Um relatório de 112 páginas da Polícia Federal (PF), assinado em 2 de agosto de 2026 e com sigilo retirado na última quinta-feira (3) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalha a conclusão de que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), teria beneficiado o empresário Ricardo Magro, proprietário da refinaria Refit. A investigação aponta que Castro criou um 'ambiente institucional favorável' à atuação do grupo durante sua gestão, com base em mensagens extraídas de celulares apreendidos.
Benefícios e Contatos Diretos Apontados pela PF
A representação da PF destaca que o relacionamento entre o ex-governador e a Refit ia além do contato protocolar. Os investigadores identificaram que Castro mantinha comunicação direta com Ricardo Magro e com Marcos Joaquim Gonçalves Alves, advogado que representava os interesses da refinaria. Essa comunicação direta era utilizada para tratar de demandas administrativas da empresa junto ao governo estadual, contornando os canais administrativos ordinários.
Entre as vantagens indevidas citadas no relatório, a PF menciona o pagamento de R$ 10.500 em caviar, o custeio do aluguel do apartamento de Castro na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e o usufruto de uma mansão em Petrópolis, na região serrana do Estado. Nesta propriedade, teria sido construída uma adega personalizada, encomendada pelo próprio ex-governador, avaliada em R$ 245.000.

Articulações e 'Tratamento Diferenciado'
A Polícia Federal aponta que Cláudio Castro se dispôs a atuar pessoalmente em assuntos de interesse da Refit. Em uma sequência de mensagens com o advogado Marcos Joaquim, o ex-governador teria se oferecido para viabilizar uma reunião sobre a regularização fiscal da empresa, afirmando: 'Eu toco por aqui'. Os investigadores interpretam essa frase como um indicativo de atuação pessoal de Castro em questões diretamente ligadas ao grupo.
Outro episódio destacado pela PF ocorreu após o protocolo de uma petição da Refit na Casa Civil. Marcos Joaquim teria procurado Castro repetidas vezes para verificar o andamento do processo, e o ex-governador respondeu que havia cobrado providências. Para a corporação, esse tipo de interação demonstra um 'tratamento diferenciado' concedido à empresa, que conseguia levar seus pleitos diretamente ao ex-governador, fora dos trâmites habituais.
A investigação também identificou articulações relacionadas à renovação da licença ambiental da Refit. Mensagens entre o então secretário estadual de Ambiente, Bernardo Rossi, e Renato Bussiere, que presidia o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), indicam esforços para superar obstáculos técnicos e buscar apoio de membros da comissão responsável pela votação.
Declarações e Desdobramentos da Operação
A PF contradiz a versão de Cláudio Castro, que havia negado envolvimento com o empresário Ricardo Magro ao jornal Valor Econômico após a primeira fase da operação. Em uma troca de mensagens depois de uma viagem a Nova York, Castro escreveu a Magro:
Aqui você tem um amigo. Saiba disso.
A corporação afirma que Magro organizou o evento do qual Castro participou durante a viagem, e que a visita teria sido patrocinada pela Refit.
Com base no material extraído dos celulares apreendidos na primeira fase, a PF solicitou ao STF novos mandados de busca e apreensão, além do afastamento dos sigilos financeiro, fiscal e bursátil de investigados ligados ao chamado 'núcleo político' do grupo. Ricardo Magro, que foi preso preventivamente na primeira fase da operação, segue foragido e está na lista de difusão vermelha da Interpol.
A Operação Sem Refino 2
A operação 'Sem Refino 2' foi deflagrada em 14 de agosto de 2026, com o objetivo de apurar fraudes na concessão de licenças ambientais para a refinaria, além de lavagem de capitais relacionada ao esquema criminoso.
Outros Lados
O Poder360 informou que questionou as assessorias do ex-governador Cláudio Castro e da Refit, além de Bernardo Rossi, Marcos Joaquim Gonçalves Alves, Renato Bussiere e Antônio Carlos da Conceição Santos, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem original. O veículo ressaltou que o texto seria atualizado caso alguma manifestação fosse recebida.
Leitura da LZ7 Energia
A investigação da Polícia Federal sobre a Refit e o ex-governador Cláudio Castro, embora focada em fraudes e corrupção, tangencia indiretamente a questão da infraestrutura energética e ambiental. A refinaria, como uma unidade de processamento de combustíveis fósseis, tem um impacto ambiental significativo e é regulada por licenças que, neste caso, estão sob suspeita de irregularidade. Em um cenário de transição energética, a transparência e a legalidade nos processos de licenciamento ambiental para grandes empreendimentos, especialmente os de combustíveis fósseis, são cruciais. A energia solar, por sua natureza limpa e renovável, oferece uma alternativa que minimiza muitos dos impactos ambientais associados às fontes tradicionais, reduzindo a complexidade e a potencial vulnerabilidade a esquemas de corrupção em processos de licenciamento, ao mesmo tempo em que fortalece a matriz energética nacional com fontes mais sustentáveis e descentralizadas.
Fonte: Poder360 — Nacional — matéria original publicada em poder360.com.br. Imagens e vídeos: Poder360 — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.