A Meta divulgou os resultados financeiros do terceiro trimestre de 2026 após o fechamento dos mercados nos Estados Unidos, registrando uma receita total de US$ 64,60 bilhões (aproximadamente 64,60 bilhões de dólares). O montante superou a projeção média de analistas consultados pela consultoria financeira LSEG, que estimavam US$ 63,37 bilhões. O faturamento da controladora do Facebook e do Instagram representou um salto de 26% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Por outro lado, o lucro por ação fixou-se em US$ 3,83, número cuja comparabilidade imediata com a previsão de US$ 5,75 feita por analistas ainda dependia da assimilação de despesas judiciais extraordinárias registradas no balanço.
Desempenho operacional e projeções para o fechamento do ano
Apesar da expansão expressiva do faturamento, a base de público ativo diário (DAP, na sigla em inglês), que contabiliza os usuários únicos em toda a família de aplicativos da empresa, ficou ligeiramente abaixo do esperado por analistas. O indicador alcançou 3,64 bilhões de pessoas no terceiro trimestre, enquanto as projeções reunidas pela plataforma StreetAccount apontavam para 3,65 bilhões.
Para o quarto trimestre de 2026, a Meta emitiu uma orientação de receita situada entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões. O ponto médio dessa faixa situa-se acima da estimativa de consenso do mercado financeiro, que previa US$ 73,73 bilhões para o período de encerramento do exercício.
O faturamento publicitário tradicional continuou sendo o esteio econômico da operação global. A expectativa de receita com anúncios digitais para o trimestre era de US$ 61,87 bilhões, dando sequência aos US$ 59,36 bilhões reportados no segundo trimestre deste ano.
Alcançamos marcos importantes neste trimestre em direção à entrega de superinteligência pessoal para todos, incluindo o lançamento do Muse e do Muse Wonder, nosso primeiro modelo de fronteira.
Mark Zuckerberg, diretor executivo da Meta
Ecossistema Muse e a nova estratégia de monetização
O aplicativo de assistência pessoal inteligente Muse, lançado em setembro, alcançou rapidamente o topo da loja de aplicativos iOS, da Apple. O impulso em torno do produto colaborou para que a Meta registrasse em setembro seu melhor desempenho mensal na Bolsa de Nova York desde 2022. Sob a liderança técnica de Alexandr Wang, que assumiu o comando da divisão de inteligência artificial há cerca de 14 meses, a empresa acelerou o cronograma de lançamentos com a apresentação do modelo Muse Wonder.
Para diversificar fontes de receita além dos anúncios comerciais, a companhia estruturou planos de assinatura e licenciamento corporativo para o novo ecossistema:
- Planos de assinatura mensal de US$ 20 e US$ 100 para usuários intensivos do assistente pessoal Muse;
- Tarifas para desenvolvedores nos valores de US$ 50 ou US$ 200 ao mês para acesso ao modelo avançado Muse Wonder Full, disponibilizado pelo agente de código lançado no início de agosto;
- Acesso gratuito aos pesos do modelo Muse Spark Open, desenvolvido em cooperação com a Apple para execução direta em computadores Mac topo de linha.

Estes não são os modelos mais capazes que já desenvolvemos ou lançamos. Mas acreditamos que haverá muitas empresas e desenvolvedores que usarão esse modelo e farão testes em pequena escala, para depois ampliarem e escalarem seu uso.
Alexandr Wang, chefe de inteligência artificial da Meta
Analistas do Bank of America e do Morgan Stanley ponderaram que as iniciativas em torno do Muse exigirão capacidade computacional imediata antes de gerarem receitas substanciais no curto prazo. Segundo o Morgan Stanley, a mudança de hábitos tecnológicos exige maturação: o comércio eletrônico, após cinco anos de expansão no ano 2000, representava apenas 4% do varejo ajustado nos Estados Unidos, alcançando 28% cerca de três décadas depois.
Disparada de investimentos em infraestrutura e centros de processamento
A Meta abriu a temporada de divulgação de resultados das grandes corporações tecnológicas classificadas como hiperescaladoras (empresas que operam infraestruturas gigantescas de processamento e armazenamento em nuvem). As divulgações de Alphabet (controladora do Google) e Microsoft estão previstas para a próxima quarta-feira, seguidas pela Amazon na quinta-feira subsequente.

