Um novo relatório das Nações Unidas, divulgado em 13 de setembro de 2026, traz uma projeção preocupante para o futuro climático do planeta. O estudo aponta que o mundo provavelmente ultrapassará a meta de 1,5°C de aquecimento global até 2030, em comparação com os níveis pré-industriais. Esta meta, estabelecida no Acordo de Paris de 2015, é considerada crucial para evitar os impactos mais catastróficos das mudanças climáticas.

O Cenário Atual e as Projeções

Há mais de uma década, a comunidade global tem se esforçado para limitar o aquecimento a 1,5°C. Contudo, o relatório da ONU sugere que, a menos que haja uma mudança drástica, essa meta será excedida em breve. Atualmente, em 2026, o planeta já está aproximadamente 1,4°C mais quente do que os níveis pré-industriais. Os efeitos desse aquecimento já são visíveis e crescentes, com desastres agravados pelo clima causando danos e mortes em diversas regiões.

Entre os exemplos citados no relatório, o Reino Unido enfrenta uma seca histórica e alerta para possível escassez de alimentos. Incêndios florestais atingem novas áreas na França e na Espanha, enquanto geleiras derretem rapidamente e os oceanos registram as temperaturas mais altas da história. O fenômeno El Niño, que emerge no Pacífico, é esperado para trazer grandes perturbações, intensificando ainda mais o cenário climático global. Cada fração de grau adicional de aquecimento agrava a situação, e permanecer acima de 1,5°C não trará resultados positivos.

É difícil exagerar a intensidade da emoção para nós que vivemos na linha de frente, depois de termos lutado tanto para colocar o limite de 1,5 grau no centro do Acordo de Paris […] apelos por mais ambição já não são suficientes —precisamos ver um aumento urgente e sem precedentes na vontade política e no investimento em um futuro seguro para o clima.

A declaração é de Surangel Whipps Jr., presidente de Palau, um dos países insulares que mais sofrem com o rápido aumento do nível do mar e outras ameaças climáticas.

A Importância da Meta de 1,5°C

O Acordo de Paris de 2015 estabeleceu uma meta global de manter o aumento da temperatura média mundial “bem abaixo” de 2°C, com esforços para limitar o aquecimento a 1,5°C. Essa meta foi fundamentada em avaliações científicas que indicavam que um aquecimento superior a 2°C seria perigoso, e que 1,5°C era o limite necessário para minimizar os riscos climáticos.

Países insulares do Pacífico, como Palau, desempenharam um papel crucial na inclusão do limite de 1,5°C no acordo, argumentando que ele era essencial para a sobrevivência de suas comunidades frente ao aumento do nível do mar. Em 2025, a Corte Internacional de Justiça, a mais alta instância judicial do mundo, decidiu que 1,5°C é o principal limite de temperatura com o qual as nações se comprometeram a trabalhar. Esta decisão implica que governos que não agirem com a maior ambição possível podem ser processados em tribunais internacionais. Em maio de 2026, a Assembleia Geral da ONU endossou a decisão do tribunal, instando à adoção de medidas para limitar o aquecimento a 1,5°C.

Um Desvio Temporário?

Apesar das projeções sombrias, o relatório da ONU oferece um fio de esperança: a possibilidade de que a superação da meta seja um desvio temporário. Para que isso ocorra, os países precisam redobrar seus esforços para eliminar gradualmente o uso de combustíveis fósseis e reduzir outras fontes de emissões. Com ações ambiciosas, seria possível limitar o pico do aquecimento a 1,8°C e, em seguida, utilizar métodos de remoção de carbono para trazer as temperaturas de volta a 1,5°C ou abaixo disso ainda neste século.

