A relação entre Estados Unidos e Canadá, dois dos maiores parceiros comerciais do mundo, deteriorou-se drasticamente após o colapso das negociações comerciais na última sexta-feira, dia 21 de agosto. O presidente norte-americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, culparam mutuamente o outro lado pelo fracasso, que culminou na imposição de tarifas aduaneiras e na promessa de retaliação.
Colapso das Negociações e Reações Iniciais
As negociações, realizadas em Washington, chegaram a um impasse, levando o presidente Trump a se manifestar publicamente pela primeira vez desde o ocorrido. Em uma postagem em suas redes sociais, o presidente norte-americano criticou o Canadá, afirmando: “O Canadá quer os benefícios de ser um Estado, sem ser um!!!”. Ele também acusou o país vizinho de cobrar “enormes quantidades de tarifas” dos agricultores norte-americanos por muitos anos, concluindo com um enfático “Chega!!!”.
As declarações de Trump vieram após os Estados Unidos imporem tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões (equivalente a aproximadamente 14,6 bilhões de libras esterlinas) em produtos canadenses. Essas novas taxas entraram em vigor no sábado, dia 22 de agosto, abrangendo uma vasta gama de itens, desde tacos de hóquei até abaixadores de língua. Em resposta, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, prometeu igualar as tarifas “dólar por dólar”.

Impacto Econômico e Político
Especialistas em comércio preveem que, embora as tarifas possam resultar em algumas perdas de empregos, o maior impacto será de natureza política, desencadeando novas tensões entre os países vizinhos. Carney, falando a jornalistas em Ottawa, afirmou que o Canadá está “em guerra” comercial com os EUA, após Trump ter “calculado mal” ao escalar seu ataque tarifário.
“Você está em guerra quando é atacado, e nós fomos atacados”, declarou o primeiro-ministro canadense. “Não podemos aceitar o que eles ofereceram e não daremos o que eles pediram.”
Do lado norte-americano, Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, defendeu a ação, alegando que os EUA foram forçados a agir após um ano de medidas retaliatórias por parte do Canadá.
“Dissemos que era o suficiente e, por isso, tomamos contramedidas. Nosso interesse é proteger os trabalhadores americanos e proteger as cadeias de suprimentos americanas”, afirmou Greer ao programa Fox & Friends Weekend.
Dan Kelly, presidente da Federação Canadense de Empresas Independentes (Canadian Federation of Independent Business), estimou que 40% das pequenas exportadoras canadenses serão diretamente afetadas pelas tarifas dos EUA, e que quase um terço espera uma queda de 50% ou mais em suas receitas como resultado.

Repercussão Interna e Futuro do USMCA
A escalada tarifária também gerou revolta entre legisladores democratas e governadores de estados norte-americanos que fazem fronteira com o Canadá, como Minnesota, Nova York e Washington. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, manifestou-se em suas redes sociais:
“Escolher brigas desnecessariamente com nossos aliados e aumentar os preços aqui em casa. Essa é a política econômica de Trump em poucas palavras.”
A senadora de Minnesota, Amy Klobuchar, ecoou a preocupação, afirmando que as novas tarifas significam “custos mais altos para pequenas empresas, agricultores e todas as famílias de Minnesota”. Ela destacou que o Canadá é o principal parceiro comercial de Minnesota, e que os habitantes do estado estão “pagando pelo caos de Trump”.
Mark Carney, que já foi governador do Banco da Inglaterra, foi eleito primeiro-ministro do Canadá no ano passado com uma plataforma de resistência às políticas de Trump, que sugeriu que queria transformar o Canadá em um 51º estado com “força econômica”. As tarifas de Carney, prometidas “dólar por dólar”, devem entrar em vigor a partir de 8 de setembro, com novas taxas sobre aço, laticínios, eletrodomésticos e eletrônicos.
A escalada também levanta questões sobre o futuro do pacto comercial da América do Norte, conhecido como USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá). O pacto, assinado por Trump em seu primeiro mandato, rege cerca de US$ 2 trilhões anuais em bens e serviços entre os três países. Trump recusou-se a renovar o USMCA neste verão (hemisfério norte) depois que Canadá e México solicitaram formalmente sua renovação por mais 16 anos. Questionado sobre como o colapso das negociações EUA-Canadá afetaria o USMCA, Carney foi direto:
“Certamente não é uma boa notícia.”

Impacto nas Relações e Turismo
A retórica cada vez mais agressiva e a política comercial da administração Trump têm prejudicado as relações EUA-Canadá, com o turismo também sofrendo. Houve uma queda de 21% no número de canadenses que entraram no estado de Nova York em 2025, representando 3 milhões de visitas a menos em comparação com o ano anterior.
Além disso, uma petição para expulsar o embaixador dos EUA no Canadá, Pete Hoekstra, do país, já reuniu cerca de 248.000 assinaturas desde o final de julho, segundo a Associated Press. Uma pesquisa realizada este ano pelo jornal Globe and Mail revelou que apenas 9% dos canadenses concordam que os EUA são um “aliado confiável”, e que 51% dos entrevistados cancelaram viagens aos EUA em reação a comentários de Trump.
Leitura da LZ7 Energia
A escalada de uma guerra comercial entre Estados Unidos e Canadá, dois dos maiores produtores e consumidores de energia do mundo, pode ter implicações significativas para os mercados globais. Embora o impacto direto na energia solar no Norte Pioneiro do Paraná possa parecer distante, tensões comerciais como essa frequentemente levam a flutuações nos preços de commodities, incluindo metais usados na fabricação de painéis solares, e podem afetar a estabilidade econômica global. Um cenário de incerteza econômica pode influenciar o investimento em energias renováveis e a capacidade de consumidores e empresas locais de investir em sistemas fotovoltaicos. Além disso, a dependência de cadeias de suprimentos internacionais para componentes pode ser afetada por tarifas e barreiras comerciais, potencialmente elevando custos ou atrasando projetos. A LZ7 Energia, atenta a esses movimentos macroeconômicos, monitora o cenário para garantir a melhor oferta e condições aos seus clientes, buscando sempre a eficiência e a sustentabilidade energética para a região.
Fonte: The Guardian — World (internacional) — matéria original publicada em theguardian.com. Imagens e vídeos: The Guardian — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
