O governo militar do Níger, que assumiu o poder em julho de 2023, anunciou nesta sexta-feira uma significativa reestruturação em seu comando militar, nomeando um novo chefe das Forças Armadas. A decisão vem semanas após um motim fracassado que abalou a capital Niamey e expôs tensões internas nas forças de segurança do país.

Reorganização da Cúpula Militar

Um decreto lido na televisão estatal do Níger informou que o General Mamane Sani Kiaou, que anteriormente ocupava o cargo de chefe do estado-maior do Exército, assumirá a liderança das Forças Armadas, substituindo o General Moussa Salaou Barmou. Ambos os oficiais haviam ocupado posições de destaque desde o golpe de julho de 2023, que levou ao poder um grupo de oficiais do Exército liderado pelo General Abdourahamane Tchiani. Nenhuma justificativa oficial foi apresentada para a remoção de Barmou.

Além da mudança no comando principal, o General Abdourahmane Abou Zataka foi promovido para suceder Kiaou como chefe do estado-maior do Exército. A emissora regional RFI também noticiou que o General Ismael K Sidi Omar foi nomeado o novo segundo em comando do estado-maior geral. Sidi Omar, que anteriormente comandava a Base 101 – a base aérea no centro do motim –, manteve-se leal a Tchiani durante a crise, conforme relatado pela RFI.

Broadcaster speaks on TV.
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O Motim de Agosto: Detalhes e Consequências

O motim, que teve início em 28 de agosto e se estendeu por quase 24 horas, foi marcado por intensos combates no palácio presidencial, no aeroporto internacional de Niamey e em uma base militar próxima. De acordo com o Ministério da Defesa do Níger, soldados, em sua maioria jovens, fizeram colegas de farda reféns e abriram fogo contra diversos locais estratégicos.

As forças do governo militar precisaram do apoio do Africa Corps da Rússia – uma força apoiada pelo Estado que substituiu o grupo mercenário Wagner em vários países africanos – que interveio com suporte terrestre e aéreo para conter a rebelião. Dezenas de amotinados foram mortos ou presos, juntamente com três membros da guarda presidencial. No entanto, o governo não divulgou um balanço total de mortos nem informou quais acusações os soldados detidos podem enfrentar.

Níger: Governo Militar Reestrutura Comando do Exército Após Motim
Foto: Al Jazeera — Internacional

Contexto e Implicações

Analistas e diplomatas, em declarações à agência de notícias The Associated Press, indicaram que os amotinados pareciam motivados pela crescente insatisfação com os ataques de grupos armados e pelas precárias condições dentro das Forças Armadas. O General Kiaou, o novo chefe das Forças Armadas, é um comandante de campo experiente, tendo liderado operações contra grupos armados nas regiões de Tillabéri (oeste) e Diffa (sudeste) do Níger. Ele também desempenhou um papel crucial na negociação da retirada das tropas francesas e americanas após o golpe de Estado.

A mídia estatal reportou que Kiaou concluiu recentemente uma série de visitas às principais guarnições do país, com o objetivo de restaurar a unidade entre os militares.

“O governo militar do Níger tem enfrentado desafios significativos na manutenção da segurança interna e na consolidação de seu poder desde o golpe de 2023. A reestruturação do comando militar é uma tentativa clara de reafirmar a autoridade e garantir a lealdade das Forças Armadas após o recente motim.”

O governo do General Tchiani tomou o poder em julho de 2023, derrubando o presidente eleito Mohamed Bazoum, que permanece detido. A justificativa para o golpe foi a alegação de que o governo civil não conseguiu conter a violência e a atuação de grupos armados. Desde então, o Níger cortou laços militares com a França e os Estados Unidos, aproximando-se da Rússia, mesmo com a deterioração contínua da situação de segurança.

O Níger chegou a acusar a França de estar por trás do motim de agosto, uma alegação que o governo francês classificou como “pura fantasia”.

Leitura da LZ7 Energia

A instabilidade política e de segurança no Níger, evidenciada pelo recente motim e pela reestruturação militar, pode ter impactos indiretos na economia local e regional. Embora o Níger não seja um grande produtor de energia solar, a segurança e a estabilidade são fatores cruciais para qualquer tipo de investimento em infraestrutura, incluindo projetos de energia. A aproximação do Níger com a Rússia e o afastamento de potências ocidentais podem reconfigurar parcerias comerciais e de desenvolvimento, o que, a longo prazo, poderia influenciar o acesso a tecnologias e financiamentos para projetos energéticos. Para o Norte Pioneiro do Paraná, as notícias de instabilidade em regiões distantes servem como um lembrete da importância da segurança e da previsibilidade para o ambiente de negócios e o desenvolvimento econômico, pilares para a expansão de setores como o de energia solar.

Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.