Não é o momento de desistir. Um aquecimento de 1,5°C já trará consequências severas, mas cada aumento incremental, para 1,6°C, 1,7°C ou mais, agravará ainda mais a situação, resultando em mais fenômenos climáticos extremos, perda de biodiversidade, avanço do mar sobre terras e maiores prejuízos humanos. Permanecer com um aquecimento acima de 1,5°C aumenta o risco de desencadear pontos de inflexão climáticos – mudanças abruptas e irreversíveis em escalas de tempo humanas. Isso inclui o derretimento das plataformas de gelo da Groenlândia e da Antártica Ocidental, o colapso de correntes marítimas cruciais no Atlântico e a transformação da Floresta Amazônica em uma fonte líquida de emissões.

Cidade com sol
Cidade com sol

Progresso e Desafios Futuros

Apesar dos desafios, o Acordo de Paris, embora não esteja funcionando na velocidade ideal, tem gerado resultados. A energia solar e os veículos elétricos, por exemplo, tiveram um crescimento exponencial desde 2015, e o processo de eletrificação se acelerou. As reduções de emissões já evitaram cenários climáticos piores, como um aquecimento de 3°C ou mais. De acordo com o Climate Action Tracker, o Acordo de Paris evitou o equivalente a 1°C de aquecimento, colocando o mundo a caminho de uma alta de 2,6°C até o fim do século, em vez dos 3,6°C projetados anteriormente.

Embora seja um progresso, não é suficiente. As emissões globais estão se estabilizando, mas ainda não começaram a cair de fato. Os líderes mundiais devem agir rapidamente para reduzir as emissões e manter viva a meta de emissões líquidas zero até 2050. Para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C, será necessário remover gigatoneladas de dióxido de carbono da atmosfera, por meio de plantio de árvores e restauração da natureza. Abordagens tecnológicas, como a captura de CO2 em rochas ou o aumento da alcalinidade oceânica, também podem ser consideradas, embora ainda não testadas em grande escala e com riscos potenciais.

Ação Global e Vontade Política

A ação climática enfrenta obstáculos, como o crescimento do populismo político e a aposta de alguns governos em combustíveis fósseis. No entanto, há sinais encorajadores. A instalação de energia solar, por exemplo, levou quase 70 anos para atingir um terawatt, mas apenas dois anos para o segundo e mais dois para o terceiro terawatt. Em uma década, esse número pode triplicar. Países em desenvolvimento estão avançando rapidamente na adoção de transporte elétrico não poluente.

As mudanças climáticas não podem mais ser ignoradas. À medida que os danos se acumulam, a cooperação internacional será fundamental para reduzir as emissões e desenvolver métodos seguros e equitativos de remoção de carbono da atmosfera. A ação climática exige forte vontade política, governança inclusiva e financiamento para auxiliar países em desenvolvimento a reduzir emissões e se adaptar. Em novembro de 2026, a Austrália liderará as negociações na COP31, na Turquia, onde líderes e diplomatas trabalharão para manter a meta de 1,5°C ao alcance, mesmo após um possível desvio temporário. A Austrália pode usar sua própria transição para energia limpa como exemplo, incentivando outros países a eletrificar suas economias e abandonar os combustíveis fósseis.

As mudanças climáticas são um problema complexo, mas a solução reside no reconhecimento da urgência e na ação cooperativa. Deixar o problema para a próxima geração pode significar a perda da chance de um clima seguro.

Leitura da LZ7 Energia

O relatório da ONU reforça a urgência de uma transição energética global, um tema central para a LZ7 Energia. A superação da meta de 1,5°C, mesmo que temporária, sublinha a necessidade de acelerar a adoção de fontes renováveis, como a solar, em todas as escalas. A menção ao crescimento exponencial da energia solar e dos veículos elétricos demonstra que a tecnologia e a capacidade de mudança já existem. Para o Norte Pioneiro do Paraná, isso significa que a aposta em energia solar não é apenas uma questão de economia na conta de luz, mas uma contribuição direta para a resiliência climática global. Cada instalação de painéis solares na região ajuda a reduzir a dependência de combustíveis fósseis, alinhando-se aos esforços internacionais para mitigar o aquecimento global e protegendo o futuro das comunidades locais e do planeta.

Fonte: Poder360 — Nacional — matéria original publicada em poder360.com.br. Imagens e vídeos: Poder360 — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.