Equipes de resgate no Nepal retomaram os trabalhos de perfuração em túneis de projetos hidrelétricos neste domingo, 30 de agosto de 2026, na esperança de alcançar mais de 100 trabalhadores que se acredita estarem presos. Os esforços foram intensificados após chuvas e o aumento do nível dos rios terem dificultado as operações durante a noite. A catástrofe foi desencadeada por inundações repentinas e deslizamentos de terra, resultantes do colapso de uma geleira na última quarta-feira, que já causou a morte de pelo menos 750 pessoas e deixou mais de 3.000 desaparecidas.

Esforços Concentrados em Hidrelétricas

O governo nepalês estima que mais de 100 trabalhadores ainda possam estar vivos e presos dentro de múltiplos túneis em projetos hidrelétricos. Os principais esforços de resgate estão focados nos locais de Trishuli 3A e 3B, situados no distrito de Rasuwa, no Nepal. A Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal informou que 933 trabalhadores de hidrelétricas estão entre os desaparecidos.

No sábado à noite, equipes de resgate do exército, utilizando perfuratrizes, conseguiram abrir caminho na parte superior de um túnel encharcado de lama em Trishuli 3A. Imediatamente, começaram a bombear ar para dentro e enviaram uma câmera para avaliação. Contudo, a chuva durante a noite e a elevação do nível dos rios dificultaram os trabalhos na madrugada de domingo, inundando a área de escavação antes que as condições melhorassem.

“À medida que as águas da enchente recuaram, a equipe retomou os esforços para localizar a entrada do túnel usando máquinas de perfuração, escavadeiras, cortadores hidráulicos e outros equipamentos”, afirmou um comunicado do Exército do Nepal neste domingo.

Minelle Fernandez, da Al Jazeera, reportando de Katmandu, capital do Nepal, destacou que o governo solicitou ajuda especializada da Índia e da China para “preencher lacunas” em suas operações de resgate.

“O governo está tentando dar o seu melhor, trazendo esses especialistas para ver se há alguma maneira ou meio de resgatar alguém que ainda esteja vivo”, disse Fernandez.
Resgate no Nepal: Equipes perfuram túneis por trabalhadores presos
Foto: Al Jazeera — Internacional

A Origem da Catástrofe

A catástrofe de quarta-feira foi provocada pelo colapso de parte de uma geleira a aproximadamente 5.200 metros de altitude nos Himalaias. A massa de gelo despencou cerca de 1.200 metros, arrastando rochas e detritos antes de atingir o rio Lende. A onda resultante varreu para o sul, atravessando os distritos de Rasuwa, Nuwakot e Dhading, no Nepal, elevando o nível do rio Trishuli em impressionantes nove metros em apenas 30 minutos.

O Serviço Geológico dos EUA (USGS) revisou sua conclusão inicial de que um terremoto teria sido o gatilho, determinando que o sinal sísmico, na verdade, veio do próprio deslizamento de terra.

Resgate no Nepal: Equipes perfuram túneis por trabalhadores presos
Foto: Al Jazeera — Internacional

Impacto Humano e Material

Jessica Washington, da Al Jazeera, reportando de Dhading, informou que o rio havia recuado no domingo, mas a corrente permanecia forte. As inundações destruíram muitas casas, deixando apenas as fundações, e as que ainda estavam de pé encontram-se “em estado de completo abandono”.

“Conversando com alguns moradores, este [desastre] representa não apenas a destruição de suas casas, mas também de seus meios de subsistência, porque muitos dos moradores nos disseram que tinham pequenas lojas e pequenos negócios nos andares térreos de suas casas e todos os seus produtos – tudo – foi completamente levado”, relatou Washington.

A Autoridade Nacional de Gestão de Desastres do Nepal comunicou neste domingo que 734 corpos foram recuperados. O número de desaparecidos no lado nepalês da fronteira é de pelo menos 2.498. As autoridades chinesas, por sua vez, reportaram que o número de mortos no Tibete aumentou para 16, com 546 pessoas desaparecidas. Katrina Yu, da Al Jazeera, reportando de Pequim, informou que 261 estrangeiros de 23 países estão entre os desaparecidos.

Resgate no Nepal: Equipes perfuram túneis por trabalhadores presos
Foto: Al Jazeera — Internacional

Ajuda Internacional e Desafios

A ajuda internacional começou a chegar de diversas fontes, incluindo as Nações Unidas, a Federação da Cruz Vermelha, Austrália, Índia, Coreia do Sul e Estados Unidos. Os EUA e o Canadá prometeram US$ 3,6 milhões (aproximadamente 3,3 milhões de euros) cada em ajuda humanitária. O Reino Unido ofereceu US$ 6,8 milhões (cerca de 6,3 milhões de euros) em auxílio, enquanto a ONU liberou US$ 2,5 milhões (aproximadamente 2,3 milhões de euros) em financiamento de emergência.

Na sexta-feira, a União Europeia prometeu US$ 2,3 milhões (cerca de 2,1 milhões de euros), e a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) alocou mais de US$ 1 milhão (aproximadamente 920 mil euros) e lançou um apelo de emergência para arrecadar US$ 31 milhões (cerca de 28,5 milhões de euros).

Samer Allawi, da Al Jazeera, observou que as autoridades “ainda não passaram para a segunda fase das operações de socorro, que inclui assistência humanitária e reabertura de estradas”, devido ao “terreno acidentado e à falta de recursos suficientes”. O ministro das Finanças do Nepal estimou as perdas do desastre em “mais de US$ 4 bilhões” (aproximadamente 3,7 bilhões de euros), e alertas permanecem em vigor sobre possíveis inundações ao longo dos rios no norte do Nepal.

O Que Isso Significa para a Região

A tragédia no Nepal, com seu impacto devastador sobre a infraestrutura hidrelétrica e a vida dos trabalhadores, ressalta a vulnerabilidade de regiões montanhosas a eventos climáticos extremos. Para o Norte Pioneiro do Paraná, embora em um contexto geográfico e climático distinto, a notícia serve como um lembrete da importância da resiliência e da adaptação de infraestruturas essenciais, como as de energia, frente a desastres naturais. A dependência de fontes de energia, como as hidrelétricas, exige planejamento robusto de segurança e contingência, especialmente em áreas propensas a fenômenos como inundações e deslizamentos. A interrupção na produção de energia e a perda de vidas humanas em tais projetos evidenciam a necessidade de sistemas de alerta eficazes e de tecnologias que minimizem riscos, além de um forte apoio internacional em momentos de crise.

Leitura da LZ7 Energia

A catástrofe no Nepal, que afetou diretamente projetos hidrelétricos e resultou em trabalhadores presos, destaca a fragilidade das infraestruturas de energia frente a eventos climáticos extremos. Para o setor de energia solar, como o da LZ7 Energia no Norte Pioneiro do Paraná, isso reforça a importância da diversificação da matriz energética. Embora a energia solar não esteja imune a todos os desastres naturais, sua natureza distribuída e modular pode oferecer maior resiliência em comparação com grandes projetos centralizados, como as hidrelétricas. Em regiões sujeitas a fenômenos climáticos severos, a capacidade de rápida recuperação e a menor dependência de grandes estruturas físicas podem ser vantagens significativas. Além disso, a tragédia sublinha a necessidade de investimentos contínuos em segurança e em sistemas de alerta para proteger tanto a infraestrutura quanto os trabalhadores do setor energético, independentemente da fonte.

Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.