O presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino, afastou enfaticamente as especulações sobre uma possível renúncia e ressaltou o respaldo expressivo que vem recebendo de federações ao redor do mundo para disputar a reeleição. Aos 56 anos, o dirigente ítalo-suíço trabalha para assegurar um quarto mandato consecutivo no comando da entidade máxima do futebol mundial, o que estenderia sua gestão até o ano de 2031. O processo eleitoral tem como data-limite formal o dia 18 de novembro, prazo final estipulado para a apresentação de eventuais candidaturas concorrentes ao pleito.
A rejeição aos pedidos de renúncia e o cenário eleitoral
Durante entrevista concedida à rede britânica BBC, Infantino reagiu com bom humor e desdém ao ser questionado se teria cogitado deixar o cargo após o colapso de uma de suas principais propostas de gestão. O mandatário enfatizou a legitimidade concedida pela base global de votantes da entidade, lembrando que a condução da Fifa depende da vontade de todas as nações integradas ao quadro diretivo mundial.
“Fui eleito por 211 associações-membro de todo o mundo. Penso que o que é importante é que, em uma organização como a Fifa, pode haver pontos de vista diferentes, visões diferentes. Mas se levamos a sério a democracia, o processo democrático, a crença de que todos têm o mesmo voto e a mesma voz em todo o mundo, de que o futebol pertence a todos… então precisamos respeitar também a visão da vasta, vasta maioria.”
A declaração reforça a posição de força política em que o dirigente se coloca atualmente. Embora tenha enfrentado contestações severas nos últimos meses, Infantino recorre ao princípio de representatividade igualitária entre as federações para sustentar que eventuais divergências regionais não anulam a decisão da maioria dos membros que integram a federação internacional.
O colapso da proposta FIFA Forward Enterprise
A contestação pública contra a permanência de Gianni Infantino ganhou força há cerca de três meses, quando o dirigente se viu obrigado a abandonar o projeto batizado de FIFA Forward Enterprise (FFE). O plano previa a entrada de investidores privados em uma nova entidade corporativa criada especificamente para gerir e controlar os direitos comerciais vinculados às principais competições organizadas pela Fifa no cenário esportivo global.
A iniciativa enfrentou forte resistência institucional e acabou retirada de pauta após forte rejeição de blocos continentais. Na semana passada, durante reunião oficial do Conselho da Fifa realizada em Zurique, na Suíça, Infantino chegou a apresentar um pedido formal de desculpas sobre a forma como o processo em torno da FFE foi conduzido perante os delegados esportivos. Apesar do recuo e da retratação, entidades europeias de peso, como as federações de futebol da Alemanha e da Inglaterra, mantiveram uma postura inflexível de contrariedade em relação à condução da gestão.

Apoio decisivo na Ásia e na África consolida liderança
Apesar do revés administrativo sofrido com a proposta comercial, o cenário político reverteu-se amplamente a favor de Infantino após viagens estratégicas do mandatário. As expectativas de reeleição foram impulsionadas de maneira decisiva nesta sexta-feira, quando o presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC, na sigla em inglês), Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, declarou publicamente que os países asiáticos estão unidos em apoio ao quarto mandato do suíço-italiano.
Essa manifestação representou uma reviravolta política de grande impacto. Anteriormente, a própria AFC havia se unido à Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e à União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) em críticas contundentes à criação da FIFA Forward Enterprise. O alinhamento definitivo da Ásia com Infantino foi selado em Tóquio, neutralizando parte expressiva da oposição regional que existia contra a presidência da entidade.
“Acabei de voltar de Tóquio, onde a Confederação Asiática de Futebol me apoiou plenamente. Estive em Cabo Verde, onde todos os países africanos me apoiaram. Estou conversando com todas as associações em todas as partes do mundo.”
Além da aprovação formal do bloco asiático obtida no Japão, a viagem a Cabo Verde garantiu o respaldo unânime das federações do continente africano. Com essas duas frentes consolidadas, Infantino assegurou uma base eleitoral substancialmente superior à necessária para garantir a estabilidade do seu projeto de reeleição.
Isolamento europeu e divisão nas Américas
O reposicionamento estratégico da AFC gerou um novo quadro geopolítico nos bastidores do esporte. A Uefa, que historicamente lidera as contestações aos projetos corporativos da cúpula da Fifa, ficou progressivamente isolada nas discussões. Paralelamente, o bloco da Concacaf encontra-se internamente dividido quanto aos rumos da administração mundial, enfraquecendo qualquer tentativa de articulação coordenada de oposição.
Esse arranjo também escancara a ausência de um candidato alternativo viável capaz de desafiar a liderança de Infantino no curto prazo. Sem uma figura consolidada para contrapor o atual presidente dentro do prazo eleitoral de 18 de novembro, os protestos oriundos das lideranças europeias perderam força prática para alterar o desfecho da eleição presidencial.
Equilíbrio de posições e o futuro da gestão até 2031
Ao abordar os atritos institucionais remanescentes e as críticas que continuam a ecoar em setores do futebol europeu, Infantino sustentou que divergências são inerentes à administração esportiva, defendendo que a entidade precisa virar a página e focar nas decisões coletivas dos seus membros.
“Não há problema em discordar… mas depois precisamos ser capazes de seguir em frente. Há diferentes pontos de vista. Nem sempre é fácil reunir todos sob o mesmo teto, mas precisamos respeitar, e eu respeito todas as opiniões, todas as visões. Depois, caberá às associações-membro da Fifa decidir quem querem como presidente e como querem que a Fifa seja administrada.”
Com as federações da Ásia e da África formalmente comprometidas com sua candidatura e com o bloco das Américas fraturado, Gianni Infantino segue administrando as dissidências de Alemanha e Inglaterra amparado na maioria aritmética das 211 federações que detêm direito a voto no congresso mundial da entidade máxima do futebol.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
