Um estudo aprofundado realizado pela Volta Foundation, por meio de seu comitê de Infraestrutura de IA e Data Centers, trouxe à tona uma análise detalhada sobre a real competitividade dos Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) no suprimento de energia para data centers. O relatório, divulgado em 12 de setembro de 2026, examina os cenários onde o BESS se mostra atrativo e onde ainda enfrenta obstáculos, oferecendo uma visão abrangente para o setor que lida com a crescente demanda por infraestrutura de dados.

As vantagens notáveis do BESS para desenvolvedores de data centers já são amplamente reconhecidas. Fornecedores como Energy Vault, Eolian, Fluence, Hithium, ZincFive, entre outros, estão ativamente suprindo seus sistemas para data centers. Paralelamente, grandes empresas de hiperescala de IA, como Alibaba, Tencent, ByteDance, Meta, Google e Microsoft, têm investido significativamente em BESS. Os dois principais fatores de vitória do BESS são a velocidade de fornecimento de energia (speed-to-power) e o custo de energia por megawatt-hora, que se mostra mais barato em comparação com o gás natural.

Onde o BESS se Destaca

O relatório da Volta Foundation enfatiza que a flexibilidade é o principal benefício das baterias para data centers e operadores de rede. O BESS se posiciona como uma solução eficaz em diversas aplicações, especialmente aquelas que recompensam a velocidade e os ciclos diários de carga e descarga. Isso inclui a redução de picos de demanda (peak shaving) para mitigar tarifas de demanda e o fornecimento de energia de transição (bridge power) como uma camada de bateria em sistemas híbridos de gás ou motor.

A capacidade do BESS de descarregar durante as horas mais caras, por exemplo, é um diferencial significativo na gestão de tarifas de demanda. Contudo, a eficácia econômica dessa aplicação está intrinsecamente ligada à estrutura tarifária de cada região; em áreas sem tarifas de demanda, essa vantagem econômica se dilui. Para o fornecimento de energia de transição, que garante energia para os ativos do data center enquanto aguardam conexão à rede, o BESS é crucial. No entanto, o relatório aponta que baterias autônomas raramente cumprem essa função sozinhas, e as células a combustível emergem como um concorrente para essas aplicações.

Além disso, o BESS compete com sucesso onde as ferramentas de software e a eletrônica de potência evoluíram, abrangendo flexibilidade de curtailment (redução de geração), suporte a sistemas de alimentação ininterrupta (UPS) para continuidade de energia, serviços de rede e qualidade de energia em sub-segundos.

“O BESS conquista os trabalhos que recompensam a velocidade e os ciclos diários: redução de picos de demanda contra taxas de demanda, e energia de transição como a camada de bateria de um híbrido a gás ou motor,” afirmou o relatório, ressaltando que, embora as baterias não possam resolver todos os problemas, elas estão unicamente posicionadas para resolver algumas das questões mais urgentes.

Desafios e Oportunidades de Melhoria

Apesar de suas vantagens, o relatório da Volta Foundation identificou quatro áreas onde as baterias estão competindo, mas ainda não vencendo, e duas onde estão perdendo oportunidades para outras tecnologias. Grandes baterias permanecem não competitivas em trabalhos que exigem energia sustentada, backup de longa duração e energia primária contínua. Aplicações de backup de longa duração, que excedem quatro horas, ainda são dominadas por geradores a diesel, enquanto a energia primária contínua é principalmente atendida por turbinas a gás e células a combustível.

A Volta Foundation observou que o caso de uso das baterias para data centers poderia receber um impulso significativo à medida que os reguladores continuam a pressionar por maior flexibilidade na rede. Da mesma forma, as mudanças nas arquiteturas de energia dentro dos data centers e a escassez na cadeia de suprimentos de turbinas a gás também estão impulsionando os operadores a considerar as baterias como uma alternativa viável.

Obstáculos na Implementação e Integração

Um dos maiores entraves para os fornecedores de energia que tentam atender às demandas dos data centers é a falta de visibilidade da carga. As baterias poderiam agregar valor de forma mais eficaz com uma compreensão aprofundada das necessidades de energia dos data centers. Atualmente, não há uma maneira claramente definida de integrar baterias em um data center, e essa incerteza representa um risco para os investidores. Os problemas que surgem durante a fase de implantação tendem a aparecer principalmente no comissionamento e durante os primeiros dois anos de operação. Os maiores culpados são a integração, os controles e a governança de despacho, e não a química das células.

