A Inteligência Artificial (IA) está impulsionando a velocidade e a escala das ameaças cibernéticas, tornando os golpes e fraudes mais difíceis de serem detectados, de acordo com a Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal. A tecnologia não revoluciona as táticas criminosas, mas as aprimora significativamente, conforme detalhado por Bjorn R. Watne, diretor global de segurança da informação da Interpol, durante a Tech Week Singapore na quinta-feira, 2 de outubro de 2026.
Watne explicou que, embora a IA não crie novas formas de crime, ela potencializa as existentes. Operadores de golpes, por exemplo, podem usar a IA para atingir múltiplas vítimas simultaneamente. Além disso, a melhoria na tradução e a criação de identidades digitais falsas tornam cada vez mais desafiador distinguir interações fraudulentas das legítimas. A principal contribuição da IA para o cenário do crime cibernético é o aumento da “velocidade e escala” das técnicas já conhecidas.
A Evolução das Ameaças e a Resposta Empresarial
Diante da evolução das ameaças cibernéticas, Watne enfatiza que as empresas devem priorizar ações protetivas. Ele sugere que, em vez de tentar se proteger contra todas as ameaças possíveis de uma só vez, as organizações devem primeiro identificar seus “ativos mais valiosos” (ou “crown jewels”) – aqueles bens mais críticos para a continuidade de suas operações. Após essa identificação, é fundamental determinar quem teria interesse em roubar ou interromper esses ativos.
Com base nessa análise, as empresas podem usar a inteligência de ameaças para compreender as táticas e tecnologias empregadas por esses adversários e, assim, adaptar suas defesas de forma mais eficaz. Watne ressalta que não há necessidade de tentar se proteger contra tudo se a empresa não é um alvo específico de certas ameaças. As defesas necessárias podem variar consideravelmente, dependendo se a empresa enfrenta criminosos oportunistas ou atores de ameaças persistentes avançadas (APT, do inglês Advanced Persistent Threat).
Um desafio adicional apontado por Watne é a desconexão comum entre a alta gerência e a estratégia de cibersegurança das empresas. Ele observa que muitas indústrias ainda não perceberam que, na era atual, “todos são uma empresa de TI”. Embora o risco cibernético esteja ganhando mais destaque nos registros de risco corporativos, a cibersegurança ainda não conseguiu se consolidar plenamente nas discussões dos conselhos administrativos de muitas companhias.

A Ascensão da IA Agentiva e Novos Riscos
Watne expressou particular preocupação com a IA agentiva, uma tecnologia que está ganhando a capacidade de realizar ações em nome dos usuários. Ele alertou que erros cometidos por esses sistemas podem ir além de informações incorretas e ter consequências no mundo real.
“Uma coisa é uma IA te fornecer informações erradas. Mas quando uma IA está realmente realizando uma ação e começa a fazer as ações erradas, especialmente no domínio físico, isso pode ter consequências de danos corporais a humanos”, afirmou Watne.
Ele citou o crescente uso da IA em dispositivos como carros e veículos autônomos como uma área de grande preocupação. Watne explicou que esses riscos são agravados pelo alto nível de confiança que as pessoas tendem a depositar na tecnologia, em contraste com setores como serviços financeiros.
No setor financeiro, as pessoas geralmente adotam uma abordagem mais controlada, utilizando salvaguardas como códigos PIN e permanecendo vigilantes contra riscos como a clonagem de cartões. Contudo, quando se trata de tecnologia, há uma tendência de adotar novos dispositivos e aplicativos rapidamente, sem o mesmo nível de cautela.
“Quando se trata de tecnologia, o nível de confiança é altíssimo”, disse Watne, apontando como as pessoas clicam prontamente em avisos e concedem acesso a novas tecnologias.
À medida que os sistemas de IA se tornam mais capazes de agir em nome dos usuários, Watne argumenta que esse nível de confiança merece um escrutínio muito maior.
O Que Isso Significa para a Região
Para as empresas e moradores do Norte Pioneiro do Paraná, as advertências da Interpol sobre a IA e as ameaças cibernéticas ressaltam a importância de uma vigilância constante e de investimentos em segurança digital. Pequenas e médias empresas da região, em particular, podem ser alvos fáceis se não tiverem estratégias de defesa robustas. A crescente digitalização de serviços e a dependência da tecnologia em todos os setores, desde o agronegócio até o comércio, significam que a proteção contra fraudes e ataques cibernéticos é crucial para a estabilidade econômica local.
A conscientização sobre os riscos da IA agentiva e a necessidade de cautela ao interagir com novas tecnologias são aspectos fundamentais para todos os usuários. A região, como outras, precisa se adaptar a um cenário onde a sofisticação dos criminosos digitais aumenta, exigindo que a segurança cibernética seja vista não apenas como um custo, mas como um investimento essencial para a proteção de dados, operações e reputação.
Leitura da LZ7 Energia
A crescente sofisticação das ameaças cibernéticas, impulsionada pela Inteligência Artificial, tem implicações diretas para o setor de energia, incluindo empresas como a LZ7 Energia. A segurança da infraestrutura energética, que cada vez mais se baseia em sistemas digitais e redes inteligentes (smart grids), torna-se um ponto crítico. Um ataque cibernético bem-sucedido pode não apenas comprometer dados sensíveis, mas também impactar a operação de usinas solares, a distribuição de energia e até mesmo a medição de consumo. A capacidade da IA de escalar ataques e criar fraudes mais convincentes pode levar a interrupções no fornecimento, manipulação de dados de consumo ou até mesmo roubo de credenciais de acesso a sistemas de controle. Para o consumidor, isso pode significar interrupções no serviço e preocupações com a segurança de seus dados pessoais e financeiros. A LZ7 Energia, como provedora de energia solar, deve estar atenta a essas tendências, fortalecendo suas defesas cibernéticas para garantir a continuidade e a segurança de seus serviços, protegendo tanto sua infraestrutura quanto a confiança de seus clientes na região do Norte Pioneiro do Paraná.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
