A International Business Machines (IBM) divulgou os resultados financeiros referentes ao terceiro trimestre de 2026, superando as estimativas de analistas tanto em receita quanto em lucro líquido ajustado. O balanço foi sustentado pela aceleração de contratos em inteligência artificial, pela expansão do segmento de software e pelo bom desempenho da área de infraestrutura de tecnologia da informação. Paralelamente aos números trimestrais, a companhia revisou para cima suas perspectivas para a geração de caixa livre no acumulado do ano.

Desempenho financeiro e receitas acima das expectativas

Durante o período apurado, a IBM registrou uma receita total de US$ 17,10 bilhões (aproximadamente 17,10 bilhões de dólares), superando o consenso de mercado compilado pela consultoria financeira LSEG, que estimava US$ 16,82 bilhões. O volume representa um crescimento de cerca de 5% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

No critério de rentabilidade, o lucro líquido contábil alcançou US$ 2,19 bilhões, equivalente a US$ 2,30 por ação. O resultado marca uma expansão frente ao mesmo período de 2025, quando a companhia havia reportado lucro de US$ 1,74 bilhão, ou US$ 1,84 por ação. Excluindo despesas e ajustes relacionados a aquisições, o lucro ajustado por ação atingiu US$ 2,95, superando a previsão média dos analistas, que apontava para US$ 2,86 por ação.

Aceleração em inteligência artificial e visão da diretoria

O diretor-executivo (CEO) da IBM, Arvind Krishna, ressaltou que a procura de clientes corporativos por soluções de inteligência artificial de grande escala foi determinante para sustentar o ritmo de expansão dos negócios ao longo do trimestre.

Nossos clientes agora estão implementando a Super Inteligência de maneiras que transformam modelos operacionais inteiros, em vez de simplesmente resolver problemas pontuais ou novidades passageiras.

A fala do executivo aponta para uma maturidade nas implementações tecnológicas entre grandes corporações, com ferramentas cognitivas assumindo papel central na infraestrutura de processos internos e na entrega de serviços digitais em escala global.

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Raio-x das divisões: software, consultoria e infraestrutura

O desempenho operacional da empresa apresentou variações expressivas entre suas principais divisões de negócios, refletindo a dinâmica de gastos corporativos no setor tecnológico:

  • Software: principal motor de crescimento da companhia no trimestre, a divisão faturou US$ 7,80 bilhões, marcando avanço de 8% em relação ao ano anterior e superando a estimativa de US$ 7,66 bilhões calculada pelos analistas ouvidos pela StreetAccount.
  • Consultoria: a unidade de consultoria gerou uma receita de US$ 5,34 bilhões, permanecendo praticamente estável e situando-se ligeiramente abaixo do consenso de US$ 5,37 bilhões da StreetAccount.
  • Infraestrutura: a área responsável por servidores, sistemas e suporte técnico alcançou US$ 3,70 bilhões em receitas, alta anual de 4%, batendo a expectativa de US$ 3,57 bilhões do mercado.

Apesar da receita de consultoria ter ficado ligeiramente abaixo das previsões, a administração da IBM enfatizou o peso da inteligência artificial dentro dessa carteira. O diretor financeiro (CFO) da companhia, Jim Kavanaugh, detalhou os números durante a teleconferência realizada com analistas de mercado.

A inteligência artificial está cada vez mais integrada às transformações mais amplas que nossos clientes estão realizando, representando cerca de 30% da nossa receita de consultoria no trimestre e 35% da nossa carteira de pedidos acumulados.

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Margens pressionadas, fluxo de caixa e projeções para 2026

Embora as linhas de faturamento e lucro tenham superado o consenso, a rentabilidade operacional enfrentou pressões pontuais. A margem bruta ajustada da IBM fechou o trimestre em 58,5%, número inferior aos 59,1% projetados pelos analistas da StreetAccount. Na divisão de consultoria, a margem bruta recuou para 27,4%, após ter registrado 28,9% no segundo trimestre.

Jim Kavanaugh explicou que a redução nas margens do braço de consultoria decorreu de uma estratégia de reinvestimento orientada a ganhos de escala a longo prazo.

Reinvestimos os ganhos de produtividade em ativos digitais, acelerando nossa transição para um modelo de serviços como software para capturar as crescentes oportunidades em inteligência artificial.

Quanto às metas para o encerramento do exercício de 2026, a direção da IBM revisou para cima a meta de fluxo de caixa livre, prevendo agora um aumento superior a US$ 1 bilhão no ano — superando a previsão divulgada em julho, que apontava para um incremento de aproximadamente US$ 1 bilhão. A empresa reiterou a previsão de crescimento anual de receita entre 4% e 5% em moeda constante e sinalizou alinhamento com as expectativas globais de analistas.

Acredito que as estimativas atuais do mercado para o ano estejam em torno de US$ 32 bilhões em receita. Nos sentimos confortáveis com esse patamar de US$ 32 bilhões em receita.

Movimentações corporativas e comportamento das ações no mercado

Ainda durante o terceiro trimestre, a IBM anunciou um acordo para a aquisição da HRL Laboratories, tradicional centro de pesquisas que pertencia conjuntamente à Boeing e à General Motors, anteriormente conhecido como a divisão de pesquisas da Hughes Aircraft. Os valores financeiros envolvidos na transação não foram revelados pelas partes envolvidas.

Apesar da superação dos números projetados por Wall Street, as ações da companhia registraram queda nas negociações estendidas após o fechamento dos mercados na quarta-feira, reflexo da cautela dos investidores em relação à compressão nas margens brutas. Até o fechamento do pregão daquele dia, os papéis da IBM acumulavam uma retração de 15% no ano, enquanto o índice S&P 500 registrava alta de 13% no mesmo período.

Leitura da LZ7 Energia

A aceleração de sistemas corporativos de inteligência artificial e a expansão de softwares e infraestrutura de processamento, como demonstrado nos balanços da IBM, evidenciam uma pressão contínua sobre a infraestrutura global de dados e conectividade. Centros de processamento de dados e redes de tecnologia demandam fornecimento ininterrupto e intensivo de energia elétrica. No cenário brasileiro, investimentos em eficiência energética e geração solar própria se consolidam como peças estratégicas para empresas e centros de distribuição técnica mitigarem os custos operacionais da digitalização e garantirem resiliência energética frente às tarifas do mercado regulado.

Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.