A guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada em fevereiro de 2025, já impôs um custo estimado de US$ 38,1 bilhões ao Pentágono até 1º de agosto, o equivalente a uma média de US$ 246 milhões por dia. A revelação foi feita pelo Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), um órgão não partidário, em um relatório divulgado na terça-feira. O documento ainda projeta gastos adicionais de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões para cada mês subsequente de combate.

Os dados do CBO, que se somam a um relatório anterior do inspetor-geral do Departamento de Defesa, fornecem uma contabilidade abrangente dos custos financeiros e militares do conflito. As conclusões de ambos os relatórios são notavelmente semelhantes, reforçando a gravidade da situação e o impacto crescente da guerra.

Custos Militares e Desafios de Reabastecimento

Mais da metade dos custos totais da guerra, conforme detalhado pelo CBO, provém da substituição de mísseis e outras munições utilizadas intensivamente durante o conflito. Além disso, o aumento das horas de voo das aeronaves militares representou um custo adicional de US$ 10,4 bilhões, enquanto os preços mais altos dos combustíveis contribuíram com US$ 2,7 bilhões para a despesa total.

Um dos aspectos mais preocupantes destacados pelo CBO é o consumo acelerado de interceptadores de mísseis. Desde junho de 2025, os Estados Unidos utilizaram até dois terços de seus interceptadores de defesa antimísseis, principalmente para auxiliar Israel na defesa contra ataques iranianos. Essa utilização massiva resultou em estoques reduzidos, levantando preocupações sobre a capacidade de defesa do país nos próximos anos.

“Reconstruir o estoque de interceptadores do Departamento de Defesa provavelmente levaria pelo menos cinco anos – mesmo que a produção fosse aumentada”, alertou o CBO em seu relatório, solicitado pelo deputado Brendan Boyle, democrata da Pensilvânia e principal membro democrata do Comitê de Orçamento da Câmara.

O relatório do inspetor-geral do Departamento de Defesa (DOD IG), divulgado na segunda-feira, corroborou esses achados, estimando que a guerra custou US$ 33,4 bilhões até 29 de junho. Deste montante, US$ 7,4 bilhões foram custos operacionais incrementais, US$ 22,3 bilhões para substituir munições gastas e US$ 3,7 bilhões em perdas de equipamentos. A velocidade do uso de armamentos criou “escassez estratégica de estoque”, segundo o órgão de vigilância do Departamento de Defesa.

thumbnail
thumbnail

Impacto Econômico e Inflacionário

A guerra no Irã tem repercussões econômicas significativas que se estendem muito além dos gastos militares diretos. O CBO estima que o conflito continuará a pressionar a inflação, adicionando 0,5 ponto percentual às métricas inflacionárias até o início de 2027. Essa elevação é impulsionada principalmente pelos custos de energia que se espalham por toda a economia.

A interrupção do transporte de petróleo e gás natural através do Estreito de Ormuz e a desorganização do transporte marítimo no Mar Vermelho têm contribuído para o aumento dos preços ao consumidor. O CBO projeta que, no primeiro trimestre de 2027, a inflação anual, medida pelo índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) – a medida de inflação preferida do Federal Reserve –, será 0,5 ponto percentual mais alta devido à guerra. A inflação PCE central (excluindo alimentos e energia) deverá ser 0,3 ponto mais alta, à medida que os custos de energia se propagam pelas cadeias de suprimentos.

“O preço de quase todos os produtos reflete os custos de envio”, afirmou o CBO.

Até o início de 2027, a gasolina e outros combustíveis responderão por cerca de 40% do efeito da guerra nos preços ao consumidor. Na terça-feira, o petróleo bruto dos EUA ultrapassou US$ 106 por barril, e o Brent subiu acima de US$ 109, após relatos de que a Arábia Saudita cancelou carregamentos devido ao fechamento de um importante oleoduto que contorna o Estreito de Ormuz. O preço médio nacional da gasolina comum nos EUA era de aproximadamente US$ 4,33 por galão, um aumento de quase 18 centavos em relação à semana anterior e de US$ 1,15 em comparação com o ano anterior, de acordo com a AAA (American Automobile Association).

Danos e Perdas Materiais

O relatório do DOD IG também detalhou os danos significativos causados pelos ataques iranianos. Centenas de edifícios e estruturas foram danificados ou destruídos em bases militares em oito países do Oriente Médio. Dezenas de aeronaves sofreram danos ou foram completamente destruídas, incluindo:

  • Quatro caças F-15E
  • Um F-35A
  • Sete aeronaves de reabastecimento KC-135
  • Sete helicópteros
  • Mais de 30 drones

Para contextualizar o custo dessas perdas, um F-35A pode custar até US$ 92 milhões por aeronave, enquanto um F-15E, que não é mais produzido, custava US$ 31,1 milhões em 1998, segundo a Força Aérea dos EUA. O relatório do Pentágono também mencionou custos de US$ 79,2 milhões para o Departamento de Estado, referentes a evacuações e outras contingências para pessoas da região quando a guerra começou. Além disso, calculou US$ 184 milhões em danos a instalações diplomáticas no Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O Departamento de Defesa, no entanto, não forneceu estimativas para planos de reconstrução ou fontes de financiamento para as bases militares danificadas.

Debate Político e Riscos Futuros

A divulgação desses novos cálculos pode intensificar o debate sobre a justificativa do conflito, que o presidente Donald Trump inicialmente previu que duraria apenas semanas. Democratas estão usando os altos custos de combustível, alimentos e outros itens, ligados ao conflito, como argumento em suas campanhas para as eleições nos EUA em 3 de novembro, questionando a narrativa de Trump de que a guerra impede o Irã de desenvolver armas nucleares.

A escassez de mísseis é vista como um risco particularmente grave. O CBO alertou que essa situação poderia se tornar “especialmente problemática” em um conflito com um adversário que possua um grande número de mísseis balísticos e de cruzeiro, citando especificamente a China e um potencial conflito sobre Taiwan.

Leitura da LZ7 Energia

A guerra no Irã, com seus impactos nos preços do petróleo e gás natural, ressalta a vulnerabilidade da economia global e, por extensão, da economia brasileira, às flutuações do mercado de energia. Para o Norte Pioneiro do Paraná, que depende de insumos e transportes, o aumento dos custos de combustíveis e a inflação geral podem se traduzir em preços mais altos para produtos e serviços, afetando o poder de compra e a competitividade das empresas locais. A busca por fontes de energia mais estáveis e previsíveis, como a energia solar, ganha ainda mais relevância nesse cenário de incertezas geopolíticas, oferecendo uma alternativa para mitigar os impactos das crises internacionais nos custos operacionais e na conta de luz dos consumidores e produtores da região.

Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.