O presidente da China, Xi Jinping, fez um apelo contundente para que as nações do BRICS se unam em prol de uma solução política e um “cessar-fogo permanente e abrangente” no Oriente Médio. A declaração foi proferida durante a 18ª Cúpula do BRICS, realizada em Nova Delhi, Índia, no último sábado, 12 de setembro de 2026. Xi Jinping enfatizou a disposição da China em desempenhar um papel ativo nos esforços pela paz e estabilidade na região.

As observações do líder chinês ganham destaque não apenas pelo cenário geopolítico complexo, mas também por antecederem um encontro agendado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, ainda neste mês. A pauta do Oriente Médio, historicamente volátil, permanece como um dos principais desafios para a comunidade internacional.

Apelo por Solução Política e Cessar-Fogo

Em seu discurso na Cúpula do BRICS, o presidente Xi Jinping sublinhou a gravidade da situação atual no Oriente Médio e na região do Golfo, que, segundo ele, continua a evoluir de maneira complexa. O conflito, conforme ressaltado pelo líder chinês, tem gerado perdas severas para as populações locais e não atende aos interesses comuns da comunidade global.

“A situação no Oriente Médio e na região do Golfo continua a evoluir de maneira complexa. Este conflito causou perdas severas às pessoas da região e não está no interesse comum da comunidade internacional,” declarou Xi Jinping. “Todas as partes relevantes devem aderir à direção de uma solução política e promover um cessar-fogo permanente e abrangente. Devemos dar importância à abordagem das causas-raiz dos problemas.”

Xi Jinping também reiterou a centralidade da questão palestina no cerne dos problemas do Oriente Médio, enfatizando a importância da implementação da “solução de dois Estados” com Israel. A China, de acordo com o presidente, está pronta para colaborar com os membros do BRICS para contribuir com a paz e a tranquilidade na região.

“A China está disposta a trabalhar com os membros do BRICS para desempenhar seu devido papel na consecução da paz e tranquilidade no Oriente Médio e na região do Golfo,” afirmou Xi.

Contexto Geopolítico e Sanções

A posição da China em relação ao Oriente Médio é complexa, dada sua relação estratégica com o Irã. A China é o maior parceiro comercial do Irã e um cliente crucial para as exportações de energia do país persa. No mês passado, o governo Trump impôs uma nova e rigorosa onda de sanções econômicas contra o Irã, batizada de “Operação Pária Econômico” pelo Departamento do Tesouro dos EUA. O objetivo dessas medidas é cortar as conexões financeiras do Irã em todo o mundo. Scott Bessent, do Tesouro, indicou no lançamento da operação que a China não estaria isenta de suas implicações.

Economistas apontam que, embora os preços da energia tenham disparado após o conflito, a China tem desempenhado um papel em evitar aumentos ainda maiores. Isso se deve, em parte, a anos de estocagem de petróleo e à subsequente redução de suas compras, o que impacta a demanda global.

A Cúpula do BRICS e seu Crescimento

O bloco BRICS foi estabelecido em 2009 com o propósito de servir como um contrapeso à dominância ocidental na economia global. Originalmente, era composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Ao longo dos anos, o grupo expandiu-se, incluindo agora Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos. A cúpula em Nova Delhi, onde Xi Jinping fez seu pronunciamento, é a 18ª edição do evento, reunindo líderes das nações membros para discutir pautas econômicas, políticas e sociais de interesse comum.

A reunião entre o presidente Xi Jinping e o presidente Donald Trump, prevista para o final deste mês na Casa Branca, adiciona uma camada de expectativa às discussões sobre o Oriente Médio e outras questões bilaterais e globais, incluindo as tensões comerciais e a segurança regional.

O que isso significa para a região

A convocação do presidente chinês para uma ação conjunta do BRICS em busca de paz no Oriente Médio reflete a crescente influência do bloco em questões geopolíticas globais. Para o Norte Pioneiro do Paraná, uma região que, embora distante geograficamente, está interligada à economia global, a estabilidade no Oriente Médio tem implicações indiretas, mas significativas. Conflitos na região historicamente afetam os preços do petróleo e do gás, o que se traduz em custos mais elevados de transporte e energia em todo o mundo. A busca por um cessar-fogo e uma solução política pode contribuir para a estabilidade dos mercados de energia, beneficiando indiretamente a economia local ao evitar picos de preços que impactam diretamente o custo de vida e a produção agrícola e industrial da região.

Leitura da LZ7 Energia

A estabilidade no Oriente Médio, um dos maiores produtores de petróleo e gás natural do mundo, tem um impacto direto e significativo nos mercados globais de energia. Conflitos e instabilidades na região frequentemente levam a flutuações nos preços do petróleo, que se refletem nos custos de combustíveis e na geração de energia em diversas partes do mundo. Para o consumidor e as empresas no Norte Pioneiro do Paraná, a volatilidade dos preços do petróleo pode significar aumentos nas contas de luz (especialmente em sistemas que dependem de termelétricas a óleo), nos custos de transporte e na cadeia de produção. A busca por um cessar-fogo e uma solução política, como proposto pelo presidente chinês, é fundamental para mitigar esses riscos e promover uma maior previsibilidade nos mercados de energia. Em um cenário de preços de energia mais estáveis, a transição para fontes renováveis, como a energia solar, torna-se ainda mais atrativa, oferecendo uma alternativa mais previsível e sustentável para o consumo local, protegendo os moradores e empresas das oscilações geopolíticas e econômicas globais.

Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.