Documentos recém-revelados da Polícia Federal apontam que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, teria recebido uma série de vantagens por meio de terceiros. As revelações surgem no âmbito da Operação Sem Refino, que investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro e o suposto favorecimento à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. A apuração da PF sugere que Castro se beneficiou de pagamentos de despesas pessoais, como a compra de caviar, além de ter exercido controle sobre imóveis de luxo e residir em uma cobertura com aluguel supostamente abaixo do valor de mercado.
Detalhes da Investigação da Polícia Federal
Os elementos que compõem a investigação foram tornados públicos nesta quinta-feira, 3 de setembro, após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo dos documentos. A decisão de Moraes ocorreu após o cumprimento das diligências autorizadas pela Corte, que visam aprofundar a apuração sobre as atividades do ex-governador e sua suposta ligação com a Refit.
Entre as evidências levantadas pela Polícia Federal, destaca-se uma compra de caviar no valor de R$ 10,5 mil. Segundo os investigadores, Cláudio Castro teria negociado diretamente a aquisição do produto, mas o pagamento foi efetuado pela AC Santos Participações e Empreendimentos, uma empresa ligada ao advogado Antônio Carlos da Conceição Santos, conhecido como “Pipo”. A PF classifica este episódio como uma despesa pessoal “suportada por terceiros”, indicando um possível benefício indevido.

A investigação também se debruça sobre a posse de imóveis de luxo em Petrópolis. A Polícia Federal afirma ter fortes indícios de que Castro exercia poderes típicos de proprietário sobre duas residências localizadas no Condomínio Villa Locanda. Embora os imóveis estivessem formalmente vinculados a terceiros, a PF encontrou perfis da Netflix com os nomes de Castro, de sua esposa e de seu filho durante as buscas realizadas. Além disso, o ex-governador teria acompanhado de perto um projeto de adega avaliado em R$ 245 mil. O sommelier responsável pelo projeto confirmou à PF que realizava o trabalho para Castro, que se apresentava como proprietário do imóvel, reforçando as suspeitas sobre a real titularidade e uso das propriedades.
Outro ponto de interesse da investigação é a cobertura onde Cláudio Castro reside na Barra da Tijuca. A PF apura suspeitas relacionadas ao contrato de aluguel do imóvel, que prevê um valor mensal de R$ 10 mil. Os investigadores apontam que este valor está abaixo dos preços encontrados pela Polícia Federal em imóveis semelhantes na mesma região, levantando questionamentos sobre a natureza do acordo de locação.

Interlocução com a Refit e Ambiente Institucional Favorável
A Polícia Federal sustenta que Cláudio Castro mantinha uma interlocução direta com indivíduos ligados à Refit e acompanhava de perto as demandas administrativas da empresa junto ao governo do Rio de Janeiro. Essa proximidade e o suposto acompanhamento de interesses da companhia são centrais para a tese da PF de que houve um favorecimento.
Foi nesse contexto que CLÁUDIO CASTRO edificou, no comando do Executivo fluminense, um ambiente institucional favorável à atuação do Grupo REFIT no Estado do Rio de Janeiro, mediante a espoliação dos seus espaços de poder para influenciar decisões regulatórias e governamentais relevantes para os interesses do conglomerado liderado por RICARDO MAGRO.
A declaração da PF, presente nos documentos da investigação, descreve como Castro teria utilizado sua posição no governo estadual para criar um cenário propício aos negócios da Refit, influenciando decisões regulatórias e governamentais em benefício da empresa. Essa conduta, segundo os investigadores, teria representado uma “espoliação” dos espaços de poder em favor do conglomerado liderado por Ricardo Magro.

A Defesa do Ex-Governador
Diante das acusações e da repercussão da Operação Sem Refino, a defesa do ex-governador Cláudio Castro se manifestou. Em nota, os representantes legais de Castro negam veementemente qualquer participação em esquema de lavagem de dinheiro. A defesa também refuta as alegações de recebimento de vantagem indevida ou de qualquer tipo de favorecimento à empresa Refit. A posição da defesa é de que o ex-governador não cometeu as irregularidades apontadas pela Polícia Federal.

Impacto e Próximos Passos
A Operação Sem Refino e as revelações sobre Cláudio Castro representam um desdobramento significativo na política fluminense e na investigação de crimes financeiros. A retirada do sigilo dos documentos permite um maior escrutínio público sobre as ações do ex-governador e as relações entre o poder público e o setor privado no estado. Os próximos passos da investigação devem incluir a análise aprofundada das provas e a eventual apresentação de denúncias formais, caso os indícios se confirmem e sejam considerados suficientes para embasar acusações criminais.
A apuração da Polícia Federal, sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal, continua em andamento, buscando esclarecer todas as ramificações do suposto esquema e identificar todos os envolvidos. O caso Cláudio Castro e Refit se soma a uma série de investigações que buscam combater a corrupção e a lavagem de dinheiro no Brasil, com foco na integridade das instituições públicas e na transparência das relações entre o governo e as empresas.
Fonte: CNN Brasil — Nacional — matéria original publicada em cnnbrasil.com.br. Imagens e vídeos: CNN Brasil — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
