Pelo menos quatro civis perderam a vida e outros nove ficaram feridos em um ataque de míssil atribuído ao grupo houthi no sudoeste do Iêmen. O incidente, que ocorreu no sábado, 5 de setembro de 2026, teve como alvo uma aglomeração de civis em uma estrada estratégica, a Heijah al-Abd, localizada ao sul da cidade de Taiz. A informação foi divulgada pela agência de notícias estatal iemenita Saba, que citou fontes locais e médicas.

O ataque acontece em um cenário de intensos combates em diversas frentes de batalha nas províncias de Taiz e Hodeidah, regiões cruciais para o controle do território iemenita. O grupo houthi, apoiado pelo Irã, tem sido uma das partes centrais no conflito que assola o país há anos.

Escalada de Conflitos e Avanços Militares

A escalada da violência segue relatos das forças governamentais iemenitas de que conseguiram retomar várias posições estratégicas na frente de Haifan, também ao sul de Taiz. Uma fonte militar da 4ª Brigada Hazm informou à agência Saba que as tropas do governo capturaram diversas colinas estratégicas, incluindo al-Wathra, Saeed Taha, Dhiban, al-Khadira e al-Najdain.

Oficiais militares afirmaram que essas posições oferecem uma visão privilegiada do mercado de al-Khazja e são cruciais para cortar as linhas de suprimento dos houthis que se dirigem a várias frentes nas províncias de Taiz, no sul, e Lahj, no noroeste.

Forces loyal to Yemen's Saudi-backed government ride in pick-up trucks along a road in the Hays district, south of Hodeidah, on September 5, 2026 [Khaled Ziad/AFP]
Forces loyal to Yemen's Saudi-backed government ride in pick-up trucks along a road in the Hays district, south of Hodeidah, on September 5, 2026 [Khaled Ziad/AFP]

Contudo, os rebeldes houthis também registraram avanços. Na parte ocidental de Taiz, eles conseguiram assumir o controle de uma base militar estratégica, situada no topo de uma montanha, o que lhes concede uma visão panorâmica de toda a área. Reforços do lado governamental já estão a caminho, com o objetivo principal de recapturar as áreas que caíram sob o controle dos houthis, e não apenas de ganhar novo território.

Disputa pelo Mar Vermelho e Crise Humanitária

Os combates intensos não se limitam a Taiz. Yousef Mawry, correspondente da Al Jazeera em Sanaa, capital do Iêmen, reportou que batalhas significativas também estão ocorrendo em outras partes do país. Segundo Mawry, o objetivo dos houthis parece ser avançar em direção a Bab al-Mandeb e conquistar território em direção à cidade portuária de al-Makha (Mocha), no Mar Vermelho.

Especialistas militares indicam que o controle da costa do Mar Vermelho é um objetivo primordial para os houthis, o que exige a segurança de áreas no sul de Hodeidah e no oeste de Taiz. A cidade portuária de al-Makha, que supervisiona o Estreito de Bab al-Mandeb – uma ligação vital entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden – esteve sob controle houthi antes de ser retomada em 2017 pelas forças governamentais e pela coalizão liderada pela Arábia Saudita.

Em julho, o grupo rebelde declarou um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, adicionando mais uma camada de complexidade ao conflito. A intensificação súbita da violência desencadeou uma nova crise humanitária na região.

“O objetivo parece ser para os houthis avançar em direção a Bab al-Mandeb, e ganhar território em direção à cidade e à cidade portuária de al-Makha [Mocha] no Mar Vermelho”, afirmou Yousef Mawry, da Al Jazeera.

Impacto Humanitário e Deslocamento Forçado

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que os recentes combates forçaram quase 1.800 famílias a fugir de suas casas em menos de 48 horas. O intenso bombardeio nos distritos de Maqbanah e Jabal Habashi, em Taiz, esvaziou completamente vários campos de pessoas deslocadas. A maioria das famílias conseguiu se deslocar para locais mais seguros dentro dos mesmos distritos, enquanto outras fugiram para áreas próximas.

Ataque Houthi no Iêmen Mata Civis e Intensifica Conflito Perto de Taiz
Foto: Al Jazeera — Internacional

Organizações de ajuda humanitária alertaram que algumas famílias permanecem presas diretamente nas linhas de frente, necessitando desesperadamente de passagem segura. Aqueles que conseguiram escapar chegam com quase nenhuma comida, abrigo ou suprimentos básicos. Os esforços de socorro enfrentam obstáculos significativos, pois as redes de telefone e internet permanecem cortadas nas zonas de combate. Grupos de ajuda também alertaram que os estoques de emergência estão “severamente esgotados”, deixando-os com “capacidade limitada” para ajudar os deslocados.

O que isso significa para a região

A escalada do conflito no Iêmen, com ataques a civis e a disputa por rotas marítimas estratégicas, sublinha a contínua instabilidade que afeta milhões de pessoas. A interrupção de linhas de suprimento e a destruição de infraestrutura, incluindo redes de comunicação, dificultam não apenas a vida diária, mas também os esforços de ajuda humanitária. A situação no Iêmen continua sendo uma das maiores crises humanitárias do mundo, com a população civil pagando o preço mais alto pela prolongada guerra.

Leitura da LZ7 Energia

A instabilidade em regiões estratégicas como o Iêmen, especialmente aquelas que controlam importantes rotas marítimas como o Estreito de Bab al-Mandeb, tem implicações globais que podem afetar indiretamente a economia e, consequentemente, o custo da energia. O controle sobre essas passagens é vital para o transporte de petróleo e gás natural, e qualquer interrupção ou ameaça de interrupção pode levar a flutuações nos preços internacionais. Embora o Norte Pioneiro do Paraná não seja diretamente impactado pelos combates, a instabilidade geopolítica e os riscos à cadeia de suprimentos energética global podem, a longo prazo, influenciar os custos de combustíveis e a inflação, afetando o poder de compra e o custo de vida, inclusive no Brasil. A dependência de fontes de energia importadas torna o país vulnerável a esses choques externos, ressaltando a importância de uma matriz energética diversificada e da busca por fontes renováveis para maior autonomia e estabilidade.

Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.