A rotina da comunidade escolar no Norte do Paraná foi abalada pela revelação de gravações clandestinas em ambiente de privacidade restrita. Dois policiais militares da reserva remunerada que desempenhavam funções no Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, situado no município de Cambé, foram oficialmente retirados de suas atividades funcionais após denúncias de estudantes sobre a instalação de equipamentos de captura de imagem no interior de um banheiro da unidade de ensino.

A confirmação sobre a desvinculação temporária dos agentes de segurança foi formalizada pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED-PR). De acordo com os esclarecimentos prestados pelo órgão público responsável pela gestão educacional, o desligamento imediato das funções é tratado administrativamente como uma medida cautelar, aplicada para resguardar a lisura dos procedimentos investigatórios e a tranquilidade dos estudantes e profissionais da instituição.

Cronologia da localização dos equipamentos no colégio

O episódio veio à tona no início da semana letiva, gerando indignação entre os matriculados e seus respectivos responsáveis. Na segunda-feira, dia 19, uma aluna que frequentava as dependências do educandário percebeu uma irregularidade no espaço sanitário feminino e localizou o primeiro dispositivo instalado de forma camuflada. A situação provocou mobilização interna imediata entre as turmas, que repassaram o alerta sobre a grave violação de privacidade.

Com o desdobramento do caso e a subsequente intervenção das forças de segurança, uma nova varredura no prédio permitiu identificar a existência de outro artefato. A polícia realizou a apreensão de uma segunda câmera também encontrada em instalações sanitárias da mesma instituição de ensino de Cambé, ampliando o escopo da apuração criminal e confirmando que a prática não se limitava a um único aparelho isolado.

Militares e direção são afastados em colégio de Cambé após câmeras
Foto: G1 Paraná — Norte e Noroeste

Afastamento preventivo da equipe diretiva

Antes mesmo da decisão que incidiu sobre os membros da corporação militar lotados na escola, a Secretaria de Educação do Paraná já havia implementado sanções administrativas de ordem cautelar sobre os gestores civis da unidade. Na quarta-feira, dia 21, a diretora e o vice-diretor do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo foram preventivamente retirados dos cargos decisórios pela pasta estadual.

As determinações sucessivas da SEED-PR refletem a necessidade de averiguar a conduta gerencial perante o fato consumado dentro do estabelecimento de ensino. Com isso, os quatro profissionais que desempenhavam papéis de liderança civil e disciplinar na rotina do colégio encontram-se temporariamente afastados de qualquer contato com o corpo discente e com a infraestrutura do educandário durante a tramitação do processo apuratório.

Atuação dos policiais da reserva no modelo cívico-militar

No arranjo pedagógico e administrativo adotado pelo Paraná nos colégios que seguem o formato cívico-militar, policiais militares pertencentes ao quadro da reserva são designados para atuar no acompanhamento comportamental, na coordenação de entrada e saída dos alunos e na supervisão de normas de convivência diária, enquanto os professores e pedagogos preservam a atribuição exclusiva sobre os conteúdos curriculares.

No caso registrado no Érico Veríssimo, a permanência de dois servidores militares que atuavam especificamente sob esse regime tornou-se insustentável a partir do momento em que a denúncia das alunas ganhou corpo formal. O afastamento cautelar busca averiguar a dinâmica interna da fiscalização nos corredores e entender se houve negligência, cumplicidade ou envolvimento direto de pessoas lotadas na própria administração da unidade pública.

Investigação policial e procedimentos técnicos

Os materiais recolhidos no banheiro do colégio foram entregues à autoridade policial para a condução de perícias técnicas indispensáveis. O objetivo primordial da análise pericial reside em extrair memórias de armazenamento, verificar a extensão de eventuais filmagens registradas, identificar os períodos exatos de captação e rastrear a propriedade ou a procedência dos circuitos eletrônicos instalados no local.

Paralelamente ao inquérito penal que busca definir a autoria e os crimes previstos na legislação sobre invasão de privacidade e proteção à infância e juventude, a SEED-PR mantém o processo administrativo disciplinar. O conjunto de medidas vigentes visa assegurar que o ambiente de estudo retorne à normalidade de maneira segura para todas as famílias do Norte paranaense atendidas pelo colégio.

Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.