O comitê de Infraestrutura de IA e Data Centers da Volta Foundation apela por maior colaboração entre desenvolvedores, empresas de baterias e integração, e operadores de rede para definir um perfil de carga que a indústria possa projetar. Nos próximos anos, espera-se um aumento na implantação de data centers globalmente, tornando essa colaboração ainda mais crítica.

Recomendações e Perspectivas Futuras

O relatório da Volta Foundation conclui com uma série de recomendações direcionadas aos diversos stakeholders envolvidos. Para desenvolvedores de data centers e empresas de hiperescala, a sugestão é projetar arquiteturas híbridas desde o início e especificar a bateria para uso diário, de modo que a capacidade de backup seja um subproduto. Além disso, como a velocidade é um fator determinante para a viabilidade de um projeto, as empresas de hiperescala devem classificar as opções de energia com base no tempo de fornecimento de energia, além do custo nivelado.

Operadores de rede e formuladores de políticas devem padronizar a interconexão baseada em curtailment, esclarecer as taxas de despacho e a participação no mercado para baterias que atendem grandes cargas, e padronizar as tarifas para grandes cargas para evitar confusão e atrasos. Por fim, as empresas de baterias e integração devem aumentar o foco na pilha tecnológica e desenvolver produtos baseados no arquétipo da carga. Por exemplo, algumas cargas exigem células de alta potência, enquanto outras demandam células com alta densidade de energia.

“Se a interconexão baseada em curtailment se tornar a norma e a economia de duração continuar a melhorar, então o BESS instalado também ganhará um papel operacional permanente na modelagem da carga, redução de picos e venda de serviços de rede durante a vida útil da instalação,” afirmou o relatório. “No entanto, se as filas de conexão forem liberadas mais rapidamente do que o esperado e o fornecimento de gás se flexibilizar, mais baterias retornarão ao status de backup ocioso,” alertaram os autores.

Em qualquer cenário, as baterias oferecem um valor independente da economia de arbitragem, atuando como uma camada de gerenciamento de energia da instalação. Contudo, a extensão desse valor dependerá dos próximos passos da indústria e dos reguladores. Empresas de hiperescala como Google e xAI parecem preferir a integração vertical de seu armazenamento, e se esse padrão continuar, com o operador do data center se tornando o maior comprador de baterias em escala de rede, isso poderá ter consequências na especificação e financiamento dos sistemas. Os Estados Unidos são apontados como o maior mercado de BESS para data centers e estão reescrevendo as regras de como essas cargas se conectam.

O Futuro Próximo do BESS em Data Centers

O relatório da Volta Foundation projeta que os próximos dois a três anos serão decisivos para determinar se as baterias serão lembradas como uma ponte que a indústria cruzou ou como uma estrutura permanente que construiu. A evolução das políticas regulatórias, a inovação tecnológica e a colaboração entre os diversos atores do ecossistema de energia e dados serão cruciais para moldar o papel do BESS no futuro dos data centers.

Leitura da LZ7 Energia

A análise da Volta Foundation sobre a competitividade do BESS para data centers ressalta a crescente importância do armazenamento de energia em baterias para a estabilidade e eficiência de grandes consumidores de eletricidade. Para o Norte Pioneiro do Paraná e outras regiões com potencial para energia solar, a demanda por soluções de armazenamento pode impulsionar o desenvolvimento de projetos híbridos (solar + bateria). A capacidade do BESS de gerenciar picos de demanda e fornecer energia de transição é diretamente aplicável a empresas e indústrias que buscam otimizar custos com energia e garantir a continuidade operacional, especialmente em um cenário de tarifas de energia variáveis. A LZ7 Energia, ao oferecer soluções de energia solar, observa essa tendência como uma oportunidade para integrar sistemas de armazenamento, agregando valor e resiliência às instalações de seus clientes, contribuindo para uma matriz energética mais robusta e flexível na região.

Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.