Em uma decisão que repercutiu nos bastidores políticos e judiciais do Rio de Janeiro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou em 15 de julho um pedido da Polícia Federal (PF) para realizar uma nova operação de busca e apreensão contra o ex-governador Cláudio Castro. A solicitação da PF visava aprofundar a investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo investimentos do fundo de pensão RioPrevidência no Banco Master.
Investigação e Pedido da Polícia Federal
A Polícia Federal havia solicitado mandados para diversos locais e veículos, fundamentando o pedido na necessidade de obter mais provas para a apuração. A investigação se concentra em um suposto esquema que teria envolvido o controlador do Banco Master, Daniel Bueno Vorcaro, o ex-governador Cláudio Castro, Ricardo Siqueira Rodrigues e outras pessoas que teriam sido indicadas pelo então chefe do Executivo fluminense. As suspeitas incluem crimes contra a administração pública, crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
A PF argumentou que Castro poderia estar utilizando endereços não registrados diretamente em seu nome para ocultar documentos, valores ou outros elementos de prova, especialmente após uma primeira operação realizada em 26 de maio. Entre os locais citados pela Polícia Federal estava a sala 2801 de um edifício localizado na Rua da Assembleia, no Centro do Rio. A representação policial indicou que imagens teriam registrado pessoas ligadas ao ex-governador transportando caixas e outros volumes para essa sala comercial na véspera da operação inicial. A PF também apontou que o imóvel estava formalmente locado em nome de Albano Batista Filho, corretor imobiliário e vice-prefeito de Petrópolis.
Locais e Itens Alvo da Solicitação
Os alvos específicos do pedido de busca e apreensão da PF incluíam:
- Uma sala comercial no Centro do Rio (sala 2801 de um edifício na Rua da Assembleia).
- Um imóvel residencial em Petrópolis, localizado no complexo Locanda Della Mimosa.
- Dois veículos: um Jeep Commander e um Toyota Corolla, supostamente utilizados pelo ex-governador e sua equipe.
Além dos locais físicos e veículos, a Polícia Federal também solicitou autorização para apreender e acessar equipamentos eletrônicos, como celulares, computadores, tablets, mídias digitais e dados armazenados em nuvem, visando a obtenção de informações relevantes para a investigação.

Posicionamento da PGR e Decisão do STF
A Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado favoravelmente ao pedido da Polícia Federal. O procurador-geral Paulo Gonet considerou pertinentes as buscas nos endereços e veículos indicados, e concordou com o acesso aos equipamentos eletrônicos que eventualmente fossem apreendidos, sinalizando a importância da diligência para o avanço das investigações.
No entanto, a decisão do ministro André Mendonça divergiu do parecer da PGR. Em sua deliberação, Mendonça afirmou que a representação policial não apresentou elementos suficientes para justificar uma nova medida de busca e apreensão. O ministro destacou que o ex-governador Cláudio Castro já havia sido alvo de uma operação semelhante em 26 de maio e que uma nova diligência invasiva exigiria uma demonstração mais robusta de necessidade e de novos indícios que justificassem a medida.
Contexto da Investigação
A investigação do caso RioPrevidência x Banco Master apura um complexo esquema de supostas irregularidades em investimentos. O fundo de pensão RioPrevidência, responsável pela aposentadoria de servidores públicos do Rio de Janeiro, é um órgão de grande importância social e econômica para o estado. Qualquer suspeita de má gestão ou desvio de recursos em fundos de pensão levanta sérias preocupações sobre a segurança financeira dos beneficiários e a integridade da administração pública.
A decisão do STF sublinha a rigorosidade do Poder Judiciário em relação a medidas invasivas, como buscas e apreensões, exigindo que as forças policiais apresentem provas contundentes e justificativas sólidas para cada nova etapa de uma investigação, especialmente quando o investigado já foi alvo de operações anteriores. A apuração segue em andamento, com a PF buscando outras formas de avançar na elucidação dos fatos sem a nova diligência negada pelo STF.
Fonte: Metrópoles — Nacional — matéria original publicada em metropoles.com. Imagens e vídeos: Metrópoles — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
