WASHINGTON, D.C. — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, encerraram na sexta-feira uma visita de estado de três dias à capital americana. O encontro, que marcou a primeira viagem formal de Xi a Washington em 11 anos, foi caracterizado por uma notável exibição de hospitalidade e pompa, mas gerou poucos acordos concretos em questões cruciais, segundo análises de especialistas e observadores.

Apesar da ausência de avanços significativos em temas como a regulação da inteligência artificial, a guerra no Irã ou outros desafios globais, o ponto mais tangível do encontro foi a extensão de uma trégua comercial existente entre as duas potências. A visita foi amplamente televisionada na China, mas teve uma cobertura mais restrita nos EUA, após a proibição de três veículos de notícias da Casa Branca por parte da administração Trump na semana anterior.

Um Encontro de Pura Cerimônia

Desde a chegada de Xi Jinping, a visita foi orquestrada com grande formalidade. O presidente Trump o recebeu pessoalmente na pista do aeroporto, um gesto raro para um líder estrangeiro. A agenda incluiu um jantar de estado de gala, um chá com as primeiras-damas e uma visita aos Arquivos Nacionais, tudo pontuado por demonstrações militares e cerimoniais.

Entre os elementos mais visíveis da visita, destacaram-se:

  • Recepção na Pista: Trump e a primeira-dama Melania Trump aguardaram Xi na escada do avião na Base Conjunta Andrews, a primeira vez que Trump viajou à base para receber um líder estrangeiro.
  • Jantar de Estado: Um jantar formal foi oferecido a Xi, com a presença de CEOs de tecnologia e finanças.
  • Visita aos Arquivos Nacionais: Um dos pontos culturais da agenda.
  • Demonstrações Militares: Exibições de poder militar sincronizadas, com músicos, guardas de bandeiras, rifles e marchas em formação em vários locais. Houve uma revisão militar no Rose Garden recém-pavimentado, com a participação de grupos como U.S. Army Herald Trumpets, Old Guard Fife and Drum Corps do Exército e o Silent Drill Platoon e Drum and Bugle Corps dos Fuzileiros Navais.
  • Sobrevoos: Aeronaves militares realizaram sobrevoos em baixa altitude na quarta e quinta-feira.
  • Tour pelo Heliponto: Trump levou Xi para um tour pelo recém-construído heliponto fora da Casa Branca, comentando que o líder chinês “ama um bom granito”.

Apesar do alto nível de hospitalidade ser comum em visitas de estado, a abordagem de Trump foi notavelmente exuberante. Ryan Hass, diretor do John L. Thornton China Center da Brookings Institution, observou que:

“Trump levou a pompa mais longe do que a maioria de seus antecessores. A porção do dia dedicada à discussão substantiva é menor do que a quantidade de tempo que ambos os líderes passarão em assuntos cerimoniais.”

Para Scott Kennedy, consultor sênior do Center for Strategic and International Studies e estudioso da economia chinesa, o foco na calmaria pode ter sido intencional, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando nos EUA. “Com as taxas de juros atingindo níveis recordes, ele não quer deixar os mercados ainda mais apreensivos”, afirmou Kennedy.

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Trégua Comercial Estendida e Pandas para Atlanta

O resultado mais concreto da visita foi o anúncio da extensão da trégua comercial entre EUA e China. O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, informou que o acordo, que estava prestes a expirar em novembro, foi prolongado até 10 de janeiro do próximo ano, representando uma extensão de dois meses. Xi Jinping, por sua vez, mencionou um “novo arranjo conjunto” sobre o comércio bilateral, sem especificar a data, de acordo com o comunicado de Pequim.

A trégua original, firmada após um encontro entre Trump e Xi em Busan, Coreia do Sul, resultou na redução de tarifas americanas e na suspensão dos controles de Pequim sobre as exportações de terras raras e minerais críticos, entre outras provisões. Especialistas em China indicaram à CNBC que uma extensão mais curta, como a anunciada, pode favorecer os EUA, que podem usar a perspectiva de renovação das hostilidades comerciais como alavanca em futuras negociações.

Além da trégua, Xi Jinping prometeu enviar um par de pandas para o zoológico de Atlanta, revivendo a “diplomacia do panda” como um gesto de boa vontade.

Os dois líderes devem se encontrar mais duas vezes este ano: na cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) em Shenzhen, China, em novembro, e no G20 em Miami, em dezembro.

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Armadilhas e Competição Saudável

A retórica chinesa durante a visita demonstrou uma confiança notável. Xi Jinping, ao chegar à Casa Branca, afirmou que a “Armadilha de Tucídides pode ser superada”, segundo o comunicado chinês. A “Armadilha de Tucídides” refere-se à tendência histórica de tensões entre uma potência ascendente e uma potência dominante levarem à guerra.

