Em 2026, a inflação global emergiu como a principal preocupação para os family offices, as estruturas de gestão de fortunas das famílias mais ricas do mundo. Este novo cenário, detalhado no relatório anual do Citi Wealth, marca uma mudança significativa nas prioridades de investimento, onde a preservação do poder de compra agora se sobrepõe a outros fatores, como as disputas comerciais e tarifas, que lideravam as preocupações no ano anterior.
A Inflação como Prioridade Máxima
O levantamento do Citi Wealth, que ouviu 351 family offices em 41 países, revelou que 63% dos entrevistados apontam a inflação como a maior preocupação para os próximos 12 meses. Este número representa um aumento expressivo em relação a 2025, quando apenas 37% compartilhavam dessa apreensão. Em contraste, as disputas comerciais e tarifas, que eram a principal inquietude para 60% dos family offices no ano passado, caíram para apenas 18% neste ano.
Essa reconfiguração de prioridades, segundo o braço de gestão de fortunas do banco, reflete uma nova abordagem na administração do patrimônio. A busca por retornos nominais cede espaço à necessidade de proteger o valor real dos ativos.
“Para muitos family offices, preservar a riqueza real se tornou tão importante quanto gerar retornos nominais”, aponta o estudo.
Logo após a inflação, outras preocupações relevantes incluem a evolução das taxas de juros, mencionada por 44% dos entrevistados, e a estabilidade do sistema financeiro global, citada por 38%. A volatilidade dos mercados e o conflito no Oriente Médio também compõem o grupo de preocupações secundárias, enquanto a relação entre Estados Unidos e China perdeu destaque em comparação com o ano anterior.
Diferenças Regionais e Respostas de Investimento
Embora a preocupação com a inflação seja global, ela se manifesta com maior intensidade em algumas regiões. Na América Latina, por exemplo, 76% dos family offices consideram a inflação o principal temor, liderando também a preocupação com os juros. O Citi atribui esse resultado ao histórico da região com condições monetárias desafiadoras. Já na Ásia-Pacífico, a estabilidade financeira e a volatilidade dos mercados são preocupações mais acentuadas, o que o banco associa, em parte, ao bloqueio no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o petróleo destinado aos mercados asiáticos.

Apesar do cenário de incertezas, a preocupação com a inflação não se traduziu em uma fuga generalizada do risco. Quase metade dos family offices aumentou sua exposição a ações nos últimos 12 meses, tornando essa classe de ativos o principal destino para novos capitais. Em contrapartida, a renda fixa registrou mais reduções do que aumentos. Uma parcela das famílias também optou por aumentar suas reservas de caixa, um movimento que o Citi interpreta como uma postura defensiva diante da instabilidade geopolítica.
Mesmo com o conflito no Oriente Médio, 41% dos family offices não realizaram ajustes em suas estratégias de investimento. Aqueles que o fizeram, preferiram abordagens como gestão ativa e hedge, em vez de mudanças amplas na alocação de ativos.
“A incerteza não os está fazendo ficar parados. Está tornando-os mais deliberados”, escrevem Dawn Nordberg e Alexandre Monnier, executivos responsáveis pela área de family offices do Citi Wealth.
Perspectivas e Recomendações do Citi Wealth
Para os próximos 12 meses, as ações de mercados desenvolvidos continuam sendo a classe de ativos favorita. O crédito privado, por outro lado, registrou a maior piora de sentimento entre todos os ativos, passando de um saldo positivo para negativo, um movimento associado ao aumento da inadimplência no segmento.
O Citi Wealth compartilha a preocupação com a inflação, que permanece acima das metas na maioria das grandes economias, impulsionada pelos preços de energia. A equipe do banco prevê que o próximo movimento do Federal Reserve (Fed) será de alta de juros, e não de corte, mantendo as taxas elevadas por mais tempo sob a presidência de Warsh.
Na renda fixa, a recomendação é privilegiar vencimentos curtos e intermediários, em vez de títulos de longo prazo, e investir em crédito de maior qualidade. O banco mantém o ouro como lastro para as carteiras e alerta sobre os riscos de manter grandes alocações em caixa.
“Com a inflação persistente, alocações carregadas em caixa correm o risco de perder valor em termos reais”, afirma o CIO do Citi Wealth.

No mercado de ações, a preferência é por grandes empresas americanas e por setores como inteligência artificial, infraestrutura de energia e cibersegurança. Ao longo do ano, o CIO do Citi Wealth ajustou sua estratégia, saindo de ações de energia durante o rali geopolítico e reduzindo as visões sobre mineradoras de cobre e ações brasileiras.
A estratégia de manter-se investido tem se mostrado eficaz. Quase nove em cada dez family offices registraram ganhos em 2026 no momento da pesquisa, e a meta de retorno anual mais comum continua entre 7% e 10%.
“Os mercados mais uma vez recompensaram a serenidade em vez da cautela”, resume o banco.
O que isso significa para a região
Para o Norte Pioneiro do Paraná, a análise do Citi Wealth sobre a inflação global e as estratégias de investimento dos family offices oferece uma perspectiva relevante, especialmente no que tange à economia local. A preocupação com a inflação, que é mais acentuada na América Latina, ressoa com a realidade brasileira, onde a instabilidade econômica e a flutuação de preços são fatores constantes. A prioridade dada à preservação do poder de compra pelos investidores mais ricos pode influenciar a busca por ativos mais seguros ou com potencial de valorização real, impactando setores como o agronegócio e a indústria local, que buscam investimentos e expansão.
A preferência por infraestrutura de energia como um tema de investimento global também é um ponto de interesse para a região. O Norte Pioneiro, com seu potencial em energias renováveis, como a solar, pode se beneficiar de um cenário onde investidores buscam projetos que ofereçam estabilidade e crescimento a longo prazo, alinhados com a transição energética e a busca por fontes mais eficientes e sustentáveis. A valorização de empresas americanas e setores de tecnologia também indica uma tendência de digitalização e modernização que pode, indiretamente, influenciar a demanda por soluções tecnológicas e de eficiência energética em empresas e propriedades rurais da região.
Leitura da LZ7 Energia
A menção à infraestrutura de energia como um tema de investimento preferencial para os family offices, mesmo em um cenário de inflação e incerteza, é um indicativo positivo para o setor de energia solar. A LZ7 Energia, atuando no Norte Pioneiro do Paraná, está posicionada em um segmento que atrai capital em busca de ativos estáveis e com potencial de crescimento a longo prazo. A preocupação com a inflação leva investidores a buscar formas de preservar o poder de compra, e a energia solar, ao oferecer economia na conta de luz e valorização do imóvel, funciona como um hedge natural contra a inflação para consumidores e empresas. Além disso, a demanda por energia limpa e a busca por eficiência energética são tendências globais que se alinham com os interesses dos investidores que buscam temas como 'infraestrutura de energia' e 'grandes empresas americanas' (muitas delas com projetos de sustentabilidade e energia renovável). Para a LZ7, isso reforça a relevância de continuar investindo em tecnologia, expansão e soluções que garantam a segurança e a rentabilidade para seus clientes, contribuindo para a economia local e a sustentabilidade regional.
Fonte: InfoMoney — Economia — matéria original publicada em infomoney.com.br. Imagens e vídeos: InfoMoney — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
