Comitês de ação política independentes (conhecidos nos Estados Unidos como super PACs) alinhados ao ex-presidente Donald Trump estão direcionando dezenas de milhões de dólares para distritos eleitorais que o Partido Republicano (GOP) venceu com folga em 2024. A ofensiva financeira, revelada em novos relatórios da Comissão Eleitoral Federal (FEC) divulgados na noite de terça-feira, expõe a necessidade da legenda de ampliar seu raio de defesa para manter o controle da Câmara dos Representantes (House of Representatives) nas eleições de meio de mandato de 2026.
Volume recorde de recursos na reta final da campanha
O principal super PAC associado a Trump, o MAGA Inc., informou gastos acumulados de US$ 300,5 milhões (aproximadamente trezentos milhões e quinhentos mil dólares) até 14 de outubro. Desse montante, cerca de 25% — o equivalente a US$ 75,5 milhões — foi desembolsado unicamente nas duas primeiras semanas de outubro, de acordo com as prestações de contas oficiais.
Mesmo com a intensidade das despesas, a entidade ainda mantinha US$ 164,3 milhões em caixa a três semanas da votação. Em declaração pública concedida na terça-feira, Trump afirmou que sua estrutura de arrecadação pretende ultrapassar a marca de US$ 400 milhões em aportes até o dia do pleito:
A operação política vai aplicar mais de US$ 400 milhões até o dia da eleição.
A maior parte desse capital está sendo distribuída por meio de duas novas entidades parceiras. O MAGA Inc. repassou US$ 200 milhões para o comitê No Going Back PAC e US$ 25 milhões para o Safety & Affordability PAC. Juntas, essas duas organizações já registraram mais de US$ 209 milhões em gastos independentes em propagandas e mobilização, aliviando temores de estrategistas republicanos que temiam, até setembro, que as reservas financeiras de Trump ficassem fora da disputa legislativa.

Dispersão de verbas em redutos antes considerados seguros
Os novos investimentos chamam atenção por se concentrarem em redutos onde os republicanos venceram com tranquilidade dois anos antes, a exemplo do 10º Distrito de Ohio, do 4º Distrito de Michigan e do 11º Distrito da Carolina do Norte. O avanço da oposição obriga os aliados de Trump a travar disputas em bases que pareciam consolidadas.
De acordo com uma análise dos relatórios financeiros feita pela rede de notícias CNBC, o Safety & Affordability PAC concentrou desembolsos expressivos nos seguintes colégios eleitorais para a Câmara:
- 1º Distrito do Arizona: US$ 3,76 milhões;
- 2º Distrito do Maine: US$ 1,84 milhão;
- 3º Distrito de Wisconsin: US$ 1,60 milhão;
- 1º Distrito da Carolina do Norte: US$ 1,48 milhão;
- 10º Distrito de Ohio: US$ 1,40 milhão;
- 8º Distrito da Pensilvânia: mais de US$ 1 milhão;
- 9º Distrito de Ohio: mais de US$ 1 milhão;
- 7º Distrito de Michigan: mais de US$ 1 milhão.
O cenário no 10º Distrito de Ohio ilustra a mudança de dinâmica: o Safety & Affordability PAC aplicou cerca de US$ 1,4 milhão para apoiar o deputado republicano Mike Turner, que foi eleito por uma margem de 18 pontos percentuais em 2024. A liderança da bancada democrata (DCCC) incluiu o assento entre os alvos de potencial virada, enquanto o comitê oficial republicano (NRCC) só iniciou veiculações publicitárias no local em outubro, segundo a empresa de monitoramento AdImpact.

Disputas acirradas no Senado e recuo de aliados
Além da Câmara, o No Going Back PAC direcionou grandes volumes de verba para eleições ao Senado. A entidade gastou quase US$ 30 milhões em Michigan, US$ 27,8 milhões em Ohio, US$ 11,8 milhões em New Hampshire e US$ 9,9 milhões na Carolina do Norte. Apenas essas quatro corridas senatoriais somaram aproximadamente US$ 79 milhões.
O grupo também aplicou cerca de US$ 5 milhões em cada uma das disputas de Câmara no 4º Distrito de Michigan e no 11º da Carolina do Norte, ambos controlados por republicanos. Em paralelo, direcionou US$ 14,4 milhões combinados para tentar derrotar democratas no 14º e no 25º distritos da Flórida.
A intensidade dos gastos pró-Trump coincide com uma triagem estratégica de outras lideranças republicanas. O Congressional Leadership Fund, super PAC ligado ao presidente da Câmara, Mike Johnson, suspendeu seus comerciais no 1º Distrito de Iowa, no 7º de Nova Jersey, no 8º de Michigan e no 1º de Ohio, conforme reportado pela Associated Press. Em resposta, os grupos de Trump entraram com cerca de US$ 1,4 milhão para sustentar a presença do partido nessas quatro frentes.

Impacto da impopularidade e do custo de vida nas pesquisas
O boletim eleitoral Cook Political Report, editado por Amy Walter, classifica 21 disputas para a Câmara como indefinidas (Toss Ups). Dessas, 16 são atualmente ocupadas por parlamentares republicanos e apenas cinco por democratas. Embora os candidatos republicanos ainda detenham a dianteira em volume de propaganda em 25 das 42 corridas mais competitivas avaliadas pela consultoria, o ambiente geral segue desfavorável ao partido.
Uma pesquisa de opinião pública conduzida pelo jornal The New York Times em parceria com o Siena College, divulgada na quarta-feira, apontou a aprovação pessoal de Donald Trump em apenas 36%, enquanto a desaprovação atingiu 59%. O descontentamento popular é puxado sobretudo por temas econômicos do cotidiano:
- Custo de vida: 69% dos eleitores desaprovam a conduta de Trump, contra 29% que aprovam;
- Preços dos combustíveis: 73% desaprovam sua gestão sobre as tarifas de combustível, frente a 24% favoráveis.
Quando confrontados diretamente com os nomes que concorrem em seus respectivos distritos legislativos, os eleitores consultados deram uma vantagem média de 10 pontos percentuais aos candidatos do Partido Democrata.

Estratégia digital e foco no comparecimento às urnas
Diante do quadro adverso, a operação financeira também busca contornar um problema recorrente do partido: o comparecimento eleitoral. Como o voto não é obrigatório nos Estados Unidos, a meta principal dos comitês é garantir que os eleitores que votam em Trump nas disputas presidenciais também saiam de casa nas eleições legislativas intermediárias, quando o nome dele não consta na cédula.
No relatório contábil mais recente, o MAGA Inc. declarou um desembolso de US$ 16,2 milhões realizado em 8 de outubro sob a rubrica de "educação eleitoral". Conforme apuração do The New York Times, essa verba financiou mais de 2.200 variações de anúncios nas redes sociais Facebook e Instagram em mais de 20 estados, com foco no incentivo à votação antecipada e à mobilização no dia da eleição.
Leitura da LZ7 Energia
A insatisfação popular com a inflação e com os preços dos combustíveis nos Estados Unidos evidencia como a matriz energética e os custos básicos de subsistência influenciam diretamente a economia e o ambiente político global. No Brasil, e em especial para os produtores e comerciantes do Norte Pioneiro paranaense, as oscilações nos mercados internacionais de energia e combustíveis reforçam a importância da previsibilidade nos custos operacionais, papel hoje desempenhado com eficácia pela geração solar fotovoltaica ao reduzir a dependência das tarifas convencionais.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