Xi enfatizou que os dois países podem ter uma competição “saudável” sem confronto. “Deve ser uma corrida para alcançar um ao outro, não uma luta em que um vence ou perde”, declarou. Cui Shoujun, professor da Escola de Estudos Internacionais da Universidade Renmin da China, traduzido pela CNBC, considerou o estabelecimento de uma linha de base – competir intensamente sem conflito militar – como o “resultado político mais significativo” da cúpula, injetando “certeza na volátil relação bilateral”.

Os comentários de Trump na chegada de Xi à Casa Branca focaram na colaboração geral. O presidente dos EUA não comentou sobre Taiwan durante a cúpula, apesar de Xi ter pedido aos EUA que “se oponham à ‘independência de Taiwan’”, conforme o comunicado de Pequim.

A situação no Oriente Médio também foi discutida. Zhai Jun, enviado especial da China para o Oriente Médio, afirmou em um evento em Singapura que “a situação no Oriente Médio foi um grande problema na discussão dos líderes que acabou de acontecer, e o consenso que eles alcançaram lá será crítico para esfriar a temperatura no conflito”.

Chinese view Trump’s fawning over Xi Jinping as ‘weakness,’ says Jeff Moon
Chinese view Trump’s fawning over Xi Jinping as ‘weakness,’ says Jeff Moon

Inteligência Artificial: Poucos Avanços

Apesar das crescentes preocupações de líderes tecnológicos e legisladores dos EUA sobre os riscos da inteligência artificial (IA) em rápido avanço, nenhum dos lados sinalizou grandes passos para regulamentar a tecnologia.

Antes da chegada de Xi, Trump expressou sua posição sobre a IA em uma postagem no Truth Social: “Quero deixar exatamente como está. Essa é a posição da China também.” Xi, por sua vez, adotou um tom diferente na Casa Branca, afirmando que EUA e China têm “tanto a capacidade quanto a responsabilidade de desenvolver e gerenciar a IA para o bem, e garantir que o desenvolvimento da IA esteja sempre sob controle humano e sirva ao bem-estar das pessoas”. O líder chinês sublinhou a necessidade de cooperação entre os dois países em IA.

Ho-Fung Hung, especialista em China e professor da Johns Hopkins University, disse à CNBC que tanto Trump quanto Xi estão sendo “puxados em duas direções” ao equilibrar os objetivos de um crescimento vertiginoso da IA com as preocupações sobre a tecnologia saindo do controle. No entanto, o tema careceu de anúncios públicos específicos, em meio a uma enxurrada de oportunidades para fotos.

Cobertura de Mídia Restrita

Apesar da grandiosidade dos eventos, a cobertura televisiva nos EUA foi limitada. Isso se deveu à suspensão temporária da cobertura de pool de TV da Casa Branca, implementada em solidariedade à MS NOW, CNN e Politico. Essas emissoras foram banidas por Trump na semana anterior, sob a alegação de “reportagens prejudiciais”.

Embora um juiz federal tenha ordenado à Casa Branca que restaurasse o acesso às três emissoras por até duas semanas, alguns jornalistas delas foram inicialmente impedidos de entrar na Casa Branca na quinta-feira, enquanto veículos de mídia estatais chineses tiveram acesso. O acesso foi totalmente restaurado mais tarde na quinta-feira, conforme um documento judicial da administração Trump. Em uma postagem no Truth Social, Trump reclamou que os canais não transmitiram a chegada de Xi, descrevendo o momento como “Feito para a Televisão”.

Beijing upbeat after Trump rolls out red carpet for Xi
Beijing upbeat after Trump rolls out red carpet for Xi

O que isso significa para a região

A visita de estado entre os líderes das duas maiores economias mundiais, embora focada em espetáculo e com poucos acordos concretos, tem implicações indiretas para regiões como o Norte Pioneiro do Paraná. A extensão da trégua comercial, por exemplo, sugere uma continuidade da estabilidade nas relações comerciais globais, o que pode impactar mercados de commodities e a cadeia de suprimentos internacional. A ausência de grandes rupturas ou escaladas de tensões é geralmente vista como um fator positivo para a previsibilidade econômica. No entanto, a falta de progresso em questões como a regulação da inteligência artificial pode indicar incertezas futuras em setores de alta tecnologia, que eventualmente podem influenciar o desenvolvimento e a inovação em escala global.

Leitura da LZ7 Energia

A estabilidade nas relações comerciais entre as duas maiores potâncias globais, EUA e China, mesmo que temporária com a extensão da trégua, é um fator que contribui para um ambiente econômico global mais previsível. Para o setor de energia, especialmente a energia solar, isso pode significar uma menor volatilidade nos preços de componentes importados e na cadeia de suprimentos. A China é um player dominante na fabricação de painéis solares e outros equipamentos, e qualquer escalada de tensões comerciais poderia impactar diretamente os custos de instalação e a viabilidade de projetos no Brasil. A manutenção de um diálogo, mesmo que cerimonial, entre as nações ajuda a mitigar riscos de rupturas que poderiam encarecer a tecnologia e desacelerar a transição energética em regiões como o Norte Pioneiro do Paraná, onde a LZ7 Energia atua.

Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.