Um intenso temporal atingiu diversas regiões do Paraná no sábado (24), acumulando volumes pluviométricos severos que ultrapassaram a marca de 100 milímetros em pelo menos treze estações meteorológicas operadas pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O episódio climático causou enxurradas expressivas, interrupção total e parcial de rodovias estaduais, alagamento de prédios públicos e afetou diretamente o cotidiano de milhares de moradores em dezoito cidades paranaenses.
Volumes expressivos registrados pelas estações meteorológicas
O monitoramento conjunto entre os órgãos meteorológicos revelou que a porção litorânea e a metade sul do território paranaense concentraram os maiores índices de precipitação ao longo do dia. O município litorâneo de Guaraqueçaba despontou com a medição mais elevada do estado: os primeiros informes apontavam um acumulado de 456 milímetros em um intervalo de 24 horas, índice que entrou em processo de revisão técnica após a estação local do Simepar marcar 280 milímetros na noite de sábado, ainda sem a publicação dos números definitivos.
Em outras localidades do estado, os registros confirmados demonstraram a intensidade e a distribuição das chuvas:
- Pato Branco: 204,2 mm;
- Francisco Beltrão: 165,6 mm;
- Guarapuava: 154,2 mm na estação instalada no distrito de Entre Rios e 107 mm no segundo ponto de medição do Simepar;
- Lapa: 143,4 mm;
- São Mateus do Sul: 135,8 mm;
- Morretes: 130,6 mm;
- Curitiba: 124,4 mm;
- União da Vitória: 120,8 mm;
- Laranjeiras do Sul: 120 mm registrados pela estação do Simepar e 107,4 mm pelo sensor do Inmet;
- General Carneiro: 117,4 mm;
- Palmas: 110,4 mm;
- Colombo: 102 mm.
O levantamento contabilizou cada município uma única vez em sua listagem consolidada. Em contraste com os elevados volumes apurados no Centro-Sul, Sudoeste e Leste, o Norte do estado apresentou marcas consideravelmente inferiores no sábado. O município de Apucarana anotou 13,6 milímetros de precipitação, ao passo que Londrina alcançou 12,4 milímetros. Em Maringá, as ferramentas de captação apontaram 4,4 milímetros pela rede Simepar e 4,6 milímetros pelo Inmet.
Estragos urbanos e famílias atingidas no interior e na capital
O impacto das fortes precipitações mobilizou equipes da Defesa Civil estadual. Conforme balanço oficial do órgão, as tempestades atingiram diretamente dezoito municípios paranaenses, prejudicando cerca de 7,4 mil cidadãos. Deste contingente, 55 pessoas ficaram desalojadas e outras 22 necessitaram de transferência imediata para abrigos públicos providenciados pelo poder público.
Em Cruz Machado, situada no Sul do estado, as águas pluviais provocaram uma situação de grave risco na qual um veículo de passeio acabou arrastado por uma enxurrada ao longo de um trajeto aproximado de 50 metros. Os dois ocupantes do automóvel conseguiram evacuar o veículo abrindo as janelas e se abrigaram nos galhos de uma árvore próxima até receberem socorro. O município somou 320 pessoas impactadas pelas cheias.
No Sudoeste, a cidade de Francisco Beltrão enfrentou múltiplos pontos de alagamento e vias públicas completamente bloqueadas. A administração municipal informou que o leito do Rio Marrecas sobrepujou a cota de alagamento fixada em oito metros, com projeções de que o nível hidrológico pudesse avançar até a faixa dos 12 metros diante da continuidade do escoamento.
Já na capital paranaense, a força das águas inundou uma unidade escolar situada na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). O imóvel estava escalado como colégio eleitoral para o segundo turno das eleições, forçando a transferência de aproximadamente 3,7 mil eleitores para uma nova seção a fim de garantir a realização do pleito sem prejuízos ao cronograma de votação.
Situação crítica das rodovias paranaenses e desvios
A saturação hídrica dos solos provocou desmoronamentos de terra e deslizamento de vegetação e rochas sobre a malha viária sob concessão e manutenção do governo estadual. O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) deslocou frentes operacionais em jornada contínua para desobstruir pistas atingidas.
No balanço divulgado pela corporação, as condições viárias incluíam:
- PR-170: tráfego totalmente interditado no trecho direcionado a Foz do Areia;
- PR-364: bloqueio registrado na localidade da Serra do Leão, sendo recomendada a rodovia federal BR-277 como principal corredor de desvio;
- PR-281: tráfego totalmente interrompido no segmento entre a junção com a PR-182, em Realeza, e a interseção com a PR-583, no distrito de São Valério, em Planalto, com previsão de retomada das intervenções pesadas na segunda-feira (26);
- PR-180: fluxo restabelecido no Contorno Leste de Francisco Beltrão após trabalhos emergenciais, porém com alerta ativo para interdições súbitas em razão de material solto remanescente nas encostas;
- PR-466: bloqueio temporário verificado no quilômetro 228, entre Palmeirinha e Turvo durante a manhã, com desobstrução e liberação concluídas ao longo do dia.
Previsão meteorológica para as próximas horas
O prognóstico emitido pelos meteorologistas do Simepar para o domingo (25) apontava para uma gradual redução da intensidade das tempestades no território paranaense, sem descartar ocorrências pontuais e chuvas esparsas na porção Leste e nas cidades contíguas à divisa com o estado de São Paulo. Simultaneamente, o quadro meteorológico mantinha alertas prévios de padrão laranja com perigo voltado a vendavais abrangendo mais de 300 cidades.
Para as regiões Norte e Noroeste do Paraná, a estimativa do órgão previa precipitações acumuladas que poderiam superar 50 milímetros. Nas regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul, o quadro climático tendia para a abertura de sol intercalado com nebulosidade no período da tarde, acompanhado de rajadas de vento em velocidade moderada.
Orientações das autoridades e canais de emergência
Diante do panorama de instabilidade e perigo nas vias de circulação, a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística (SEIL) em conjunto com o DER-PR emitiu um comunicado formal recomendando atenção e prudência redobrada aos motoristas. As autoridades ressaltam que o asfalto encharcado diminui a aderência dos pneus e eleva as chances de acidentes, sendo essencial o planejamento antecipado das viagens e a observância rigorosa das sinalizações temporárias e placas de desvio instaladas nos trechos acidentados.
Em caso de ocorrências graves, ameaça de desabamento, inundação em residências ou isolamento por enxurradas, os munícipes devem acionar de imediato os serviços de socorro pelos telefones 199, correspondente à Defesa Civil municipal e estadual, ou 193, linha direta de atendimento do Corpo de Bombeiros.
Leitura da LZ7 Energia
Eventos climáticos com volumes superiores a 100 mm em curto período colocam em evidência a vulnerabilidade das redes de distribuição e da infraestrutura pública. Tempestades dessa magnitude frequentemente causam quedas de barreiras, postes danificados e interrupções no fornecimento elétrico convencional. Nesse cenário, sistemas de microgeração solar com projetos estruturais adequados e tecnologias de armazenamento e backup reforçam a resiliência de propriedades rurais, empresas e residências em momentos de crise na rede de distribuição.
Fonte: Tribuna do Norte — Campos Gerais — matéria original publicada em tnonline.uol.com.br. Imagens e vídeos: Tribuna do Norte — Campos Gerais. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
