O que aconteceu
O Brasil poderá alcançar o segundo menor custo do mundo na produção de energia solar firme até o ano de 2035, atingindo a marca aproximada de US$ 41 por megawatt-hora (MWh). A estimativa faz parte do estudo 24/7 Renewables: The Economics of Firm Solar and Wind, elaborado pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena).
O levantamento avalia a competitividade de usinas solares fotovoltaicas combinadas a sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS). A modelagem adota como premissa a capacidade técnica de entregar eletricidade constante com um índice de 95% de confiabilidade ao longo do tempo.
O que muda
Com a projeção de US$ 41/MWh, o mercado brasileiro empata com Omã na segunda colocação global. O menor custo nivelado projetado para 2035 pertence à China, estimado em cerca de US$ 33/MWh.
Em comparação com outras economias avaliadas no estudo da Irena, o Brasil apresenta custos inferiores aos de diversos polos de geração renovável:
- China: cerca de US$ 33/MWh;
- Brasil e Omã: aproximadamente US$ 41/MWh;
- Índia: US$ 47/MWh;
- Austrália e África do Sul: cerca de US$ 50/MWh;
- Estados Unidos: próximo de US$ 59/MWh (o maior custo entre os países analisados).
O indicador utilizado é o custo nivelado de energia firme (LCOE firme), métrica que calcula quanto custa disponibilizar energia com alto grau de confiabilidade, levando em conta a qualidade da irradiação solar de cada região, as características técnicas dos projetos e a capacidade de armazenamento necessária.
Quem é afetado
A curva de barateamento afeta diretamente o planejamento energético de indústrias, empresas comerciais de médio e grande porte e produtores rurais. Para esses agentes, que demandam previsibilidade operacional e consumo ininterrupto, a viabilização econômica de baterias associadas à geração solar abre caminho para o suprimento firme e contínuo sem a dependência exclusiva de combustíveis fósseis ou de tarifas pontuais mais caras.
Por que isso importa
Historicamente, usinas fotovoltaicas entregam geração variável, restrita aos horários com incidência solar. A integração com sistemas de baterias transforma essa produção intermitente em energia despachável, disponível inclusive em períodos noturnos ou de menor irradiação.
De acordo com a Irena, a trajetória de queda de preços dos módulos fotovoltaicos somada à redução de custos dos sistemas de baterias é o vetor central para tornar essa combinação viável em larga escala até meados da próxima década.
Visão LZ7
O posicionamento de destaque do Brasil decorre da combinação entre excelente recurso solar e escala de mercado. O estudo da Irena reforça que o armazenamento deixará de ser apenas uma solução de nicho para se tornar um componente fundamental de competitividade industrial e segurança de abastecimento, nivelando os custos do Brasil com os mercados mais eficientes do planeta.
O que acompanhar agora
Vale monitorar o ritmo real de queda nos custos de equipamentos de armazenamento importados e nacionais, bem como a estruturação de diretrizes e leilões específicos no setor elétrico para remunerar a confiabilidade e os serviços que as baterias prestam ao sistema.
