Um relatório recente da Polícia Federal (PF) trouxe à tona detalhes de uma investigação que apura a conduta do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). O documento, com 112 páginas e assinado em 2 de agosto de 2026, sugere que Castro teria criado um “ambiente institucional favorável” à refinaria Refit, além de manter um canal direto de comunicação com o empresário Ricardo Magro e outros representantes da empresa para tratar de demandas estaduais.

A investigação também levanta suspeitas de lavagem de dinheiro, com indícios de que despesas pessoais do ex-governador teriam sido custeadas por terceiros. Um dos exemplos mais notáveis citados no relatório é o pagamento de R$ 10.500 por caviar, realizado por uma empresa de um terceiro, e o uso de imóveis registrados em nome de outras pessoas, mas supostamente controlados por Castro.

Apurando Favorecimento e Relações Privilegiadas

De acordo com a PF, mensagens extraídas de celulares apreendidos revelam uma relação que ia além do contato institucional esperado entre um governador e uma empresa. Cláudio Castro teria tratado Ricardo Magro, da Refit, como amigo e conversava diretamente com Marcos Joaquim Gonçalves Alves, advogado associado à refinaria, sobre questões administrativas da empresa. Em uma dessas conversas, que abordava a regularização fiscal da Refit, Castro teria afirmado: “Eu toco por aqui”.

A Polícia Federal indica que o ex-governador acompanhava de perto os requerimentos apresentados pela Refit, chegando a informar que havia cobrado providências sobre um deles. Para os investigadores, esses diálogos sugerem um “tratamento diferenciado” por meio de uma interlocução direta com a mais alta autoridade do Estado. A apuração também identificou articulações em torno da renovação da licença ambiental da Refit. Mensagens entre o então secretário estadual de Ambiente, Bernardo Rossi, e Renato Bussiere, que presidia o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), apontam esforços para superar obstáculos técnicos e buscar apoio de integrantes da comissão responsável pela votação.

Despesas Pessoais e Indícios de Lavagem de Dinheiro

Em outra vertente da investigação, a PF detalha a negociação de R$ 10.500 em caviar, com entrega programada para o Hotel Emiliano, em São Paulo. Embora Cláudio Castro tenha informado ao fornecedor que enviaria o comprovante do Pix, o pagamento foi efetuado pela AC Santos Participações e Empreendimentos, empresa do advogado Antônio Carlos da Conceição Santos, conhecido como Pipo. A PF classifica este episódio como um forte indício do uso de uma interposta pessoa para bancar uma despesa privada do ex-governador.

Presidente Jair Bolsonaro com o Gov. Claudio Castro (MDB/RJ) que declarou apoio a reeleição do presidente.| Sérgio Lima/Poder360 00.ago.2022| Sérgio Lima/Poder360 00.ago.2022
Presidente Jair Bolsonaro com o Gov. Claudio Castro (MDB/RJ) que declarou apoio a reeleição do presidente.| Sérgio Lima/Poder360 00.ago.2022| Sérgio Lima/Poder360 00.ago.2022

Os investigadores também apontam que Castro exercia, na prática, controle sobre uma casa de luxo em Petrópolis, embora o imóvel estivesse registrado em nome de terceiros. Mensagens indicam que ele solicitava informações sobre reformas, referia-se às intervenções como “minha obra” e participou ativamente do projeto de uma adega, orçada em R$ 245 mil. O arquivo digital do projeto da adega, inclusive, tinha nos metadados o título “AP Adega Claudio Castro”, reforçando a suspeita de controle sobre o bem.

Na Barra da Tijuca, a PF analisou a cobertura onde Castro residia, com um aluguel de R$ 10.000 mensais. Imóveis semelhantes na região foram encontrados com valores de aluguel entre R$ 25.000 e R$ 29.000. A empresa proprietária da cobertura adquiriu a unidade por R$ 3,48 milhões e, segundo a investigação, abriu sua primeira conta bancária quase três anos após a compra. Para a PF, o conjunto desses fatos sugere o possível uso de estruturas empresariais e terceiros para ocultar a titularidade de bens e custear despesas privadas do ex-governador.

Próximos Passos da Investigação

O relatório da PF solicitou novos mandados de busca e apreensão, além do afastamento dos sigilos financeiro, fiscal e bursátil (operações em bolsa de valores) de investigados ligados ao que foi denominado de “núcleo político” do grupo. Essas medidas visam aprofundar a apuração e coletar mais provas sobre as supostas irregularidades.

Paralelamente a esta investigação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou embargos do Ministério Público Eleitoral e manteve o acórdão do caso Ceperj/Uerj, sem cassação expressa do diploma de Cláudio Castro. A decisão é acompanhada de perto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa a sucessão no governo do Rio de Janeiro.

“Eu toco por aqui”

A assessoria do ex-governador Cláudio Castro e a Refit foram procuradas pelo veículo de origem para se manifestarem sobre o tema, mas não houve resposta até a publicação da reportagem original.

O que isso significa para a região

As investigações envolvendo figuras políticas de alto escalão, como um ex-governador, têm um impacto significativo na percepção pública sobre a governança e a integridade das instituições. Para a população do Norte Pioneiro do Paraná, embora o caso se desenrole no Rio de Janeiro, ele ressalta a importância da transparência e da fiscalização contínua sobre a administração pública em todas as esferas. A apuração de supostos favorecimentos e lavagem de dinheiro reforça a necessidade de mecanismos robustos de controle e combate à corrupção, que afetam diretamente a alocação de recursos e a qualidade dos serviços públicos, impactando a vida dos cidadãos em todo o país.

Fonte: Poder360 — Nacional — matéria original publicada em poder360.com.br. Imagens e vídeos: Poder360 — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.