Juntas, essas quatro corporações planejam despender cerca de US$ 730 bilhões em despesas de capital (capex) ao longo deste ano, direcionados à aquisição de unidades de processamento gráfico (GPUs), sistemas computacionais avançados e à edificação de grandes centros de processamento de dados ao redor do planeta. Levantamento da consultoria FactSet projeta que esse montante atinja aproximadamente US$ 1 trilhão no próximo ano, encabeçado pela Alphabet, cujos gastos previstos superam US$ 310 bilhões.
Analistas da Baird Equity Research destacaram que o mercado tende a acolher os aumentos de capex com menor resistência diante da demonstração de retorno sobre investimento nos algoritmos de direcionamento publicitário, muito embora a Meta não opere uma plataforma comercial de computação em nuvem aberta ao público corporativo geral.
Reality Labs e a divisão de dispositivos conectados
A divisão Reality Labs, responsável pelo desenvolvimento de equipamentos de realidade virtual e dispositivos vestíveis com tecnologia computacional, manteve a trajetória de aportes deficitários. O departamento registrou prejuízo operacional de US$ 4,54 bilhões no terceiro trimestre, gerando US$ 513 milhões em faturamento, segundo dados da StreetAccount. No segundo trimestre, a área havia acumulado perda de US$ 4,62 bilhões sobre vendas de US$ 431 milhões.
Em resposta à aceitação moderada dos dispositivos de realidade virtual pelo público amplo, os esforços foram parcialmente redirecionados para armações inteligentes, como os óculos Ray-Ban Meta, produzidos em associação com a multinacional ótica EssilorLuxottica. Ainda assim, a empresa planeja lançar na primavera norte-americana de 2027 os novos óculos Meta VR Glasses, com preço estipulado em US$ 1.299.
Construímos um novo tipo de dispositivo de realidade virtual que proporciona a mesma sensação mágica de presença e imersão, telas de alta resolução e visões do mundo ao seu redor, pela primeira vez no formato de um par de óculos.
Mark Zuckerberg, diretor executivo da Meta
Impactos jurídicos bilionários e acordos estaduais
O trimestre foi igualmente marcado por desdobramentos de contenciosos judiciais severos nos Estados Unidos. O juiz distrital Francis Mathew, do Novo México, determinou uma penalidade civil de US$ 25 bilhões contra a Meta em decorrência de processos ligados à privacidade de dados originados a partir do caso Cambridge Analytica, de 2018. O júri de Santa Fe havia estabelecido inicialmente indenizações no montante de US$ 219,5 bilhões com base em mais de 43 milhões de violações da lei estadual contra práticas desleais, cifra posteriormente readequada pelo magistrado.
O Facebook não conduziu a investigação abrangente que havia prometido.
Francis Mathew, juiz distrital do Novo México

Em paralelo, a companhia pactuou em agosto um acordo judicial de quase US$ 17 bilhões com um colegiado de procuradores-gerais estaduais, liderado por Rob Bonta, da Califórnia. O litígio tratava de supostas omissões da empresa a respeito dos efeitos adversos sobre a saúde mental de crianças e adolescentes atribuídos a elementos de design e algoritmos de recomendação no Instagram e no Facebook. Conforme análise da Wolfe Research, a provisão de uma despesa legal de US$ 10 bilhões associada a esse caso pode justificar a disparidade observada no lucro por ação do período.
Leitura da LZ7 Energia
A corrida global por inteligência artificial e a expansão acelerada de grandes centros de processamento de dados — cujo investimento somado entre os gigantes tecnológicos já se aproxima de US$ 1 trilhão anual — geram uma demanda energética sem precedentes no cenário mundial. Essa infraestrutura ininterrupta de supercomputadores pressiona as redes elétricas convencionais e evidencia a urgência de fontes limpas, firmes e renováveis. No Brasil e no interior produtivo, essa transformação reforça o papel estratégico da geração solar e de sistemas dedicados, capazes de garantir segurança no suprimento e mitigar a volatilidade nos custos da eletricidade.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
