Os contratos futuros dos principais índices de ações de Nova York registraram alta nas primeiras horas desta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, com os operadores buscando recuperar as perdas acumuladas na semana anterior. O movimento ocorre em meio a uma agenda econômica carregada, marcada por decisões de política monetária dos principais bancos centrais do mundo, divulgação de resultados trimestrais de gigantes do setor de tecnologia e oscilações relevantes nos preços do petróleo no mercado internacional.
No início das negociações, os contratos futuros atrelados ao índice S&P 500 avançavam 0,25%, enquanto os futuros do Dow Jones Industrial Average registravam acréscimo de 155 pontos, o equivalente a uma valorização de 0,31%. O índice futuro da Nasdaq-100 apresentava ganho de 0,29%. Mais cedo, no domingo à noite, os futuros do Dow já haviam somado 143 pontos (0,3%), o S&P 500 subido 0,4% e o Nasdaq-100 avançado 0,6%. O ajuste busca reverter o desempenho desfavorável da última sexta-feira, quando o Dow Jones tombou mais de 650 pontos, o S&P 500 recuou 0,5% e o Nasdaq Composite caiu 0,2%, culminando em duas semanas consecutivas de perdas tanto para o S&P 500 quanto para o Nasdaq.
Superquarta e decisões de juros no radar dos bancos centrais
As atenções dos investidores internacionais estão voltadas para uma sequência de reuniões de autoridades monetárias ao longo dos próximos dias. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BOJ) anunciarão suas respectivas decisões sobre taxas de juros na quarta-feira, quinta-feira e sexta-feira. Adicionalmente, o mercado acompanha a reunião do Quinto Plenário na China.
No mercado futuro de fundos do Fed, a precificação indica uma probabilidade de 90% de que os formuladores de política monetária mantenham os juros norte-americanos na faixa atual de 3,75% a 4%. No entanto, instituições financeiras apontam cenários divergentes. O Bank of America projeta que a autoridade monetária pode elevar os juros em 0,25 ponto percentual, classificando a decisão como um movimento de alta complexidade técnica e política.
"A decisão de outubro será um teste para a determinação do presidente Warsh em promover uma 'mudança estrutural' na estratégia de orientação futura do Fed. O desafio de Warsh na coletiva de imprensa será afastar a ideia de um 'erro de política monetária'. Se o Fed subir os juros, os investidores podem temer um aperto excessivo. Se o Fed mantiver as taxas, os mercados podem questionar a credibilidade do banco central no combate à inflação."
— Claudio Irigoyen, economista do Bank of America

Petróleo recua após tensões geopolíticas no Oriente Médio
As cotações do petróleo iniciaram a semana em queda nos mercados asiáticos, após terem registrado forte valorização no encerramento da semana anterior. O contrato futuro do petróleo Brent recuou 2,20%, negociado a US$ 114,52 por barril (tendo oscilado a US$ 114,51 e US$ 115 nas sessões anteriores). Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI), referência dos Estados Unidos, caiu 2,24%, cotado a US$ 101,03 por barril (após tocar US$ 101 e US$ 102).
Na sexta-feira anterior, o barril de Brent havia atingido seu valor mais alto desde abril de 2026, impulsionado por relatos da imprensa de que os Estados Unidos e Israel poderiam planejar ataques ao Irã após as eleições de meio de mandato (midterms). O cenário de risco envolve também confrontos diretos na Península Arábica: rebeldes Houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, declararam ter atacado no sábado o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, além de complexos petrolíferos da Arábia Saudita. No domingo, autoridades sauditas informaram ter interceptado mísseis e drones adicionais. Diante disso, operadores balanceiam as ameaças à infraestrutura de suprimento energético com o temor de que os preços elevados comecem a destruir a demanda global pelo insumo.

