O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, pela segunda vez no ano de 2026, um plano emergencial destinado a reduzir a geração de energia no país. A medida foi implementada neste domingo, 23 de agosto, entre 11h e 13h30, e teve como objetivo principal preservar a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) diante de um cenário de excesso de oferta e menor consumo esperado para o fim de semana. A ação não impactou diretamente o consumidor final, mas afetou distribuidoras e usinas de menor porte.

ONS Intervém para Equilibrar o Sistema

A decisão do ONS visa gerenciar o excedente de energia disponível na rede, um desafio crescente com a expansão das fontes renováveis. O plano emergencial acionado neste domingo focou na restrição da geração de usinas classificadas como Tipo 3, que são aquelas conectadas diretamente às redes de distribuição. Este grupo abrange Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa, além de empreendimentos eólicos e solares de menor porte.

Além de atuar sobre essas usinas, o ONS também implementou medidas complementares para diminuir a geração de outras usinas que estão sob seu controle direto, reforçando a necessidade de um controle mais rigoroso sobre o fluxo de energia para evitar qualquer tipo de sobrecarga ou instabilidade no sistema.

Histórico de Acionamentos e o Crescimento da Geração Distribuída

Este acionamento de agosto não é um caso isolado. A primeira vez que o ONS recorreu a essa medida em 2026 foi em 7 de junho, durante o feriado prolongado de Corpus Christi. Naquela ocasião, o operador solicitou o gerenciamento de 1 mil megawatts (MW) de energia, com a restrição ocorrendo das 10h às 14h.

O plano emergencial que permite essas intervenções foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025. Sua criação foi uma resposta direta ao rápido avanço da geração distribuída no Brasil, com destaque para a energia solar. A preocupação com o excesso de energia não é recente: em agosto de 2025, no Dia dos Pais, o volume de energia gerada quase provocou uma sobrecarga no sistema. Naquela data, a geração distribuída chegou a representar impressionantes 37,6% da demanda nacional. Para evitar um blecaute que poderia ter afetado diversos estados, o ONS precisou reduzir a produção de hidrelétricas e termelétricas, além de cortar 98,5% da geração eólica e solar centralizada.

logo da transparência
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Futuro: ONS Prepara Corte Automático

Diante do contínuo crescimento da geração solar e da complexidade que isso adiciona à operação do sistema, o ONS anunciou na última quinta-feira, 20 de agosto, que está desenvolvendo um sistema para desligar automaticamente parte da geração distribuída em situações críticas. Este mecanismo, denominado Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag), prevê um potencial de corte de até 3 gigawatts (GW), dividido em três estágios de 1 GW cada. Importante ressaltar que o Erag seria acionado somente após o esgotamento de todas as outras alternativas de controle disponíveis.

Um projeto-piloto do Erag está previsto para ser implementado até o final de 2026 em uma distribuidora. Caso os testes sejam bem-sucedidos, a expectativa é que a implementação em larga escala possa avançar a partir de 2027. A geração distribuída, que engloba micro e minigeração, já soma cerca de 50 GW de capacidade instalada no país. Para o ONS, o desafio reside no fato de que parte dessa energia produzida não pode ser observada ou controlada diretamente pelo operador, aumentando a complexidade da gestão do sistema.

Linhas de transmissão de energia, energia elétrica.
Linhas de transmissão de energia, energia elétrica.

Distribuidoras na Execução dos Cortes

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou que as distribuidoras seguirão as orientações do ONS para executar o plano de cortes anunciado para este domingo. No entanto, a entidade também emitiu uma nota solicitando procedimentos mais detalhados para a definição dos cortes. Segundo a Abradee, a clareza nos critérios é fundamental para garantir a segurança operacional e jurídica dos geradores envolvidos.

“Critérios claros são necessários para dar segurança operacional e jurídica aos geradores.” – Abradee

Outras Notícias Relevantes do Setor

A Agência Brasil também destacou outras informações importantes para o setor energético:

  • Consumidores poderão escolher fornecedores de energia a partir de 2027: Uma mudança significativa que promete maior liberdade de escolha para os consumidores.
  • Bandeira tarifária continuará amarela em agosto: Indicação das condições de geração de energia e custos para os consumidores.
Linhas de transmissão de energia, energia elétrica.
Linhas de transmissão de energia, energia elétrica.

O que isso significa para a região

Para o Norte Pioneiro do Paraná e outras regiões com crescente adoção da energia solar, as ações do ONS e o desenvolvimento do Erag são de extrema relevância. O excesso de oferta de energia, especialmente em horários de pico de geração solar, demonstra a necessidade de uma infraestrutura de rede mais robusta e inteligente, capaz de absorver e gerenciar essa energia de forma eficiente. Embora a suspensão da geração excedente não afete o consumidor final diretamente, ela sinaliza um desafio técnico que precisa ser superado para garantir a segurança e a estabilidade do sistema elétrico. O avanço da geração distribuída é uma realidade e um benefício ambiental e econômico, mas exige adaptações contínuas na gestão da rede para que todo o potencial dessas fontes seja aproveitado sem riscos.

Imagens e vídeos da cobertura

ONS freia geração de energia pela 2ª vez em 2026 por excesso de oferta
Foto: Agência Brasil — Economia
ONS freia geração de energia pela 2ª vez em 2026 por excesso de oferta
Foto: Agência Brasil — Economia

Leitura da LZ7 Energia

O cenário de excesso de oferta de energia, que leva o ONS a suspender a geração excedente, ressalta a importância da modernização da infraestrutura elétrica brasileira para acompanhar o rápido crescimento da energia solar. Para a LZ7 Energia e seus clientes no Norte Pioneiro do Paraná, isso significa que, embora a geração distribuída seja fundamental para a economia e sustentabilidade, o sistema precisa evoluir para integrar essa energia de forma mais eficaz. Investimentos em armazenamento de energia, redes inteligentes e mecanismos de controle mais sofisticados serão cruciais para garantir que a energia solar continue a ser uma solução robusta e sem interrupções, maximizando os benefícios para os consumidores e para a rede elétrica como um todo, sem que cortes emergenciais se tornem uma rotina.

Fonte: Agência Brasil — Economia — matéria original publicada em agenciabrasil.ebc.com.br. Imagens e vídeos: Agência Brasil — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.