Em um movimento que promete intensificar a guerra contra o narcotráfico no Hemisfério Ocidental, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu a coalizão 'Escudo das Américas' em Nova York. O encontro, realizado à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) em 22 de setembro de 2026, teve como foco a mobilização de uma 'força militar inigualável' contra os cartéis de drogas que atuam na região.
Trump instou os países membros da aliança a se unirem aos EUA na mira de 24 organizações criminosas, as quais ele descreveu anteriormente como o 'ISIS do Hemisfério Ocidental'. A proposta central é a designação formal desses grupos como 'ameaças comuns à estabilidade' e a aplicação de 'sanções esmagadoras'.
A Coalizão e Seus Objetivos
A coalizão 'Escudo das Américas' é composta por 15 governos alinhados com a postura de Trump, incluindo Argentina, Equador e El Salvador. Colômbia e Peru aderiram após a posse de presidentes alinhados a Trump nos últimos meses. Brasil e México, no entanto, não se juntaram à iniciativa.
Após a reunião, os governos participantes emitiram uma declaração conjunta. O documento expressa a intenção de impor congelamento de bens e restrições de visto a membros e apoiadores dos grupos criminosos, além de buscar acusações criminais contra eles.
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que também esteve presente, elogiou o surgimento de 'líderes fortes comprometidos com o desafio de enfrentar o terrorismo transnacional'. A reunião representa o mais recente esforço da administração para angariar apoio regional a uma abordagem mais agressiva ao tráfico de drogas.

Organizações Criminosas na Mira
A lista de 24 organizações criminosas a serem designadas como 'terroristas' inclui grupos de grande notoriedade e alcance regional. No topo da lista estão duas organizações já declaradas 'terroristas' por Washington:
- Mara Salvatrucha (MS-13): Uma das gangues criminosas mais poderosas da América Central.
- Tren de Aragua: Uma gangue venezuelana com atuação também na Colômbia, Peru e Chile.
A lista abrange ainda importantes cartéis mexicanos, grupos armados colombianos como o Exército de Libertação Nacional (ELN), e facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. O Sendero Luminoso, do Peru, também foi incluído.
Desafios e Reações Regionais
Apesar da declaração conjunta, a implementação das medidas propostas enfrenta desafios. Alessandro Rampietti, correspondente da Al Jazeera em Bogotá, Colômbia, observou que a declaração é, por enquanto, em grande parte simbólica, pois cada país deve seguir seus próprios procedimentos legais.
“Por exemplo, aqui na Colômbia, será necessária a aprovação de uma lei no Congresso. Entendemos que o governo daqui pediu ao Congresso que avance na elaboração de tal lei. Portanto, embora as consequências possam não ser imediatas, este é claramente um passo importante para a construção do que os EUA têm tentado fazer na América Latina por meio desta aliança,”
declarou Rampietti.
Desde seu retorno ao cargo no ano passado, Trump designou cartéis como organizações terroristas estrangeiras e ordenou dezenas de ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico Leste, que, segundo autoridades americanas, transportavam narcóticos para os EUA. Esses ataques resultaram na morte de mais de 223 pessoas, e especialistas da ONU afirmam que violam o direito internacional e podem equivaler a crimes contra a humanidade.

A Estratégia de Segurança Nacional da administração Trump, divulgada no final do ano passado, delineou planos para uma Doutrina Monroe reformulada, a política do século XIX que afirmava a primazia dos EUA no hemisfério e que críticos associam a décadas de intervenção americana. Trump também falou em retomar o Canal do Panamá e anexar a Groenlândia e o Canadá. Em 22 de setembro, ele assinou um acordo sobre a Groenlândia que não atendeu à sua demanda de que a ilha se tornasse território dos EUA.
O foco no hemisfério tem gerado preocupações em toda a região. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso na ONU, criticou a abordagem, alertando os países da América Latina e do Caribe sobre 'renovadas tentações hegemônicas'.
“O Brasil não é quintal de ninguém,”
afirmou Lula, em uma clara referência à postura americana.
Leitura da LZ7 Energia
A instabilidade gerada pelo narcotráfico e pelas respostas militares a ele pode ter impactos indiretos na infraestrutura e economia regional. Conflitos e sanções podem afetar cadeias de suprimentos, investimentos e a segurança energética, especialmente em regiões fronteiriças ou com forte presença de grupos criminosos. A busca por soluções que garantam a estabilidade e o desenvolvimento econômico é crucial para a atração de investimentos em setores como o de energia solar, que dependem de um ambiente seguro e previsível para prosperar e contribuir com o desenvolvimento local.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
