O que aconteceu
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou novas diretrizes técnicas para a validação dos modelos matemáticos aplicados nos estudos de conexão e operação de usinas solares, eólicas e sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS). A principal mudança estabelece que os modelos computacionais de baterias deverão ser validados exclusivamente no modo grid-forming.
A tecnologia grid-forming permite que o equipamento atue de forma ativa, estabelecendo referências próprias de tensão e frequência para a rede elétrica. Segundo as novas orientações do operador, o modo convencional grid-following — no qual o inversor apenas acompanha os parâmetros já existentes na rede — será classificado como uma condição de operação degradada para essa finalidade, dispensando a entrega de um modelo matemático em separado.
O que muda
As novas diretrizes trazem critérios técnicos e operacionais que alteram a rotina de novos empreendimentos:
- Foco em grid-forming: a validação matemática passa a exigir que o comportamento dos sistemas BESS seja modelado para dar sustentação ativa aos parâmetros da rede.
- Aproveitamento entre projetos: o ONS passa a autorizar que uma única validação seja compartilhada por múltiplos projetos que utilizem equipamentos equivalentes, evitando testes repetitivos.
- Fim do modelo duplo: como o modo grid-following será tratado como condição degradada para fins de homologação do modelo, os desenvolvedores não precisarão submeter validações adicionais exclusivas para essa operação.
Quem é afetado
A medida atinge diretamente fabricantes de baterias e inversores, integradores de sistemas de grande porte e desenvolvedores de projetos de geração renovável e armazenamento que solicitam acesso ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Empreendedores que utilizam equipamentos padronizados ganham celeridade processual ao poder reaproveitar modelos validados anteriormente para plantas semelhantes.
Por que isso importa
Conforme o volume de fontes renováveis intermitentes avança no Brasil, o operador do sistema precisa de ferramentas mais precisas para prever a resposta dos ativos frente a perturbações, quedas de frequência e oscilações de tensão. Ao focar os estudos em modelos com capacidade grid-forming, o ONS busca garantir que as baterias conectadas ao sistema de transmissão agreguem estabilidade real à rede, além de desburocratizar a fila de análise de novos projetos com a aceitação de modelos equivalentes.
Visão LZ7
A iniciativa do ONS traz maturidade regulatória e técnica ao setor de armazenamento de energia no país. É importante destacar, contudo, que a exigência incide sobre a validação dos modelos matemáticos entregues nos estudos de conexão, e não significa uma obrigatoriedade imediata de que todo sistema de armazenamento opere fisicamente apenas em modo grid-forming em tempo real. A padronização reduz custos de engenharia e dá previsibilidade a investidores que planejam projetos híbridos ou dedicados ao atendimento da rede.
O que acompanhar agora
Fabricantes e agentes do setor elétrico têm prazo para encaminhar dúvidas sobre as diretrizes até o dia 10 de novembro. De acordo com o cronograma divulgado pelo ONS, os esclarecimentos finais e a consolidação dos documentos estão previstos para publicação até o dia 30 de novembro.
