Na véspera da decisão que definirá o futuro político do Brasil, os candidatos à presidência Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro mobilizaram milhares de eleitores no sábado, 24 de outubro de 2026. Os atos marcaram o encerramento oficial da propaganda eleitoral antes da votação de segundo turno, caracterizada por um cenário de equilíbrio extremo entre os projetos políticos concorrentes, conforme cobertura da agência de notícias internacional Al Jazeera em parceria com a AFP.
Mobilização de Lula na orla do Rio de Janeiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, esteve presente na Praia de Copacabana, localizada na cidade do Rio de Janeiro. Vestindo um chapéu vermelho e discursando de cima de um caminhão de som, o atual chefe do Executivo acenou com uma bandeira do Brasil para as centenas de apoiadores reunidos na orla carioca no último dia permitido para atos públicos de campanha.
Em sua fala, Lula buscou polarizar o discurso internacional e nacionalista em relação ao seu oponente, fazendo menção direta à proximidade da família Bolsonaro com a liderança do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula tenta garantir um quarto mandato, não consecutivo, à frente da Presidência da República, em um momento em que o eleitorado define se manterá a atual liderança de centro-esquerda ou se alinhará a uma guinada conservadora semelhante a outros movimentos regionais.
"O povo deve escolher entre alguém que beija a bandeira nacional ou alguém que beija a bandeira americana", declarou Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso na Praia de Copacabana.

Apoiadores de Flávio Bolsonaro marcham em Minas Gerais e no Rio
Paralelamente, apoiadores do senador Flávio Bolsonaro, candidato pelo campo da direita e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, também se organizaram em peso nas ruas. Na capital fluminense, houve concentração de apoiadores no bairro da Barra da Tijuca. Já no estado de Minas Gerais, a mobilização incluiu uma motociata composta por centenas de motociclistas trajando a tradicional camisa amarela da seleção brasileira de futebol.
Entre os manifestantes presentes nos atos bolsonaristas, foram destacados temas ligados a programas assistenciais e valores familiares. O apoiador Ebert Dorigo defendeu uma reformulação nas políticas sociais do governo federal gerido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), criticando a dependência de benefícios governamentais e argumentando que o crescimento individual deve decorrer exclusivamente do trabalho.
"Os valores que defendemos são a pátria e a família. Nosso país está dividido hoje porque, devido a políticas assistencialistas, algumas pessoas… não entenderam que melhoria e conquista só vêm por meio do trabalho duro", afirmou o apoiador Ebert Dorigo à agência de notícias AFP.

Resultado do primeiro turno e pesquisas de intenção de voto
A disputa pelo Palácio do Planalto chega ao segundo turno com números bastante apertados. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro alcançou a primeira colocação ao obter 47% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 45%, estabelecendo uma diferença curta que levou a decisão para uma nova rodada eleitoral.
Pesquisas recentes confirmam que a indefinição persiste na véspera do pleito. Um levantamento do instituto CNT/MDA, divulgado no próprio sábado (24/10/2026), apontou os seguintes percentuais na corrida presidencial:
- Flávio Bolsonaro: 46,3% das intenções de voto;
- Luiz Inácio Lula da Silva: 45,0% das intenções de voto;
- Margem de erro: 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, caracterizando empate técnico.
Na semana anterior ao encerramento da campanha, o mesmo levantamento do CNT/MDA havia registrado uma proximidade ainda maior entre os dois postulantes, com Flávio Bolsonaro marcando 46,8% contra 45,9% de Lula.

Propostas centrais e o histórico da disputa política
A corrida eleitoral de 2026 foi marcada por fortes embates relacionados à condução da economia, combate à violência e aos rumos institucionais do país. Em sua plataforma eleitoral, Flávio Bolsonaro destacou a criação de centenas de milhares de novas vagas no sistema penitenciário e a execução de cortes em gastos públicos governamentais.
O cenário político traz ainda como pano de fundo a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro, que governou o Brasil entre 2019 e 2022. O ex-mandatário cumpre atualmente uma pena de 27 anos de prisão decorrente de sua condenação por tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral sofrida contra Lula em 2022.
Apesar da intensidade das trocas de acusações sobre as dificuldades econômicas e o histórico administrativo de cada lado durante os meses anteriores, os dois concorrentes adotaram uma postura considerada mais moderada durante o último debate televisivo, realizado na sexta-feira (23/10/2026).

Indecisão e descontentamento entre os eleitores
A polarização histórica entre os dois blocos políticos também gerou reações de desencanto entre parcelas do eleitorado que não se sentem contempladas pelas alternativas disponíveis nas urnas. O índice de abstenção e o comportamento dos votantes indecisos foram tratados por analistas como fatores determinantes para o desfecho do pleito de domingo.
A sensação de falta de opções foi relatada diretamente por cidadãos durante a cobertura de encerramento da campanha. Para diversos eleitores, a escolha final acabou se tornando um exercício de rejeição mútua às lideranças que disputam o comando do governo federal.
"Se houvesse qualquer outro candidato, essa seria uma opção melhor. Mas estamos presos à escolha entre o pior, o horrível e o mal menor", relatou a organizadora de eventos Gabriela Ribeiro Viana à agência AFP.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
