Bagdá, Iraque – O Iraque, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, encontra-se em uma encruzilhada econômica e logística. A guerra em curso entre os Estados Unidos e o Irã resultou no fechamento do vital Estreito de Ormuz, a principal via marítima para as exportações de petróleo iraquianas, desencadeando uma crise que já custou ao país cerca de US$ 60 bilhões em receitas de petróleo desde o início do conflito.
A situação foi destacada pelo Primeiro-Ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, em Nova Iorque, EUA. Ele expressou profunda preocupação com as repercussões sobre o transporte marítimo e a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, que, segundo ele, 'desencadeou uma crise de aumento dos preços globais do petróleo'.
Estreito de Ormuz: Um gargalo crítico para o Iraque
A interrupção das operações no Estreito de Ormuz tem sido devastadora para a economia iraquiana. Cerca de 90% das exportações de petróleo do país, que representam aproximadamente 90% do orçamento federal, foram afetadas. Essa drástica queda nas receitas comprometeu a capacidade do governo de pagar salários e provocou protestos em Bagdá, evidenciando a urgência da situação.
O Iraque tem recorrido a transferências ineficientes de navio para navio para conseguir escoar parte do seu petróleo através de Basra e outros portos do Golfo. Pequenas embarcações transportam a carga pelo Estreito de Ormuz sob a proteção militar dos EUA. No entanto, essa solução é paliativa e não atende à demanda.
Ali Nazar, chefe da Organização de Comercialização de Petróleo do Iraque (SOMO), informou ao parlamento iraquiano que, embora a capacidade de exportação de petróleo do Iraque fosse de 4,2 milhões de barris em setembro, as exportações médias reais foram significativamente menores, atingindo apenas 2,5 milhões de barris. Antes da crise, o Iraque exportava 3,5 milhões de barris por dia.
Para atrair compradores, a SOMO está oferecendo descontos substanciais: US$ 26,5 por barril de petróleo médio e cerca de US$ 28 por barril de petróleo pesado. Apesar dessas ofertas, a empresa enfrenta dificuldades para encontrar compradores devido aos ataques contínuos a embarcações que transitam pelo estreito. 'Não é uma tarefa fácil. É extremamente difícil. Requer coordenação de alto nível com as companhias de navegação', declarou Nazar, acrescentando que 'a concorrência é muito intensa. Kuwait e Catar ofereceram descontos maiores, chegando a US$ 35 por barril'.

Busca por alternativas e desafios logísticos
Diante do cenário, o governo iraquiano está explorando uma série de medidas de austeridade, embora impopulares, e buscando diversificar suas rotas de exportação. O Primeiro-Ministro al-Zaidi sugeriu que o aumento da produção de petróleo nos próximos anos e a criação de novas rotas poderiam impulsionar as receitas do governo. Isso inclui o desenvolvimento de canais de exportação existentes, como o Oleoduto Iraque-Turquia (ITP), ou a criação de novos com a Jordânia e a Síria.
No entanto, analistas políticos e de segurança, como Sarmad Al-Bayati, do Al Jazeera, alertam que nenhuma dessas propostas oferece uma solução rápida para os problemas econômicos do Iraque. 'Atualmente, a única opção é exportar através do Estreito de Ormuz, o que depende principalmente da situação no estreito', afirmou Al-Bayati. 'Outras alternativas, como rotas de exportação de petróleo através da Síria ou Turquia, ou mesmo planos futuros para estender um oleoduto através da Jordânia, são irrealistas e impraticáveis no momento, não oferecendo soluções reais para a crise atual do Iraque se a situação permanecer como está no estreito.'
Em agosto, o Iraque exportou 70 milhões de barris de petróleo, gerando cerca de US$ 4,5 bilhões em receitas, segundo Salim al-Rikabi, porta-voz do Ministério do Petróleo. Uma fonte do ministério indicou que esses números se referem apenas ao petróleo exportado dos campos do sul do Iraque que passaram por Ormuz.

