Apesar do cenário econômico desafiador, com juros elevados e alto endividamento das famílias brasileiras, o mercado de panetones demonstrou resiliência e adaptabilidade em 2025. Dados recentes revelam uma mudança no perfil de consumo que está redefinindo as estratégias da indústria para a próxima temporada natalina de 2026. A restrição orçamentária não afastou o produto da mesa dos brasileiros, mas impulsionou uma busca por itens de maior valor agregado, transformando o panetone em um substituto para presentes tradicionais.

Faturamento Cresce Apesar da Queda no Volume

No ano passado, o setor de panetones registrou uma retração de 3,4% no volume total de vendas, atingindo a marca de 50 mil toneladas. Contudo, essa diminuição no volume foi compensada por um aumento expressivo no faturamento, que avançou 3,5%, adicionando R$ 45,8 milhões ao mercado e totalizando R$ 1,36 bilhão. Esses números foram apresentados no Salão do Panetone 2026, na última quinta-feira (27), e são parte da pesquisa Worldpanel by Numerator, encomendada pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi).

Essa disparidade entre queda no volume de vendas e aumento do faturamento é explicada pelo processo de “premiumnização”.

David Fiss, diretor sênior de novos negócios da Worldpanel

De acordo com David Fiss, diretor sênior de novos negócios da Worldpanel, o fenômeno da 'premiumnização' explica essa dinâmica. Enquanto o panetone tradicional de chocolate, antes o carro-chefe do setor, registrou uma queda de 3,9% em volume, as versões recheadas ganharam destaque, com um crescimento de 4,5%.

Preço Médio e Custos de Produção

O preço médio do panetone subiu 8,7% em 2025, alcançando R$ 40,76. Fiss esclarece que essa alta foi impulsionada pela migração dos consumidores para os itens trufados e não por um repasse linear da inflação. A indústria enfrentou desafios nos custos de produção, especialmente com a disparada do preço do chocolate e a dependência do óleo de palma importado.

Panetones Premium Conquistam Classe C e Impulsionam Mercado
Foto: InfoMoney — Economia

Para proteger suas margens, o varejo adotou uma estratégia de focar em menor volume e maior valor agregado. As embalagens presenteáveis, por exemplo, ganharam protagonismo estratégico, respondendo por 33,1% de todo o volume consumido, um índice estável em relação ao ano anterior. A restrição de renda também alterou a frequência de compras, com os consumidores esticando o intervalo de idas aos pontos de venda de cerca de 60 para 63 dias.

Classe C Impulsiona o Mercado Premium

Contrariando a expectativa de que o mercado premium seria sustentado pelas classes mais altas, a pesquisa revela que a Classe C é a principal responsável por esse movimento, respondendo por 48,6% do volume de vendas. Em seguida, a Classe A/B contribui com 35,2%. Além disso, os consumidores acima de 50 anos lideram a categoria por idade, representando 41,7% do volume consumido.

Um grupo específico, classificado como “Panetone Lovers”, embora represente apenas 20% dos compradores, consome 48% de todo o volume fabricado, com um gasto médio de R$ 83 durante a temporada.

Estratégias de Sazonalidade e Perspectivas para 2026

A indústria também ajustou sua logística de calendário para capturar a renda do consumidor. A sazonalidade do panetone foi diluída, com os produtos chegando às gôndolas já nos meses de agosto, setembro e outubro. Esse calendário descentralizado tem registrado crescimento de vendas em novembro e até mesmo em janeiro. Este último mês é focado nos consumidores “Ocasionais”, que aguardam as promoções para adquirir marcas premium com preços reduzidos.

Para a próxima temporada, a Abimapi projeta um crescimento entre 3% e 5% tanto no faturamento quanto no volume. No entanto, um novo obstáculo surge no cenário econômico: o avanço acelerado das apostas esportivas online, que, segundo David Fiss, tem capturado parte da renda das famílias em um contexto macroeconômico já desafiador.

Fonte: InfoMoney — Economia — matéria original publicada em infomoney.com.br. Imagens e vídeos: InfoMoney — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.