O Poder Judiciário do Estado do Paraná converteu em prisão preventiva a prisão em flagrante de um homem de 27 anos investigado pela prática de maus-tratos qualificado contra a própria enteada, uma criança de dois anos de idade, no município de Palotina, no oeste paranaense. A deliberação judicial ocorreu após o episódio registrado no início da semana, quando a menina foi levada até a unidade de ensino infantil em que estava matriculada apresentando diversos ferimentos visíveis e sangue nas vestimentas. A identidade do homem detido não foi divulgada pelas autoridades responsáveis pela condução do processo.

A decisão judicial e a manutenção da custódia cautelar

A determinação pela conversão da medida de detenção flagrancial em regime preventivo foi fundamentada em critérios estritos do Código de Processo Penal e na análise da materialidade do caso. Ao avaliar o pedido, a Justiça estadual considerou a gravidade concreta dos fatos imputados ao investigado, a exigência de preservação e garantia da ordem pública e a necessidade de neutralizar riscos à regular colheita e produção de provas no decorrer das investigações conduzidas pela Polícia Civil.

Com a decretação da medida preventiva, o homem de 27 anos permanece recolhido ao sistema penitenciário por tempo indeterminado, ficando à disposição da comarca local enquanto o inquérito policial tem andamento. A decisão visa resguardar o processo de eventuais interferências e garantir a integridade dos depoimentos que ainda serão colhidos no âmbito do procedimento investigativo.

Identificação dos ferimentos e acionamento no ambiente escolar

O caso veio a público na terça-feira, dia 20, a partir da chegada da vítima ao Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) onde é atendida em Palotina. Ao receberem a menina, profissionais do corpo pedagógico e funcionários da unidade notaram imediatamente que o quadro físico da aluna divergia por completo de sua condição habitual de saúde, apresentando marcas severas distribuídas por diferentes partes do corpo.

De acordo com os relatos e registros documentados pela Polícia Civil, a menina de dois anos apresentava o seguinte quadro clínico ao dar entrada na creche:

  • Hematomas nítidos espalhados pela região do rosto;
  • Lesões e marcas traumáticas nos lábios;
  • Ecoriações e hematomas perceptíveis em ambas as orelhas;
  • Inchaço pronunciado na área do nariz;
  • Episódios de sangramento ativo;
  • Diversas marcas avermelhadas concentradas na região das costas;
  • Manchas de sangue aparentes no tecido do uniforme escolar.
Justiça converte flagrante em preventiva de padrasto em Palotina
Foto: G1 Paraná — Norte e Noroeste

Intervenção das forças policiais e atendimento à vítima

Diante da constatação inequívoca dos múltiplos sinais de violência física suportados pela criança, a equipe do Centro Municipal de Educação Infantil adotou os protocolos cabíveis para situações de suspeita de agressão e acionou diretamente a Polícia Militar do Paraná. A equipe policial compareceu à unidade de ensino para constatar o relato dos educadores e dar início às diligências operacionais urgentes.

Paralelamente às medidas policiais iniciais, a vítima foi retirada da rotina escolar e imediatamente encaminhada para realização de avaliação médica. O atendimento clínico e os exames periciais foram providenciados para constatar a extensão das contusões, prestar o socorro indispensável aos ferimentos e documentar tecnicamente a materialidade exigida para a instrução penal da acusação de maus-tratos.

Prisão do investigado e apuração sobre o contexto familiar

Após as constatações na unidade escolar e os primeiros procedimentos de acolhimento da vítima, as forças de segurança se deslocaram até o endereço residencial da família. O homem de 27 anos foi localizado em sua própria casa, onde recebeu voz de prisão e foi detido em flagrante, sem que houvesse fuga do local.

O suspeito foi formalmente enquadrado pela prática de maus-tratos qualificado, modalidade do delito em que as agressões resultam em lesão corporal de natureza grave ou são praticadas contra vítima menor de idade sob a autoridade ou guarda do agente. Em relação ao ambiente doméstico e à convivência familiar, a autoridade policial informou que as apurações preliminares indicam que a mãe da menina não tinha conhecimento prévio das agressões perpetradas pelo companheiro contra a filha de dois anos.

Desdobramentos da investigação em Palotina

Com a manutenção da prisão preventiva consolidada pelo Tribunal de Justiça do Paraná, a Polícia Civil segue colhendo os elementos necessários para a conclusão formal do inquérito policial na comarca de Palotina. O trabalho dos investigadores se debruça sobre os laudos médicos decorrentes do atendimento hospitalar e da perícia física, além de depoimentos de testemunhas que atuam na instituição escolar e de pessoas do convívio familiar.

A resposta institucional dada pelas equipes da rede municipal de educação infantil em Palotina foi o fator decisivo para a interrupção da sequência de agressões contra a criança. A identificação imediata das manchas de sangue no uniforme e a recusa da equipe em normalizar as lesões permitiram que as autoridades policiais e o Poder Judiciário atuassem de maneira célere para garantir a proteção física da menina e responsabilizar criminalmente o suspeito.

Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.