Aposta em oleodutos terrestres
O Iraque continua a exportar petróleo bruto para a Turquia através do Oleoduto Iraque-Turquia (ITP). Bassem Abdul Karim, gerente da Basra Oil Company, revelou recentemente que 250.000 barris de petróleo estavam sendo transportados diariamente por via rodoviária dos campos de petróleo do sul do Iraque para uma instalação de armazenamento em Kirkuk, no norte do país. Com as rotas marítimas amplamente bloqueadas, há planos para aumentar esses volumes para 750.000 barris.
No mês passado, o Iraque e a Turquia assinaram um acordo renovável de um ano para exportar pelo menos 750.000 barris por dia através do ITP para o porto turco de Ceyhan, no Mediterrâneo. Este acordo representa um passo significativo na diversificação das rotas de exportação do Iraque.
Apesar desses esforços, especialistas da indústria, como Hassan Hafidh, ex-porta-voz da OPEP e especialista em petróleo e gás, reiteram que o Estreito de Ormuz continua sendo a única solução viável a longo prazo para o Iraque superar sua carga financeira. 'Honestamente, o Iraque ficou muito atrasado em encontrar alternativas de exportação antes que a crise em Ormuz começasse e falhou em considerar a possibilidade de um dia perder sua capacidade de exportar através do Estreito de Ormuz', disse Hafidh. 'Todas as outras alternativas que os iraquianos estão discutindo não resolverão sua crise de exportação e o Estreito de Ormuz permanece, no momento atual, a única maneira de o Iraque enviar as quantidades que garantem a receita de que o Iraque precisa.'
Incerteza e futuro imprevisível
O Ministro do Petróleo iraquiano, Basim Mohammed Khudair, alertou o parlamento na semana passada que a situação no Estreito de Ormuz permanece 'altamente instável e tensa'. Ele expressou a preocupação de que o Iraque poderia enfrentar um golpe repentino em sua capacidade de exportar quantidades limitadas de petróleo a qualquer momento, já que Irã e EUA não estão mais próximos de um acordo para encerrar a guerra e reabrir o estreito.
Mesmo que possamos exportar três milhões de barris por dia agora, não há garantias de que possamos manter esse nível devido ao futuro imprevisível do Estreito de Ormuz. Se a guerra se arrastar, as exportações cairão. Todas as operações de importação e exportação dependem de um fator vital: a segurança no estreito.
A declaração de Khudair sublinha a precariedade da situação e a dependência contínua do Iraque de uma rota marítima que está sob constante ameaça.
O que isso significa para a região
A crise no Estreito de Ormuz e a busca do Iraque por rotas alternativas de exportação de petróleo têm implicações significativas para a economia global e, por extensão, para regiões como o Norte Pioneiro do Paraná. A instabilidade no fornecimento de petróleo bruto de um grande produtor como o Iraque, combinada com o aumento dos preços globais do petróleo, impacta diretamente os custos de energia em todo o mundo. Para o Brasil, isso pode se traduzir em preços mais altos dos combustíveis, afetando o transporte, a logística e, consequentemente, os custos de produção e de vida. A busca por segurança energética e a diversificação de fontes e rotas de suprimento de energia tornam-se ainda mais cruciais em um cenário global tão volátil.
Leitura da LZ7 Energia
A crise de exportação de petróleo do Iraque, provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, é um exemplo contundente da fragilidade da cadeia de suprimentos de energia global, baseada em combustíveis fósseis e rotas geopoliticamente sensíveis. A dependência de uma única via de transporte para 90% das exportações de um país como o Iraque demonstra os riscos inerentes a uma matriz energética centralizada e vulnerável a conflitos. Para o consumidor brasileiro e, em particular, para a economia do Norte Pioneiro do Paraná, essa instabilidade se traduz em maior volatilidade nos preços dos combustíveis e da energia em geral. Em um cenário como este, a transição para fontes de energia renováveis, como a solar – defendida pela LZ7 Energia –, ganha ainda mais relevância. A energia solar é uma fonte descentralizada, abundante e local, que oferece maior autonomia energética e menor exposição a choques geopolíticos internacionais, contribuindo para a estabilidade econômica e a segurança energética regional.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
