhias nesta semana marcam um ponto crucial na investigação. Relatos da mídia local indicam que essa suposta colusão pode ter forçado os consumidores a pagar valores acima do justo pelos produtos. A FTC, órgão responsável por garantir a concorrência leal no mercado japonês, está apurando se houve uma coordenação entre as gigantes da indústria para manipular os preços de venda.

Investigação Abrangente e Impacto no Mercado

A investigação foi confirmada pelo secretário-geral da Comissão de Comércio Justo, Hiroo Iwanari, que, no entanto, optou por não fornecer detalhes específicos sobre o andamento do processo. As empresas envolvidas – Asahi, Kirin, Suntory e Sapporo – emitiram comunicados afirmando que cooperarão plenamente com as autoridades.

A gravidade da situação é ressaltada pelo fato de que esta é a primeira investigação desse tipo envolvendo a indústria de alimentos e bebidas no Japão. A FTC teria decidido iniciar a apuração devido ao potencial impacto que o alegado cartel poderia ter nos preços finais dos produtos, após serem vendidos por atacadistas a supermercados, lojas de conveniência, bares e restaurantes, conforme noticiado pelo jornal Mainichi Shimbun.

Fontes citadas pela mídia japonesa indicam que gerentes de vendas e outros executivos das cervejarias são suspeitos de terem se reunido secretamente por um período prolongado. O objetivo desses encontros seria coordenar o momento e a escala dos aumentos de preços no varejo, que variaram de alguns ienes a várias dezenas de ienes por vez.

Histórico de Aumentos e Suspeitas de Colusão

O mercado de bebidas alcoólicas no Japão tem visto múltiplos aumentos de preços nos últimos anos. As cervejas e uma versão de baixo malte conhecida como happoshu tiveram seus valores elevados em diversas ocasiões, com as empresas justificando as mudanças pelo aumento dos custos de matérias-primas e logística. No entanto, a Comissão de Comércio Justo suspeita que as cervejarias teriam ignorado a competição de preços adequada e colaborado para garantir seus lucros.

Um ponto que chamou a atenção dos investigadores é que as quatro cervejarias realizaram aumentos de preços simultaneamente em várias ocasiões. Os mais recentes ocorreram em abril do ano passado, além de outubro de 2022 e outubro de 2023. Essa sincronia nos reajustes, justificada pelas empresas como resposta ao encarecimento de insumos e distribuição, levantou bandeiras vermelhas para a FTC.

Rows of silver "Super Dry" Asahi beer cans displayed closely together on a supermarket shelf
Rows of silver "Super Dry" Asahi beer cans displayed closely together on a supermarket shelf

O Mercado de Cerveja no Japão

Apesar de uma queda no consumo de álcool nas últimas décadas, impulsionada pela diminuição da população e mudanças nos hábitos de consumo entre os jovens, o mercado de bebidas alcoólicas no Japão ainda é substancial. Em 2024, as vendas totais atingiram ¥3,8 trilhões (equivalente a US$ 24,3 bilhões).

  • Cerveja: Representa 30% do total das vendas.
  • Happoshu e Cerveja de Terceira Categoria: Juntas, estas categorias (a última com pouco ou nenhum malte) somam 11,9% do mercado.

A importância do setor e o domínio das quatro empresas investigadas – Asahi, Kirin, Suntory e Sapporo – que controlam mais de 90% do mercado de cerveja, tornam a investigação da FTC particularmente relevante para a economia e os consumidores japoneses.

A mídia japonesa citou fontes que afirmaram que a comissão considerou o caso particularmente sério, dado o seu potencial impacto nos consumidores, acrescentando que a investigação poderia resultar em uma queixa criminal.

Repercussões e Precedentes

A notícia das batidas teve um impacto imediato no mercado financeiro. As ações da Asahi, Kirin, Suntory e Sapporo registraram quedas após as operações de quarta-feira, refletindo a preocupação dos investidores com as possíveis consequências da investigação. A gravidade do caso é tal que, segundo a imprensa japonesa, a apuração pode até mesmo culminar em uma queixa criminal contra as empresas.

Esta não é a primeira vez que a Comissão de Comércio Justo japonesa atua contra supostos cartéis. Apenas três meses antes, o órgão realizou batidas em seis fabricantes de sorvetes no Japão, também sob alegações de formação de cartel. Esse histórico recente demonstra a postura ativa da FTC na fiscalização da concorrência e na proteção dos consumidores contra práticas anticompetitivas.

O que isso significa para a região

Embora a investigação da Comissão de Comércio Justo do Japão sobre o suposto cartel de cervejarias ocorra em um contexto geográfico e econômico distante do Norte Pioneiro do Paraná, o caso serve como um lembrete da importância da fiscalização e da concorrência leal em qualquer mercado. Práticas anticompetitivas, como a fixação de preços, podem levar a aumentos injustificados para o consumidor, afetando diretamente o poder de compra das famílias e a dinâmica econômica local.

No Brasil, a defesa da concorrência é atribuição do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que atua para coibir práticas semelhantes em diversos setores. A transparência e a competitividade são pilares para um mercado saudável, onde os preços são determinados pela oferta e demanda, e não por acordos secretos entre grandes empresas. Casos como este no Japão reforçam a necessidade de vigilância constante para proteger os interesses dos consumidores e garantir um ambiente de negócios justo.

Fonte: The Guardian — World (internacional) — matéria original publicada em theguardian.com. Imagens e vídeos: The Guardian — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.