Uma nova tarifa de 15% imposta pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos sobre as importações de produtos de polissilício está gerando um aumento significativo nos preços dos módulos solares, com projeções indicando uma elevação de pelo menos 40%. A medida, que entra em vigor em 4 de dezembro, tem levado empresas do setor a correr contra o tempo para garantir suprimentos a custos mais baixos antes do prazo final.
A Anza, uma empresa especializada em dados e análises de energia solar e armazenamento, recomenda que os desenvolvedores priorizem o estoque já disponível nos EUA e avaliem quais remessas adicionais podem passar pela alfândega antes da data limite. Além disso, a empresa sugere que sejam garantidos suprimentos com conteúdo doméstico, considerando a possibilidade de combinar produtos nacionais e importados para reduzir o investimento de capital (CapEx) total.
Impacto da Tarifa e Estratégias de Mitigação
A tarifa de 15% incidirá sobre polissilício, bem como sobre lingotes, wafers, células e módulos solares. A Anza relata que o preço médio dos módulos importados era de US$ 0,27/W antes da proclamação de 7 de agosto, e agora já atingiu US$ 0,38/W para entregas após 4 de dezembro entre os fornecedores que já reajustaram seus preços – um aumento superior a 40%.
A medida é resultado de uma investigação da Seção 232, na qual o Secretário de Comércio determinou que a quantidade e as circunstâncias das importações de polissilício representam uma ameaça à segurança nacional dos EUA. Este tipo de investigação permite ao presidente impor tarifas ou outras restrições a importações consideradas uma ameaça à segurança nacional.
O desafio para os desenvolvedores é agir rapidamente para garantir custos mais baixos antes que a precificação mínima entre em vigor. As opções incluem adquirir módulos já nos EUA, acelerar as importações ou ajustar as estratégias de aquisição para preservar a viabilidade econômica dos projetos.
A Anza também aconselha a revisão de contratos para entender como a exposição a tarifas retroativas e riscos de estocagem é alocada, e, sempre que possível, buscar compromissos por escrito dos fornecedores para absorver esses riscos.
Cenário Atual e Futuro da Cadeia de Suprimentos
Em 9 de setembro, 55% dos fornecedores ativos na plataforma da Anza já apresentavam preços incluindo a tarifa da Seção 232, cobrindo 65% dos módulos disponíveis. Embora a Anza ainda tenha acesso a suprimentos de menor custo antes do prazo, a 'janela está diminuindo'. Em cotações onde a Anza pode comparar o mesmo produto (SKU) e termos contratuais, os preços aumentaram cerca de 15%.

Apesar dos desafios imediatos, o futuro promete um fortalecimento da manufatura nos EUA em toda a cadeia de suprimentos. A Solar Energy Industries Association (SEIA) — Associação das Indústrias de Energia Solar dos EUA — informa que o país possui atualmente 75,3 GW de capacidade de fabricação de módulos, o que seria suficiente para atender à demanda atual do mercado. No entanto, a capacidade é menor em etapas anteriores da cadeia de suprimentos.
A SEIA prevê um salto na fabricação de lingotes e células no próximo ano, e para polissilício e wafers até 2028, indicando um movimento em direção à autossuficiência.
Janela Crítica de Aquisição
Aaron Hall, presidente da Anza, enfatiza que os desenvolvedores que estão no processo de aquisição agora estão entrando na 'janela de aquisição mais crítica'. Ele alerta que não é possível esperar até 4 de dezembro para tomar uma decisão, pois os módulos precisam de tempo para serem enviados e passarem pela alfândega dos EUA antes do prazo final.
"Os desenvolvedores precisam entender o que está disponível agora, a que preço e em que termos, e agir rapidamente na estratégia que faça mais sentido para o seu projeto", afirmou Hall.
A situação exige agilidade e uma análise cuidadosa das opções disponíveis para minimizar o impacto financeiro das novas tarifas e garantir a continuidade dos projetos de energia solar nos Estados Unidos.
Leitura da LZ7 Energia
A imposição de tarifas nos Estados Unidos sobre produtos de polissilício, um componente essencial para módulos fotovoltaicos, ilustra a complexidade e a interconexão do mercado global de energia solar. Embora a medida seja específica para o mercado americano, ela pode gerar ondas de impacto em outras regiões. O aumento dos custos de módulos importados nos EUA pode, por exemplo, direcionar a produção de outros países para mercados onde não há tarifas, ou, em um cenário de escassez, afetar indiretamente a disponibilidade global e os preços. Para empresas como a LZ7 Energia, que atuam no Norte Pioneiro do Paraná, é fundamental monitorar essas dinâmicas. Flutuações nos preços internacionais de componentes podem, em última instância, influenciar os custos de aquisição de equipamentos e, consequentemente, o preço final da energia solar para o consumidor brasileiro. A busca por fornecedores diversificados e a análise de cenários de risco são estratégias importantes para mitigar os efeitos de políticas comerciais globais na oferta e demanda de energia limpa.
Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
