Em um cenário de intensificação das hostilidades, o Irã alertou nações vizinhas de que as considerará inimigas e atacará seus interesses caso se juntem à campanha dos Estados Unidos para paralisar sua economia. A advertência foi proferida por Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, durante uma entrevista à emissora estatal IRIB no sábado, 22 de agosto de 2026.

Ameaça de Retaliação e 'Guerra Econômica'

As declarações de Rezaei surgem após uma série de ameaças econômicas escalonadas da administração do presidente dos EUA, Donald Trump. Na quarta-feira anterior, Trump havia anunciado que seu governo empreenderia a “operação econômica mais esmagadora” já vista contra o Irã, como parte das hostilidades em curso entre os dois países. Desde 28 de fevereiro, os EUA e Israel estão em conflito com o Irã, tendo lançado uma série inicial de ataques contra Teerã.

Além de ameaçar a economia iraniana, Trump prometeu “tremendas consequências econômicas” para qualquer país que ofereça “qualquer tipo de salvação” ao Irã. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reiterou essas ameaças no dia seguinte, afirmando: “Ou vocês estão conosco ou estão contra nós.”

“Estamos dizendo a todos os países próximos para não se juntarem à guerra econômica dos EUA. Caso contrário, nós os consideraremos inimigos”, declarou Rezaei à IRIB.

A posição iraniana demonstra uma clara linha vermelha para seus vizinhos, que se encontram em uma posição delicada diante da pressão das duas potências. A retórica de Teerã sugere que a adesão às sanções americanas não será vista como neutralidade, mas sim como um ato hostil.

Estratégia Regional Iraniana em Três Etapas

Durante a entrevista, Mohsen Rezaei detalhou a estratégia regional do Irã, descrevendo-a como uma sequência de três etapas. O plano inicial visa a desescalada das tensões com os países vizinhos, buscando o diálogo antes de qualquer medida mais drástica.

  • Primeira Etapa: Negociação e Separação Amigável
    O Irã buscará negociar e, com “linguagem agradável”, tentar separar os países vizinhos da influência americana. Rezaei enfatizou que o objetivo não é expandir o conflito.
  • Segunda Etapa: Período de Reconsideração
    Países que continuarem a apoiar os EUA terão um tempo para reconsiderar sua posição, indicando uma janela para mudança de postura antes de ações mais severas.
  • Terceira Etapa: Ação Decisiva
    Se as duas primeiras etapas não surtirem efeito e os países persistirem em aliar-se aos EUA, o Irã “definitivamente agirá”, sinalizando uma resposta militar ou econômica direta.

Rezaei sugeriu que a administração Trump aposta que a pressão econômica fraturará a sociedade iraniana, forçando o fim do conflito. “Eles esperam que, se possível, possam quebrar nossa unidade com pressão econômica e um grupo de manifestantes sairá às ruas, e de certa forma, eles virão em auxílio dos F-35 americanos”, disse ele, referindo-se a um tipo de aeronave militar.

Irã Alerta Países Vizinhos Contra 'Guerra Econômica' dos EUA
Foto: Al Jazeera — Internacional

Impasse nas Negociações e o Estreito de Ormuz

As negociações para encerrar o conflito têm estagnado nos últimos meses, especialmente após o fracasso de um memorando de entendimento (MoU) de 17 de junho, que previa a “interrupção imediata e permanente das operações militares”.

O controle sobre o Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima na costa do Irã, tornou-se um ponto de discórdia persistente entre os EUA e o Irã. No início do conflito, o Irã agiu rapidamente para interromper o tráfego através do estreito, o que provocou uma disparada nos preços de commodities como petróleo e fertilizantes. Países do Oriente Médio que dependiam do estreito para suas exportações começaram a buscar rotas comerciais alternativas.

No entanto, Rezaei advertiu que o Irã visaria essas rotas alternativas de transporte de petróleo para fora do Golfo se os estados regionais participassem dos planos de guerra econômica dos EUA. Essa ameaça adiciona uma camada de complexidade e risco para o comércio global, especialmente para o setor de energia.

Reações e Ampliação do Alcance Iraniano

O Ministério das Relações Exteriores do Irã também condenou as novas medidas dos EUA no sábado, classificando-as como uma afirmação de “soberania extraterritorial” sobre os estados membros das Nações Unidas.

Há relatos de que Teerã estaria considerando ampliar sua lista de alvos para além do Oriente Médio. Veículos de imprensa informaram que o Irã poderia atacar aliados dos EUA na Europa que apoiaram as operações de Trump, o que indicaria uma possível expansão geográfica do conflito e das retaliações iranianas, com implicações para a segurança e a economia em uma escala global.

O que isso significa para a região

A escalada de tensões entre Irã e EUA, com as ameaças iranianas de retaliação a países vizinhos que apoiarem as sanções americanas, cria um ambiente de instabilidade significativa no Oriente Médio. A região, já marcada por conflitos e disputas históricas, enfrenta agora a perspectiva de uma “guerra econômica” que pode ter desdobramentos militares e comerciais. Para os países do Norte Pioneiro do Paraná, embora geograficamente distantes, as consequências podem ser sentidas indiretamente. A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, por exemplo, já causou a disparada de preços de commodities como petróleo e fertilizantes. Qualquer nova desestabilização na oferta global de petróleo e gás pode impactar os custos de energia e transporte no Brasil, afetando a economia local e o poder de compra da população. A volatilidade nos mercados internacionais, impulsionada por conflitos geopolíticos, é um fator de preocupação para a estabilidade econômica global.

Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.