Balanços de gigantes da tecnologia e investimentos em IA
O mercado acionário norte-americano também aguarda a divulgação de relatórios financeiros corporativos capazes de ditar o rumo dos índices nesta semana. As gigantes Alphabet (controladora do Google) e Microsoft divulgarão seus balanços trimestrais na quarta-feira, após o fechamento do pregão. Ambas estão sob escrutínio devido aos volumosos aportes em inteligência artificial.
"Nossas verificações de parceiros para o terceiro trimestre foram fortes, com os resultados líquidos da Microsoft virando para cima e a demanda por soluções empacotadas de inteligência artificial liderando a lista."
— Billy Fitzsimmons, analista da Piper Sandler
Na quinta-feira à tarde, será a vez da Amazon divulgar seus dados financeiros. No trimestre anterior, a companhia elevou sua estimativa de despesas de capital (capex), projetando alcançar a marca de US$ 220 bilhões neste ano. Paralelamente, o bilionário Elon Musk comunicou que a SpaceX concluiu uma captação de dívida de US$ 40 bilhões destinada à aquisição de unidades de processamento gráfico (GPUs) voltadas a sistemas de inteligência artificial. Segundo Musk, a empresa possui classificação de grau de investimento e fontes de receita por meio do serviço de internet via satélite Starlink e de lançamentos de foguetes. Os recursos, contratados predominantemente sob o formato de dívida resgatável antecipadamente (callable debt), devem ingressar no primeiro e no segundo trimestres de 2027. Informações obtidas pela agência Bloomberg apontam negociações com bancos para aquisição de chips da Nvidia, utilizando um veículo de propósito específico para preservar a classificação de crédito da SpaceX fora do balanço patrimonial.

Desempenho na Ásia, finanças na França e regulação na Indonésia
Na região da Ásia-Pacífico, os mercados acionários fecharam a sessão de segunda-feira sem direção única. No Japão, o índice Nikkei 225 cedeu 0,1% (após abrir em queda de 0,2%), enquanto o índice amplo Topix valorizou 0,54% (tendo registrado alta de 0,37% mais cedo). Na Coreia do Sul, o Kospi recuou 0,21% e o índice de pequenas empresas Kosdaq amargou perda de 1,67%. Na China continental, o CSI 300 caiu 0,54%, ao passo que o Hang Seng de Hong Kong subiu 0,66%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 fechou em baixa de 0,26%.
Na Europa, a França obteve um alívio temporário após a agência de classificação de risco Moody's confirmar a manutenção de sua nota de crédito soberano em Aa3, mantendo a perspectiva negativa. O rendimento dos títulos públicos franceses de dez anos havia atingido 5% na semana anterior pela primeira vez desde 2002, gerando preocupações sobre os custos de captação da segunda maior economia da zona do euro.
"Um esforço fiscal significativo e sustentado ainda será necessário além das eleições presidenciais de abril e maio de 2027 para colocar as finanças públicas da França em bases mais sólidas e estabilizar um fardo de dívida que ultrapassará 120% do PIB em 2027."
— Agência de classificação de risco Moody's
No Sudeste Asiático, o índice Jakarta Composite da Indonésia caiu 1% e a moeda local, a rúpia, desvalorizou 0,39%, cotada a 18.110 rúpias por dólar. Os investidores ignoraram as medidas anunciadas por autoridades locais para reforçar a supervisão de mercado, como a ampliação do comitê que monitora ações com propriedade concentrada. As mudanças responderam a um alerta da fornecedora de índices MSCI, que indicou que a Indonésia pode ser rebaixada ao status de mercado autônomo (standalone) em razão de deficiências na transparência das negociações.
Repercussão da eleição presidencial brasileira no exterior
O cenário político da América Latina também repercutiu nos terminais internacionais com a definição da eleição presidencial no Brasil. Luiz Inácio Lula da Silva conquistou um quarto mandato presidencial ao somar 51,8% dos votos válidos contra 48,2% do senador Flávio Bolsonaro, de acordo com a apuração quase concluída divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral no domingo. O resultado marcou uma virada inédita desde a redemocratização de 1989 para um postulante que terminou o primeiro turno em desvantagem.
Segundo a agência Reuters, o senador derrotado não reconheceu o resultado e afirmou que buscará a anulação do pleito, classificando como inaceitável a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, que determinou a extensão do período de votação por duas horas. Nos mercados internacionais, o fundo negociado em bolsa iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) despencou cerca de 20% nas negociações noturnas logo após a confirmação da apuração, amenizando posteriormente o recuo para uma queda de 18%.
Leitura da LZ7 Energia
A manutenção do barril de petróleo em níveis elevados — entre US$ 101 e US$ 114 — exerce pressão inflacionária direta sobre cadeias de combustíveis e custos logísticos globais, refletindo-se nas tarifas e no custo operacional de empresas brasileiras. Em cenários de instabilidade na matriz energética fóssil e incerteza macroeconômica, investimentos em fontes renováveis descentralizadas, como a energia solar fotovoltaica no Norte Pioneiro, oferecem previsibilidade orçamentária e blindagem operacional contra oscilações de preços de insumos energéticos.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
